insano adjetivo substantivo masculino 1. que ou o que não está no domínio de suas faculdades mentais; louco, demente. 2. que ou o que age como um louco; insensato, irresponsável, tresloucado.
Ninguém pode viver desse jeito por muito tempo. É como estar diante do mais extraordinário banquete e só poder se servir de uma pequena parte - dia após dia. É como estar na praia vendo o sol deslumbrante nascer e se pôr no azul, mas nunca poder mergulhar na paz do mar infinito - dia após dia. É como se divertir e se emocionar na plateia, mas jamais poder estar no palco outra vez. É como jogar xadrez e as peças comidas voltarem ao tabuleiro em seguida, e assim nunca, jamais, o cheque-mate chegar. É como esperar - dia após dia - aquele que nunca vem.
nem tudo que escrevo sinto,
às vezes minto só pela beleza da rima,
às vezes é rotina, exercício, treinamento.
corro, caminho, troco o peso das palavras.
transpiro em silêncio até que faça sentido.
respiro na pausa um ruído.
nem todo corte é doído,
posso sangrar a pele só para ser belo ao ouvido.
posso partir o coração sem ter sofrido.
o poeta é fingido.
o fingidor é teatro.
posso forjar tristeza só por um abraço.
nem todas as cartas são de amor,
algumas são de cansaço.
nem todos os poemas são desejo,
alguns são só desabafo.
nem todo convite convida,
alguns são despedida.
quero te escrever uma coisa bonita
porque você é tão linda,
e eu por aqui da beleza andei ausente
o sol, as borboletas, sua boca, seus sons
essa beleza infinita dentro dos seus olhos
essa saudade de te olhar todo dia e pra sempre
será que se eu disser praia com mar, pôr do sol
céu estrelado, aurora boreal, monte fuji, cerejeiras em flor
será que se eu disser tudo isso com amor, é bonito o suficiente?
o david de michelangelo pela primeira vez
as cataratas do iguaçu, o taj mahal, a big sur
a tour eiffel à meia-noite, o duomo de firenze de repente
será que se eu disser que vou te amar mesmo sem poder
será que se eu disser que quero conseguir te esperar até morrer
será que assim essa beleza toda chega até você já, agora, urgente?
tomara, meu amor, tomara
porque é você a Grande Beleza, a única
que encanta o meu mundo, que salva a gente.
eu não posso te amar desse jeito. eu acho que não posso te amar desse jeito. não posso te amar com essa força sem nem poder te amar de verdade. eu não posso te amar desse jeito. não posso te amar com essa loucura sem nem poder te amar de verdade. eu não posso te amar desse jeito. eu não posso te amar com essa vontade se eu nem posso te amar de verdade. eu não posso te amar desse jeito. eu não posso te querer assim se nem é isso que você quer de mim. eu não posso te obrigar a querer. eu não posso, você já me disse, depender de você pra viver. eu não posso te amar desse jeito. eu não posso te amar desse jeito. eu não posso te amar desse jeito. eu não posso te amar desse jeito se eu nem consigo parar de chorar. eu não posso, meu amor, eu não posso te amar desse jeito porque esse amor é uma gaiola e você quer voar. eu não posso.
minha mãe me avisou:
você vai sofrer tanto, minha filha, com esse exagero.
esse exagero no amor e no desespero.
esse exagero no nascimento e no enterro.
você vai sofrer, minha filha, com essa intensidade.
esse exagero na carência e na caridade.
esse exagero no abraço e na saudade.
você vai sofrer, minha filha, com essa falta de medida.
esse exagero na chegada e na partida.
esse exagero no encontro e na despedida.
minha filha, você vai sofrer tanto.
esse exagero na alegria e no pranto.
esse exagero na calmaria e no espanto.
vai sofrer, vai sofrer uma indecência!
esse exagero na presença e na ausência.
esse exagero na dedicação e na indiferença.
filha, você vai sofrer demais.
esse exagero no talento e em não ser capaz.
esse exagero na necessidade e no tanto faz.
não tem jeito, minha filha, vai mesmo, vai sofrer.
esse exagero na dor e no prazer.
esse exagero de ser.
mude, minha filha, mude.
esse exagero de crescer...
(não é para você. por favor, ignore. só preciso escrever...)
nunca pensei que isso fosse voltar
esse amor ausente, esse desespero de amar
essa dor, esse terror da noite e da manhã que virá.
nunca desejei de novo isso tudo
não essa solidão cortante, esse vazio pontiagudo
essa dor, esse terror da noite e da manhã que virá.
como se eu voltasse no tempo quero arrancar aqui de dentro tudo isso que voltou outra vez como se nada tivesse nunca passado como se eu nunca tivesse encontrado a saída desse labirinto e como se isso tudo que eu sinto jamais tivesse ido embora e sempre chegasse essa hora de sofrer tanto e chorar essa avalanche como se toda a alegria que existe não valesse nem por um instante esse terror da noite abandonada e da manhã que nunca virá.
O chocolate é amargo; a noite também.
A lua está linda, mas o sono não vem.
É insone a espera sem tempo certo.
É insana a espera por afeto.
O que se quer, ninguém sabe se será.
O que se quis tanto, voltará?
Vem o choro suave da solidão conhecida.
Vem o medo da vida.
(Eu disse isso em voz alta?)
É essa falta...
Essa falta...
Essa falta.
Sexta-feira santa seria acordar ao seu lado,
te encher de beijos e abraços
e deixar a manhã passar gostosa,
brincando de qualquer coisa,
e rindo, e pulando na cama,
e rolando no chão do quarto.
Sexta-feira santa seria sair pra almoçar
no meio de bagunça e gritaria de alegria,
num japonês que a gente adora,
com a turminha pedindo edamame e alga,
pronta pra encher a boca de sashimi de salmão.
Sexta-feira santa seria inventar diversão a tarde inteira,
e ficar de bobeira quando todo mundo cansar,
e se jogar no sofá pra assistir a um desenho bonito,
e deixar a noite chegar tranquila e feliz.
Sexta-feira santa seria jantar uma sopa quentinha,
depois chá, banho, oração, sono, caracol e...
liberdade.
Sexta-feira santa seria terminar o dia
no seu altar, minha rainha.
É preciso que alguma coisa acabe, é preciso que alguma coisa comece. in A elegância do ouriço
Entre todas as minhas certezas deste momento, a maior é o que eu sinto. Eu tenho certeza de tudo que sinto. E tenho certeza de tudo que não sinto mais. Eu tenho certeza de que, para mim, ser feliz é isto e não aquilo. Aquilo é cômodo, confortável, seguro e pode ser até agradável, mas aquilo não é felicidade. E a vida me é tão chata quando eu não estou feliz. A vida é aquele tanto faz quando eu não estou feliz. Todos os dias são iguais quando eu não estou feliz; e são igualmente tolos quando eu não estou feliz. Portanto é preciso que aquilo acabe e que isto realmente comece. Entre todas as minhas certezas deste momento, a maior é o que eu ainda não fiz.
PS: por favor, não morra atropelada. nem de nenhum outro jeito.
todos os impulsos são perigosos para quem vive uma vida clandestina in A elegância do ouriço
Desde que comecei a amar, vivi clandestina de muitos. Não sei o que é viver o amor de outra forma, sem me esconder ou me disfarçar aqui e ali, para os meus, para os dela, ou para a gente toda que se incomoda tanto com quem eu amo. Minha vida foi sempre cheia de proibições e eu as driblei vivendo uma metade na clandestinidade. Tudo que eu não podia, fazia clandestinamente; porque não sou de me resignar, mas também não sou de derrubar portas à revelia. Minhas paixões exageradas - uma redundância - e meus longos e profundos amores: constante e desesperadamente clandestinos. Nunca me foi permitido amar com liberdade quem eu amava, mas sempre amei tão loucamente que ser clandestina era a única opção. A alternativa seria morrer - ah, não sou do tipo que escolhe morrer a viver apaixonada, por mais difícil que seja clandestinar o brilho nos olhos e a vontade de gritar o amor. Então fui o que precisei ser, trilhei os caminhos que pude trilhar, perdi o que tive que perder, ganhei o que pude ganhar. Só me conhecia verdadeiramente quem fazia parte da minha vida clandestina - sempre muita gente boa e feliz, sempre com muito afeto, diversão, alegria e abraços amigos e amados.
Mas o sentimento clandestino não foi exatamente suave: eu nunca soube o que é amar sem o medo de ser descoberta; nunca pude expor meu amor sem limite ou me declarar sem filtros; nunca pude viver sem dominar meus impulsos, sempre perigosíssimos para quem vive uma vida clandestina. Não sei se os impulsos são perigosos porque a vida é clandestina ou se a vida é clandestina porque os impulsos são perigosos. Mas o caso é que sempre precisei controlar os meus, tantos, tantos. Vivi desviando vontades famintas e demonstrações de amor belíssimas. Vivi arrastando as paixões diárias para um lugar onde eu pudesse vivê-las.
Sim, desde que comecei a amar, vivi clandestina de muitos. Hoje, quando eu via os muitos tornarem-se cada vez "mais poucos", vem a vida e me joga de volta; vem a vida com suas maravilhas e me joga de volta nos sentimentos mais felizes e ferozes que já tive - mas na clandestinidade absoluta.
Todos os impulsos são perigosos.
Amar é sempre perigoso pra mim, sempre será.
Volto ao que sempre fui: clandestina.
Volto ao lugar onde me achei quando me achei: felicidade.
Felicidade clandestina, é assim o meu amor:
"finjo que não o tenho, só para depois ter o susto de o ter".
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
I am from China
somos todos estrangeiros na vida alheia?
quem semeia é estrangeiro na devastação?
a paixão é estrangeira quando a gente ama?
sábados e domingos são estrangeiros na semana?
can I open a barraca no seu quintal and live there?
Daqui de dentro da caixa, eu escuto seus passos, seus laços, seus abraços. Escuto seus espaços, sua ida e sua volta, suas reviravoltas, seus sins e seus nãos. Daqui, eu escuto os que vêm e os que vão, escuto você e sua multidão, escuto seu agito e sua solidão - a caminhada e a meditação. De dentro da caixa, escuto as meninas e os meninos, os que brincam, os que dançam, os que choram; os que chegam e os que vão embora, os que correm e os que demoram. Da caixa, eu escuto as compras, as vendas, as contas, as fendas e as oferendas. Escuto a toalha de renda, os enfeites, as flores, a avó e o fundo do mar. Escuto você trabalhar e se divertir. Escuto você rir e gargalhar. Escuto você me amar. Escuto você me querer. Escuto você me ter. Escuto você me deixar. Eu escuto, de dentro da caixa, a sua vida acontecer e a minha, vírgula.
a saudade / é um trem de metrô / subterrâneo obscuro / escuro claro /é um trem de metrô. a saudade / é prego parafuso / quanto mais aperta / tanto mais difícil arrancar. a saudade / é um filme sem cor / que meu coração quer ver colorido. a saudade / é uma colcha velha / que cobriu um dia / numa noite fria / nosso amor em brasa. a saudade / é brigitte bardot / acenando com a mão / num filme muito antigo. [zeca baleiro]
a música Todo o meu tempo, todo meu zelo / Todo meu prédio já sabe que eu tenho um amor / Todo receio, todo remédio / Tudo que sempre causava dor e medo se foi / Foi por te ver andando reto Entre tudo que há de incerto em mim / E fui andando, voltei ao zero / Um recomeço é uma forma de se encontrar / Por ser tranquilo, por ser sincero / Não me preocupa, o que não for é o que vai passar. / Foi por te ver andando reto Entre tudo que há de incerto em mim / Que eu sempre te quis Sempre te quis assim Só pra mim. [daniela canta herbert] o cheiro foi quando eu passei o creme no cabelo a sensação é esse eu estar aqui e você não o quase e foi assim que a gente se encontrou. aquele dia em 95 não era tempo. muitas reginas precisavam passar [ou nunca passarão?]. a cada ano depois desse, não era tempo porque já sabemos todos os porquês. e chegou o tempo desse encontro, porque era o tempo dele. porque ele veio alertar para que voltássemos a ser quem somos, ele veio para mudar com amor a vida de todos que estão precisando disso, ele veio para desfazer as nossas insatisfações. chegou o tempo. e agora, será que será tempo de quê? há muito tempo vivíamos convictas (mesmo que talvez não satisfeitas) e com certa previsão. agora caímos na dimensão sem gravidade, sem certezas, sem previsão... mas essa condição é temporária [será?], e logo vem outro tempo [será?], mais certo, e cheio de convicções [será?]. Por hora, eu tento aceitar e ser grata, e dar certeza para o mundo que, na hora que chegar o tempo [chegará?], serei novamente inteira e transbordarei amor. agora [ainda] é tempo de esperar [godot?]. Lua - não tenho certeza, mas parece vazia. tempo de não fazer nada. [está cheíssima. superlua.] obrigada por refletir tudo de mim que eu não podia deixar de ver [viu?!].
Song says love changes, changes everything.
You say life changes, changes everyday.
Life says let it flow, flow with the wind.
I say you, you take my breath away.
mãe, cadê a luz para onde eu vi você me dar?
só quero deitar no seu colo e chorar um pouco.
nasci pequena, você disse, nesse mundo louco.
diz agora, por favor, como cabe em mim tanta dor?
É domingo, 17 de fevereiro de 2019, 10h36, e eu morri. Assim, de um momento para o outro, outra vez. Como uma tempestade que se forma em silêncio e despenca impiedosa sem nem saber o que arrebenta. Quando parecia que o caminho caminhava para o destino - ainda que distante -, de repente veio a morte. Veio esse choro torrencial da morte. Veio a onda violenta que destrói o porto - ainda que seja um não-porto. Mas agora eu preciso lembrar. Não posso esquecer. Vejo que talvez eu já não suporte morrer - de amar. Sempre me lancei sem rede e sobrevivi, mas agora não me sinto mais capaz. Meu corpo está cansado e a correnteza me arrasta - ainda que por passageiros instantes. A tempestade inesperada derruba minha casa e já não me sinto capaz de reconstruí-la como antes. Como me conserto desta vez? Será que me conserto? Talvez. Talvez sem sair do lugar. Talvez me jogando no mar.
Hoje eu queria gritar. Essa vida que ainda vivo desamparada da vida que espero é um grito. Hoje eu queria deitar no colo de quem sou e estancar essa gritaria aqui dentro. Nesses dias vazios, sou um grito contido. Hoje eu queria correr desses minutos que não andam, desse medo do não sei quando, desse sentimento aprisionado. Hoje eu sou um grito paralisado e o silêncio me massacra de pensar. Hoje eu penso em tudo que não queria, mas não sei evitar. Hoje eu sou o grito que não pode gritar.
É uma mulher alta, que me olha de cima, com a elegância de quem sabe que me domina. Ela me penetra com olhos calmos enquanto movimenta a boca, lenta, e se ajeita diante do meu desejo explícito. É uma mulher alta, que me olha de cima, enquanto me amarra os pulsos no futuro dela, e me invade a vida com a certeza de quem foi sempre convidada a entrar e ficar. E ela entra, e fica. É uma mulher alta que me obriga a ser maior para alcançá-la e a ser melhor para merecê-la. Sua alteza, a mulher que eu amo e admiro - I look up to her, literaly. A mulher que me leva para cima, acima de tudo. A mulher que me faz ver as estrelas de perto. Ela é alta, incrivelmente alta, e eleva tudo ao redor, inclusive eu. Salto.
Vire-se e aceite. Vire-se que eu vou te tratar. Vire-se que eu vou te curar. Vire-se e me dê sinais de que está melhorando. Vire-se e me mostre que está gostando. Vire-se e me diga baixinho, sem escândalo, que podemos seguir felizes. Vire-se e aceite, eu disse. Se doer, aguente. Vire-se e aguente, sem gritar, porque as crianças estão ouvindo. Vire-se, que eu vou sussurrar no seu ouvido pra você entender: aqui somos todos felizes, aqui somos todos felizes, aqui somos todos felizes. Vire-se e chega de bobagem. Vire-se e lembre-se de que nós sabemos tudo sobre você e você não sabe nada, idiota. Vire-se que eu vou te salvar. O problema é que eu demorei demais pra mandar você se virar. Agora revire-se, engula tudo e cale essa boca de uma vez por todas.
Hoje o pequeno se despede
De um pedacinho seu que já não serve
Ainda sem entender
Por que dói ou vai deixar de doer
Ainda sem saber definir
O que é fácil ou não de engolir
Abrindo espaço para conseguir falar
Quem ama e quem ainda vai amar
Hoje o pequeno se despede
Da defesa que já não protege
E abre caminho para o ar
Entrar
domingo, 3 de fevereiro de 2019
THE VOICE KIDS SINGING US
“Quem mandou você me olhar? Quem mandou ser linda desse jeito? Quem mandou conhece meu gosto muito bem. Chega, não precisa mandar mais ninguém.” “Tantos sorrisos por aí e você querendo o meu Tantos olhares me olhando e eu querendo o seu Eu não duvido não, e não foi por acaso Se o amor bateu na nossa porta, que sorte a nossa” “Ah, se eu acordasse todo dia com o seu bom dia De tanto café na cama, faltariam xícaras Me atrasaria só pra ficar de preguiça Se toda arte se inspirasse em seus traços Então qualquer esboço viraria um quadro Com você tudo fica tão leve Que até te levo na garupa da bicicleta O preto e branco tem cor A vida tem mais humor E pouco a pouco o vazio se completa O errado se acerta, O quebrado conserta E assim, tudo muda Mesmo sem mudar A paz se multiplicou Que bom que você chegou Pra somar Ouvi dizer que existe paraíso na terra E coisas que eu nunca entendi Só ouvi dizer que quando arrepia já era...”
Este é o estado: suspensão.
Nem estamos, nem fomos.
Nem ficamos, nem vamos.
Seguimos nessa inércia, mas sem sair do lugar.
Estamos suspensas no ar,
nesse tempo pausado.
Esse é o estado.
Suspensas.
Os dias são duros.
Nunca sentimos isso.
À beira do desmaio.
Uma angústia.
Mas quero ter a paciência
de mostrar o caminho
para não ter susto.
Suspense.
Estamos exaustas.
Vítimas de nós mesmas.
Esse extremo...
Um dia há de melhorar.
Este é o estado: un dia.
Suspiro.
sábado, 26 de janeiro de 2019
A FAVORITA
Somos nós Em outro tempo Em outro lugar Em outro esconderijo. Outro jogo Outra intensidade Outras intenções Outros perigos. Outras atitudes Outras compensações Outras loucuras Outras faltas. Mas esse amor... O grande e o pequeno Quem reina e quem conduz Quem governa e quem manda Quem desespera e quem segura. O drama e a sensatez O descontrole e a reflexão O nó solto e a corda firme. A que necessita e a que dá A que espera e a que faz andar. O leão e o carneiro. Não necessariamente nesta ordem.
Nós e Nós.
Nós em outra vida.
E agora entendi sua cisma
Foi lá que nos envenenou
Uma planta
Carnívora
Mas nunca mais outra vez, minha eterna Favorita.
Evoluímos.
De repente seus passos são meu caminho.
Suas pegadas abraçam meus pés pequenos.
Minhas pernas curtas custam a acompanhar seu ritmo.
Eu me estico, me equilibro, me seguro, salto solta.
Eu me viro, me reviro, corro, disparo louca.
Perco você de vista, avisto sua sombra, me lanço.
Amarro meus cadarços nos seus laços, que me enlaçam...
(Escrevi esse título e esse texto acima enquanto esperava na Apple do Shopping Morumbi. Me chamaram e tive que largar, para continuar depois. Quando saio da Apple, quase 22h, algumas lojas fechando, reparo numa lojinha - muito pequena mesmo - com uma minivitrine de sapatos e... o susto quando foquei a marca: Superga. Eu também não acreditei. Se isso não é um sinal, não sei o que é. Pode ser só uma coincidência incrível. Mas acredito mais no sinal. E então deixo esse acontecimento completar o texto. Nada que eu escreva vai superar o fato. Sinais.)
Você é a melhor coisa que me aconteceu
Você me reconheceu e encheu minha vida de sol
Você é o caracol que leva minha casa aonde vai
Você não sai de min e me transborda de felicidade
Você é todo o meu dia e toda a minha cidade
Você é uma fonte imensa de saudade, é verdade
Mas é um oceano infinito de amor e de alegria
Você é tudo, tudo que eu poderia querer e queria
Você é o melhor sentimento que já me apareceu
Você é o maior prazer que já me preencheu
Você sou eu e somos nós assim desse jeito
Só não é perfeito porque não pode ser
Mas é de uma beleza... é de estarrecer
É avassalador, extraordinário e deslumbrante
É uma avalanche de emoção
É viver diariamente com paixão
É muito mais sin do que não
Por isso
Presta bastante atenção
Eu vou sofrer, não dá para evitar
Vai ter dor, eu vou chorar
Vou fingir e vou gemer em silêncio
Mas enquanto eu não morrer de te amar
Juro: Agradeço
Agradeça. Pelas graças e pelas desgraças, agradeça. Pelos amores e pelas dores, agradeça. Agradeça ao invisível, ao crível e ao incrível. Pelo tempo que passa e pelo que não passa. Se você festeja ou se arrasta. Mesmo que você adoeça, agradeça. A gratidão cura, sutura os cortes, clareia os nortes. Agradeça aos céus e às esperas. Agradeça às feras e a todos os santos em quem alguém tenha fé. Agradeça ao caminho em frente e à marcha ré. Agradeça pelo que é e até pelo que nunca será. Agradeça pelo que sente. Mesmo se mente, agradeça. Agradeça pela semente que pode nem brotar. Agradeça por plantar, por sonhar, por amar. Agradeça por amor. Por favor, agradeça sem pensar demais. Agradeça aos seus pais, publique sua gratidão nos jornais, agradeça em paz. Pelo silêncio, agradeça. Pelo vazio, agradeça. Deixe que a gratidão preencha... seu dia, seu coração, sua cabeça. Apenas agradeça, sem pressa, sem culpa, sem crença. Agradeça por toda coragem e por todo medo. Agradeça em segredo pelo que ninguém pode saber. Agradeça pelo que fará acontecer, e também pelo que não. Então, agradeça e peça perdão.
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Não devia doer, mas tem hora que dói. Dói muito. Dói não poder estar na casa, na sala, na mesa, no jogo. A rainha entre os valetes é a dama que eu quero. A rainha entre os valetes é a dama que define minha mão. Mas eu não a tenho e não sei quando, nem se, ela virá para min. Sem ela não completo nada. Preciso seguir a jogada, mas dói, ainda que não devesse doer. Tranco-me a dor e pego o morto. Pode seguir.
Eu finjo que tudo bem
Dormir sem seu boa noite
Acordar sem o seu bom dia
Passar horas sem saber de você
Eu finjo que fico livre e não solta
Tento não me preocupar muito
Invento conversa e distração
Entre um flash e uma ação
Eu finjo pra nós duas
Mas meu coração
Só volta a bater
Quando
Oi
Volta tudo com essa força e essa urgência E ninguém sabe o que fazer outra vez Até chegar o dia seguinte a semana o mês Parece que demora uma era uma vida uma dinastia Acontece essa revolução do corpo da imaginação Essa invasão de certeza tanta beleza tanta alegria Depois da tempestade eu só queria Calmaria No seu Hárt.
este é pra registrar que meu coração voltou a bater depois de sobreviver a 23 anos em alguns dias.
este é pra você saber que eu sei que esse quando é não sei quando mas é quando tiver que ser e eu estarei aqui aí e onde eu tiver que estar porque nem tenho pra onde ir já que a gente já é separado mesmo sem saber quando seremos tudo junto porque tudo junto é separado e separado é tudo junto e eu não posso ainda estar no mercado na salada na hora de dormir na oração na natação na fono no hospital na school na biblioteca no parquinho na piscina na vida inteira de todo mundo porque ainda todo mundo não tem eu mas um dia vai ter e vai ficar tudo bem com todo mundo e o mundo vai ser nosso quando quando quando for.
"enquando" não é segue esse bate bate bate milhões de vezes aqui dentro.
É melhor você não saber que eu estou morrendo desde que abro meus olhos molhados toda manhã vazia e não sei nem como levantar nem para onde ir.
É melhor você não me ouvir dizer que meu corpo inteiro dói enquanto se contorce por dentro para não explodir de saudade ou de medo de não aguentar.
É melhor você pensar que eu sigo tranquila e certa de que vai ficar tudo bem quando passar esse tempo de espera que ninguém sabe quanto dura ou quanto mata.
É melhor você me imaginar em paz e cheia de metas e objetivos que preenchem esse espaço entre o fim de uma vida e o começo de outra com metas e objetivos mais preenchidos de felicidade e mil vontades e um futuro inadiável que a gente adia enquanto é preciso - ou enquanto não é preciso.
É melhor você continuar firme nesse longo-prazo infinito que só poderá ser completo e direito se a gente tiver paciência e generosidade com as dores e os tempos de tudo que está fora e quem sabe também dentro e todo mundo que não compreende que ninguém enlouqueceu.
É melhor você me mandar pelo vento seu cheiro e suas certezas de que o amor vai permanecer até que a gente tenha liberdade e força para sobreviver a nossos lutos e enfim dar as mãos e amarrar as cordas ainda que eu tenha vontade de arrancar tudo isso de dentro de mim a cada hora que começa e que eu sinto que não vou suportar mais nem um minuto sem você.
É melhor você não ler nada disso e amanhã eu tento voltar a ser forte para que você seja feliz e que eu possa estar perto logo do jeito que der.
I Queria te falar Com todas as palavras Obrigada Por ter lutado Tão bravamente Pelo amor.
Eu sei Que nesta luta longa Eu te ensinei Mas você me ensinou Muito Também.
Quero te dizer Que eu não teria Medo nenhum De no meio da rua Ou dentro do palácio Do governo Te dar um beijo Longo e apaixonado Para expressar o quanto O amor precisa Sempre Vencer.
Espero muito Que seu coração Esteja calmo.
II Você é minha musa Inspiradora Minha protetora Meu amuleto Da sorte.
Hoje é a estreia E eu estou animada Mas minha estreia Importante Foi antes.
Sobre o brilho Meus chakras alinhados Essa sensação maravilhosa.
Mesmo nesse período Tão tenso e incerto Eu tenho certeza Todas as minhas motivações São as do amor.
Se eu puder levar esta alegria Para o palco hoje Vai ser uma delícia.
Se a gente puder Se olhar Depois de cada entrada E sorrir Já venci na vida.
Tô louca Pra viver esse dia Com você.
Minha irmã Minha mãe Minha filha Minha diva De hoje pra vida.
Você foi Você é O maior presente possível.
III Que faço com toda a vontade De viajar com você pelo mundo? De sentar num bar Num campo Numa praia Que faço?
IV We are done, babes. We are madly in love.
Não consigo te explicar A dimensão disso.
Não vamos tentar Fazer nada Que não seja Tolerável.
V Vou enlouquecer Devo estar pensando Do avesso
Mas meu Deus do céu Como é que faz?
Nada faz sentido Sem você.
Minha vida acabou De começar.
VI Existe uma grande chance De você ser A pessoa Da minha vida.
Isso é maravilhoso E assustador.
VII You are My dream Come true.
VIII (infinito) Estou morta De saudade Do resto da minha vida.
Fui doar sangue Minhas veias estão vazias Acordei de um coma Mas há anestesias A pressão interna Controla o pulso Mas no curso o rio Não cessa de bater Passa a pressa de ser Corre a água sobre o fogo Pausa no jogo (Pausa) Fui tirar sangue Há sal nas minhas veias Despertei do coma Mas caí nas corredeiras
Eu não estou autorizada a te dar presentes. Você não pode me cravar os dentes. O que rasga minha pele é o que você não diz. Está proibido ser feliz. Agora, não. Parada aí: olha pro chão, põe as mãos na cabeça, abre as pernas e fecha a boca. Você está louca, não repara? Cobre essa cara e fica quietinha. Você é minha. Olha a alegria que há nessa casa! Qualquer mudança está desautorizada. É imoral amar. É desnecessário. A vida se preenche nesse itinerário conhecido. É sabido. Só você parece não saber. Olha a felicidade que há nesta casa! Não mexa em nada. Você está desautorizada, entendeu? Senta aí e me mostra que não enlouqueceu. Nem você, nem eu. Sem cenas, sem dramas, sem falas. Cubram essas caras e chorem quietinhas. Intervalo.
O QUE É ANGÚSTIA Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria - o que também é uma forma de angústia. Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda. - (Clarice, in A descoberta do mundo)
porque eu me encho de vez em quando de tudo de vez em quando de todos de vez em quando quase. porque eu me calo quando me canso ou então falo até o cansaço me calar. porque às vezes falar não serve não vence não perde não salva nada que valeria. não vale. porque nem tudo vale a pena poeta perdão mas tem coisa que é só cena. porque teatro é tudo que te amo quando te amo pouco ou nada ou não sei. te atro. porque eu me canso eu disse eu canso de tudo que disse eu canso de tudo que disse repetido. porque se eu repito não ando me sinto voltando me sinto dormindo me sinto saltando no mesmo lugar. porque pior é ficar sabendo que quer ir. pior é fingir pra quem sabe tudo. e quem sabe tudo de mim não existe do lado de fora como já existiu. porque eu também fui embora quando você (me) partiu.
Quando eu nasci, ela estava lá.
Quando eu chorei, quando eu sorri,
quando precisei, quando pedi,
quando conquistei e quando perdi.
Ela estava lá de manhã, depois da escola, na hora de dormir.
Ela estava lá para me acordar, me alimentar, me cobrir.
Quando eu falei, quando eu esqueci,
quando eu mudei, quando cresci,
quando gritei e quando me feri.
Ela sempre esteve lá, ela sempre esteve aqui, comigo.
Faz um mês, ela foi arrancada de mim, fui obrigada a vê-la partir.
Essa coisa que a vida faz com a gente sem aviso.
Essa crueldade, esse perigo que a gente não pode evitar.
Agora eu choro esse choro, que é todo o chorar.
Até quando, não sei. Acho que até secar, o mar.
Minha neguinha, minha florzinha,
minha mãe preta, minha Betinha,
você me cuidou, me mimou, me amou tanto.
Viver sem você é assim, essa novidade,
esse buraco, essa saudade sem fim.
Eu te amo pra sempre,
e te abraço todo dia dentro de mim.
Eu me lembrei de você de repente como lembro sempre nas horas de todos os dias em que não te esqueço Lembrei então das lembranças e das palavras guardadas e dos sons que eram parte de mim quando eu era você Que nunca deixei de ser talvez por teimosia ou amor não se sabe ao certo já que errei tanto quando estive tão perto Mais do que eu queria menos do que podia tanto quanto foi possível evitar evitei e quem me garante que teria sido ao contrário Há o que existe o que é e o que não é ainda que eu pensasse que pudesse depender de mim Mas isso só pensei no início quando nada sabia da vida e da onda que anda sozinha com a força dos que nada temem O medo que eu tenho é o mesmo de ontem de hoje de sempre De que quando se forem os outros que amei que amava em você não sobre em mim nem vontade nem milagre nem muito prazer.
Por que será que a gente vai contando os anos?
Tudo aqui é de qualquer tempo, da idade da pedra.
Tudo é de sempre desde que eu escrevi a primeira linha.
Tudo é do mesmo ainda que pareça diferente de antes.
O que vem, que já veio, que virá de novo no novo.
Dois mil o quê? Dois vezes quanto?
Quantos espantos ainda hão de me contar a vida...
Mas uma mentira há, e bem contada: o oito.
entre eles, eu.
por que, meu deus?
por que, alguém?
qualquer quem que me responda...
se existisse explicação, saída, solução.
qualquer quem que me pudesse ajudar.
mas nào, não há.
o que há é só o tempo.
demorado demais.
cansei de não ter escolha.
cada abraço cada passo cada canção. suas mãos me seguram e cada sorriso que você me dá é sol. o norte não é mais pra qualquer lado mas você. a sorte é minha toda noite nessa cama. se você me ama nada falta à casa inteira. fui à feira comprar pastel mas o gosto é seu na minha boca. se me chamarem de louca eu não ligo. me abrigo no seu ninho que é onde eu alço vôo. meu caminho era um hiato só pra te esperar. essa peça começa no segundo ato quando você entra em mim. sim eu aceito eu quero eu posso eu nunca mais saio de cena. reza essa novena comigo que até falta jeito pra agradecer. amanhece tanto se é você ao lado com palavras doces pra me despertar. amanhece sempre tudo colorido e leve se é a sua voz se é a sua paz. não sei bem mas faz uma vida inteira que eu te conheci. tudo que vivi antes desses dias era na verdade só um treinamento. meu temperamento era tempestade mas é de humildade que eu me inundo agora. não tem mais demora não tem mais procura. é aventura é risada é tanta alegria que me explode o peito. volto ao meu defeito minha qualidade urgente: amar sem limite infinito latente. acordei de um coma, ela disse. eu como se ela não visse sorri livre de todos os enganos: acordamos.
Nascer e morrer no mesmo dia deve ser alguma espécie de marca para pessoas muito especiais. A falta que você vai fazer aqui também será uma marca, um buraco eterno na vida da gente, em cada dia. Em cada dia que eu pegasse o telefone pra saber onde você estava porque eu queria ir te encontrar. Em cada dia que você me ligasse pra insistir pra eu ir. Em cada dia que eu te encontrasse por acaso no restaurante, na rua, no bar. Em cada dia que você fosse nos ver no teatro. Um buraco, meu Deus. Um buraco enorme.
A sua voz ressoa sem parar dentro de mim. Robérrrrtá. Pra sempre.
Eu sei que você nos ouve, e sabe. Mas, mesmo assim, a saudade vai doer sempre.
Obrigada, Rô, por ter estado aqui, e tão perto de mim.
e de repente eu me vi ali, depois de tantos anos,
naquela quadra onde nos descobrimos, naquele palco,
naquele lugar onde te amei tanto, onde fui tão feliz.
e, pela primeira vez, me dei conta de que, talvez,
você não tenha sido tão feliz quanto eu.
será que eu estraguei seus programas?
será que atrapalhei seus jogos?
será que de tanto te querer (bem), te fiz mal?
será que você me perdoa?
há dias eu choro ouvindo essa musica que não sai daqui,
há dias eu me pergunto por que, por que você não sai de mim.
há dias eu falo, ouço, penso e choro.
eu sei que vai passar. sempre passa.
mas como é difícil viver com essa cicatriz.
I remember you said
sometimes it lasts in love
sometimes it hurts instead
(Eu te escrevo aos prantos, me desculpa. Sentindo qualquer coisa entre dor, saudade e a lembrança das maiores alegrias que já vivi. É sempre assim, de tempos em tempos (há tanto tempo), quando falo de você, quando reencontro nossos amigos, quando estou aqui, sozinha, e me lembro. Quando me lembro do que nunca esqueço. Me desculpa. Eu nunca esqueço, você sabe como eu sou. Me desculpa. Às vezes eu queria te ter por perto só pra ver se isso passa, mas eu sei, eu sei. Me desculpa. E obrigada por ter me feito sentir o maior amor e a maior felicidade que alguém pode sentir nesta vida.)
"Eu ouvi dizer que você se casou, que seus sonhos se tornaram realidade. Certamente ele te deu coisas que eu jamais poderia te dar. Mas, velha amiga, por que você fica tão tímida? Não é do seu feitio se conter ou se esconder da luz... Eu odeio aparecer de repente sem ser convidada, mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar. Eu tinha esperança de que você visse meu rosto e se lembrasse de que, pra mim, não acabou. Mas não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você. E te desejo o melhor, também. Só não se esqueça de mim, eu imploro.
Lembro que você dizia: às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, ele machuca. Às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, machuca. Você deveria saber como o tempo voa. Ontem mesmo foi o tempo das nossas vidas. E nada se compara. Mas não se preocupe, arrependimentos, lamentações e erros são só memórias. Quem poderia ter imaginado o gosto maravilhoso e amargo que tudo teria? Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você."
Someone Like You - Adele
I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you
Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light
I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over
Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah
You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days
Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste
é sempre naquele mesmo momento. há anos. há tantos anos.
há tantos anos ela pensa sobre isso, ela sabe disso.
e é simplesmente assim, todos os anos, todos os dias.
à noite, quando ela entra no carro e fecha a porta.
não se sabe se é o som da batida, o movimento ou a solidão que se segue.
não se sabe.
embora pareça óbvio ser a solidão, não se sabe ao certo.
as músicas no rádio não ajudam.
a escuridão e a chuva não ajudam.
as ruas quase vazias não ajudam.
a fome ainda insiste.
e é sempre naquele mesmo momento.
naquele momento, a pergunta sempre vem.
Em cada cem pessoas, aquelas que sempre sabem mais: cinquenta e duas.
Inseguras de cada passo: quase todo o resto.
Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove.
Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro – bem, talvez cinco.
Capazes de admirar sem invejar: dezoito.
Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos.
Aqueles com quem é bom não se meter: quarenta e quatro.
Vivem com medo constante de alguma coisa ou de alguém: setenta e sete.
Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo.
Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões: mais da metade, por certo.
Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente.
Peritos em prever: não muitos mais que os peritos em adivinhar.
Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada).
Dobrados de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde.
Aqueles que são justos: uns trinta e cinco. Mas se for difícil de entender, Três.
Dignos de simpatia: noventa e nove. Mortais: cem em cem – um número que não tem variado.
Wislawa Szymborska, poeta polonesa
(mais uma extraordinãria que minha professora Tati Fadel me apresentou)
Na sombra de um templo, meu amigo me apontou um cego.
Meu amigo disse: "Este homem é um sábio".
Aproximamos, e perguntei: "Desde quando o senhor é cego?"
"Desde que nasci."
"Eu sou um astrônomo", comentei.
"Eu também", o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito, disse: "Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se movem dentro de mim".