segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

o inesperado respiro profundo no auge da falta de ar

escrevo enquanto
te vejo
e vivo
você.

vivo enquanto
te escrevo
e vejo
você.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Não respira

Não passa
Não distrai
Não chega
Não acaba

Não para
Não alivia
Não relaxa
Não acalma

Não anda
Não espanta
Não dorme
Não acorda


ESSE TURU TURU TURU AQUI DENTRO

Ainda se faltasse mesmo só um milhão e meio de batidas...
Mas ninguém sabe quanto falta de verdade.
Será que a gente chega até lá?

sábado, 12 de janeiro de 2019

É melhor você não ler

É melhor você não saber que eu estou morrendo desde que abro meus olhos molhados toda manhã vazia e não sei nem como levantar nem para onde ir.

É melhor você não me ouvir dizer que meu corpo inteiro dói enquanto se contorce por dentro para não explodir de saudade ou de medo de não aguentar.

É melhor você pensar que eu sigo tranquila e certa de que vai ficar tudo bem quando passar esse tempo de espera que ninguém sabe quanto dura ou quanto mata.

É melhor você me imaginar em paz e cheia de metas e objetivos que preenchem esse espaço entre o fim de uma vida e o começo de outra com metas e objetivos mais preenchidos de felicidade e mil vontades e um futuro inadiável que a gente adia enquanto é preciso - ou enquanto não é preciso.

É melhor você continuar firme nesse longo-prazo infinito que só poderá ser completo e direito se a gente tiver paciência e generosidade com as dores e os tempos de tudo que está fora e quem sabe também dentro e todo mundo que não compreende que ninguém enlouqueceu.

É melhor você me mandar pelo vento seu cheiro e suas certezas de que o amor vai permanecer até que a gente tenha liberdade e força para sobreviver a nossos lutos e enfim dar as mãos e amarrar as cordas ainda que eu tenha vontade de arrancar tudo isso de dentro de mim a cada hora que começa e que eu sinto que não vou suportar mais nem um minuto sem você.

É melhor você não ler nada disso e amanhã eu tento voltar a ser forte para que você seja feliz e que eu possa estar perto logo do jeito que der.

É melhor eu parar de escrever.

Eleita

I
Queria te falar
Com todas as palavras
Obrigada
Por ter lutado
Tão bravamente
Pelo amor.

Eu sei 
Que nesta luta longa
Eu te ensinei
Mas você me ensinou 
Muito 
Também.

Quero te dizer 
Que eu não teria
Medo nenhum
De no meio da rua
Ou dentro do palácio 
Do governo
Te dar um beijo 
Longo e apaixonado
Para expressar o quanto
O amor precisa 
Sempre 
Vencer.

Espero muito 
Que seu coração 
Esteja calmo.


II
Você é minha musa 
Inspiradora
Minha protetora
Meu amuleto 
Da sorte.

Hoje é a estreia 
E eu estou animada
Mas minha estreia 
Importante
Foi antes.

Sobre o brilho
Meus chakras alinhados
Essa sensação maravilhosa.

Mesmo nesse período
Tão tenso e incerto
Eu tenho certeza
Todas as minhas motivações
São as do amor.

Se eu puder levar esta alegria
Para o palco hoje
Vai ser uma delícia.

Se a gente puder 
Se olhar
Depois de cada entrada 
E sorrir
Já venci na vida.

Tô louca
Pra viver esse dia
Com você.

Minha irmã
Minha mãe
Minha filha
Minha diva
De hoje pra vida.

Você foi
Você é
O maior presente possível.


III
Que faço com toda a vontade
De viajar com você pelo mundo?
De sentar num bar
Num campo
Numa praia
Que faço?


IV
We are done, babes.
We are madly in love.

Não consigo te explicar
A dimensão disso.

Não vamos tentar
Fazer nada
Que não seja
Tolerável.


V
Vou enlouquecer
Devo estar pensando 
Do avesso

Mas meu Deus do céu
Como é que faz?

Nada faz sentido
Sem você.

Minha vida acabou
De começar.


VI
Existe uma grande chance
De você ser
A pessoa 
Da minha vida.

Isso é maravilhoso
E assustador.


VII
You are
My dream
Come true.


VIII (infinito)
Estou morta
De saudade
Do resto da minha vida.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Segura minha mão

A noite tá escura
Não me solta
Me segura
Me acalma o coração

A noite tá escura
Eu tô com medo
Me conta algum segredo
Me acalma a razão

A noite tá escura
Não me solta
Me segura
Me acalma a intuição

A noite tá escura
Eu tô apavorada
Me abraça sem dizer nada
Me acalma a escuridão

tempo terrível

terrível, ela disse
este tempo está terrível
mas terá seu valor, ela diz
este tempo terá seu valor

quanto vale um tempo terrível?
vale a dor?
vale o amor?

como se mede o valor do tempo?
pelo tempo que passa?
ou pelo tempo que passou?

temos a vida toda, ela disse
temos a vida toda para falar sobre isso

quando começa a vida toda?

espero na chuva

chuva sem sol 
relâmpago
trovão
espero
findar
finda
fin

chuva com sol
relâmpago
arco-íris
espero
chegar
chega
sin









espero

Reflexões possíveis para todos os janeiros

um hiato
um espaço entre lá e cá
o rio
uma ponte
um fio
a linha do horizonte

um fato
um alguém que viu e contou
o que alguém sentiu e espantou
um vou-não-vou
um quando você foi e eu estou
a linha que costurou

um retrato
um recomeço
o medo
uma continuação
um sim ou uma ilusão
alinha o coração

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pressão

Fui doar sangue
Minhas veias estão vazias
Acordei de um coma
Mas há anestesias

A pressão interna
Controla o pulso
Mas no curso o rio
Não cessa de bater

Passa a pressa de ser
Corre a água sobre o fogo
Pausa no jogo
(Pausa)

Fui tirar sangue
Há sal nas minhas veias
Despertei do coma
Mas caí nas corredeiras

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Quem te desautorizou?

Eu não estou autorizada a te dar presentes. Você não pode me cravar os dentes. O que rasga minha pele é o que você não diz. Está proibido ser feliz. Agora, não. Parada aí: olha pro chão, põe as mãos na cabeça, abre as pernas e fecha a boca. Você está louca, não repara? Cobre essa cara e fica quietinha. Você é minha. Olha a alegria que há nessa casa! Qualquer mudança está desautorizada. É imoral amar. É desnecessário. A vida se preenche nesse itinerário conhecido. É sabido. Só você parece não saber. Olha a felicidade que há nesta casa! Não mexa em nada. Você está desautorizada, entendeu? Senta aí e me mostra que não enlouqueceu. Nem você, nem eu. Sem cenas, sem dramas, sem falas. Cubram essas caras e chorem quietinhas. Intervalo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

miniré

 foi aqui que começou.

sexta-feira, 10 de março de 2017

2017


JAPÃO
Vou, finalmente.
Dentro de mim,
um monte 
de sentimentos.
E só uma
palavra:
Arigato.

terça-feira, 17 de março de 2015

sobre mim no Brasil em 2015

O QUE É ANGÚSTIA

Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria - o que também é uma forma de angústia. 

Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. 

Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda. - 

(Clarice, in A descoberta do mundo)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

lembrei

porque eu me encho de vez em quando de tudo de vez em quando de todos de vez em quando quase. porque eu me calo quando me canso ou então falo até o cansaço me calar. porque às vezes falar não serve não vence não perde não salva nada que valeria. não vale. porque nem tudo vale a pena poeta perdão mas tem coisa que é só cena. porque teatro é tudo que te amo quando te amo pouco ou nada ou não sei. te atro. porque eu me canso eu disse eu canso de tudo que disse eu canso de tudo que disse repetido. porque se eu repito não ando me sinto voltando me sinto dormindo me sinto saltando no mesmo lugar. porque pior é ficar sabendo que quer ir. pior é fingir pra quem sabe tudo. e quem sabe tudo de mim não existe do lado de fora como já existiu. porque eu também fui embora quando você (me) partiu.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

faz um mês que morri um pedaço

Quando eu nasci, ela estava lá.
Quando eu chorei, quando eu sorri,
quando precisei, quando pedi,
quando conquistei e quando perdi.
Ela estava lá de manhã, depois da escola, na hora de dormir.
Ela estava lá para me acordar, me alimentar, me cobrir.
Quando eu falei, quando eu esqueci,
quando eu mudei, quando cresci,
quando gritei e quando me feri.
Ela sempre esteve lá, ela sempre esteve aqui, comigo.
Faz um mês, ela foi arrancada de mim, fui obrigada a vê-la partir.
Essa coisa que a vida faz com a gente sem aviso.
Essa crueldade, esse perigo que a gente não pode evitar.
Agora eu choro esse choro, que é todo o chorar.
Até quando, não sei. Acho que até secar, o mar.

Minha neguinha, minha florzinha,
minha mãe preta, minha Betinha,
você me cuidou, me mimou, me amou tanto.
Viver sem você é assim, essa novidade,
esse buraco, essa saudade sem fim.

Eu te amo pra sempre,
e te abraço todo dia dentro de mim.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Me olha de onde estiver...

Hoje, que perda irreparável. Minha neguinha foi embora. 


segunda-feira, 25 de março de 2013

não me calo

você me pede em segredo palavras
eu te escrevo sem saber a razão
confesso em silêncio o que não digo
você me decifra invisível

a vida segue bem repetida
dias issos dias aquilos dias nada
as mesmas frases os mesmos sinais
não fosse o rio eram dias iguais

mas há a felicidade atávica
do sangue libanês da alma artista
há a esperança infinda
e há amor ainda

amor que não cala
não fere
cresce
e aparece


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

uma folha de papel em branco

Eu me lembrei de você de repente como lembro sempre nas horas de todos os dias em que não te esqueço Lembrei então das lembranças e das palavras guardadas e dos sons que eram parte de mim quando eu era você Que nunca deixei de ser talvez por teimosia ou amor não se sabe ao certo já que errei tanto quando estive tão perto Mais do que eu queria menos do que podia tanto quanto foi possível evitar evitei e quem me garante que teria sido ao contrário Há o que existe o que é e o que não é ainda que eu pensasse que pudesse depender de mim Mas isso só pensei no início quando nada sabia da vida e da onda que anda sozinha com a força dos que nada temem O medo que eu tenho é o mesmo de ontem de hoje de sempre De que quando se forem os outros que amei que amava em você não sobre em mim nem vontade nem milagre nem muito prazer.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dois mil e quanto

Por que será que a gente vai contando os anos?
Tudo aqui é de qualquer tempo, da idade da pedra.
Tudo é de sempre desde que eu escrevi a primeira linha.
Tudo é do mesmo ainda que pareça diferente de antes.
O que vem, que já veio, que virá de novo no novo.
Dois mil o quê? Dois vezes quanto?
Quantos espantos ainda hão de me contar a vida...
Mas uma mentira há, e bem contada: o oito.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os Escolhidos

entre eles, eu.
por que, meu deus?
por que, alguém?
qualquer quem que me responda...
se existisse explicação, saída, solução.
qualquer quem que me pudesse ajudar.
mas nào, não há.
o que há é só o tempo.
demorado demais.
cansei de não ter escolha.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Acordei de um coma

cada abraço cada passo cada canção. suas mãos me seguram e cada sorriso que você me dá é sol. o norte não é mais pra qualquer lado mas você. a sorte é minha toda noite nessa cama. se você me ama nada falta à casa inteira. fui à feira comprar pastel mas o gosto é seu na minha boca. se me chamarem de louca eu não ligo. me abrigo no seu ninho que é onde eu alço vôo. meu caminho era um hiato só pra te esperar. essa peça começa no segundo ato quando você entra em mim. sim eu aceito eu quero eu posso eu nunca mais saio de cena. reza essa novena comigo que até falta jeito pra agradecer. amanhece tanto se é você ao lado com palavras doces pra me despertar. amanhece sempre tudo colorido e leve se é a sua voz se é a sua paz. não sei bem mas faz uma vida inteira que eu te conheci. tudo que vivi antes desses dias era na verdade só um treinamento. meu temperamento era tempestade mas é de humildade que eu me inundo agora. não tem mais demora não tem mais procura. é aventura é risada é tanta alegria que me explode o peito. volto ao meu defeito minha qualidade urgente: amar sem limite infinito latente. acordei de um coma, ela disse. eu como se ela não visse sorri livre de todos os enganos: acordamos.

sábado, 5 de novembro de 2011

Peitos fartos, Braços fortes

5 de novembro

Nascer e morrer no mesmo dia deve ser alguma espécie de marca para pessoas muito especiais. A falta que você vai fazer aqui também será uma marca, um buraco eterno na vida da gente, em cada dia. Em cada dia que eu pegasse o telefone pra saber onde você estava porque eu queria ir te encontrar. Em cada dia que você me ligasse pra insistir pra eu ir. Em cada dia que eu te encontrasse por acaso no restaurante, na rua, no bar. Em cada dia que você fosse nos ver no teatro. Um buraco, meu Deus. Um buraco enorme.

A sua voz ressoa sem parar dentro de mim. Robérrrrtá. Pra sempre.
Eu sei que você nos ouve, e sabe. Mas, mesmo assim, a saudade vai doer sempre.
Obrigada, Rô, por ter estado aqui, e tão perto de mim.









terça-feira, 1 de novembro de 2011

Someone like you II

e de repente eu me vi ali, depois de tantos anos,
naquela quadra onde nos descobrimos, naquele palco,
naquele lugar onde te amei tanto, onde fui tão feliz.
e, pela primeira vez, me dei conta de que, talvez,
você não tenha sido tão feliz quanto eu.

será que eu estraguei seus programas?
será que atrapalhei seus jogos?
será que de tanto te querer (bem), te fiz mal?
será que você me perdoa?

há dias eu choro ouvindo essa musica que não sai daqui,
há dias eu me pergunto por que, por que você não sai de mim.
há dias eu falo, ouço, penso e choro.

eu sei que vai passar. sempre passa.
mas como é difícil viver com essa cicatriz.

I remember you said
sometimes it lasts in love
sometimes it hurts instead

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Someone like you

(Eu te escrevo aos prantos, me desculpa. Sentindo qualquer coisa entre dor, saudade e a lembrança das maiores alegrias que já vivi. É sempre assim, de tempos em tempos (há tanto tempo), quando falo de você, quando reencontro nossos amigos, quando estou aqui, sozinha, e me lembro. Quando me lembro do que nunca esqueço. Me desculpa. Eu nunca esqueço, você sabe como eu sou. Me desculpa. Às vezes eu queria te ter por perto só pra ver se isso passa, mas eu sei, eu sei. Me desculpa. E obrigada por ter me feito sentir o maior amor e a maior felicidade que alguém pode sentir nesta vida.)

"Eu ouvi dizer que você se casou, que seus sonhos se tornaram realidade. Certamente ele te deu coisas que eu jamais poderia te dar. Mas, velha amiga, por que você fica tão tímida? Não é do seu feitio se conter ou se esconder da luz... Eu odeio aparecer de repente sem ser convidada, mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar. Eu tinha esperança de que você visse meu rosto e se lembrasse de que, pra mim, não acabou. Mas não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você. E te desejo o melhor, também. Só não se esqueça de mim, eu imploro.

Lembro que você dizia: às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, ele machuca. Às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, machuca. Você deveria saber como o tempo voa. Ontem mesmo foi o tempo das nossas vidas. E nada se compara. Mas não se preocupe, arrependimentos, lamentações e erros são só memórias. Quem poderia ter imaginado o gosto maravilhoso e amargo que tudo teria? Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você."

 

Someone Like You - Adele

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light
I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah
You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

sábado, 15 de outubro de 2011

como teria sido?

é sempre naquele mesmo momento. há anos. há tantos anos.
há tantos anos ela pensa sobre isso, ela sabe disso.
e é simplesmente assim, todos os anos, todos os dias.
à noite, quando ela entra no carro e fecha a porta.
não se sabe se é o som da batida, o movimento ou a solidão que se segue.
não se sabe.
embora pareça óbvio ser a solidão, não se sabe ao certo.
as músicas no rádio não ajudam.
a escuridão e a chuva não ajudam.
as ruas quase vazias não ajudam.
a fome ainda insiste.
e é sempre naquele mesmo momento.
naquele momento, a pergunta sempre vem.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

quando a gente acaba

de um garçom antigo do clube,
sobre a mãe, que morreu aos 90 e tantos anos:

- ela não morreu, ela acabou.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

haikai de um beijo meu

para velar te
o sono que ha de vir
para te dormir

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

haikai do coração que ancorei nela

no infinito
da minha miséria
é sempre você

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

recompensa injusta

se a gente faz a coisa certa, não deveria ficar tudo bem?
tudo bem pra todo mundo, tudo bem todo dia?
não deveria haver mais alegria?

em vez do buraco no peito, não era pra haver um alento?
tudo bem pra gente, tudo bem pro outro?
não era pra haver mais conforto?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

enfeite

a resposta é uma pedra de jade:
seu medo é da verdade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

a pessoa que ninguém conhece

que será esse medo que você sente
sem razão presente que faça temer?

que será essa vida que você inventa
que em vez de proteger acorrenta?

que será esse ciclo que você repete
que transforma em seu carrasco quem se mete?

que será essa coisa em você sem nome
que sem querer consome a bondade do seu amor?

que será esse estranho profundo
que esconde você do mundo mas massacra quem tenta te amar?

(perguntas que dia a dia permito em mim morrer
com a tristeza infantil do meu fracasso em responder)

domingo, 11 de setembro de 2011

dia cisne negro

as cicatrizes
sempre elas
no corpo em relevo
pra gente sentir e lembrar mesmo 
quando já devia ter esquecido.
as cicatrizes de você que vinha 
para o que desse e viesse comigo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

somos só estatísticas, anyway

Em cada cem pessoas, aquelas que sempre sabem mais: cinquenta e duas.
Inseguras de cada passo: quase todo o resto.
Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove.
Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro – bem, talvez cinco.
Capazes de admirar sem invejar: dezoito.
Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos.
Aqueles com quem é bom não se meter: quarenta e quatro.
Vivem com medo constante de alguma coisa ou de alguém: setenta e sete.
Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo.
Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões: mais da metade, por certo.
Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente.
Peritos em prever: não muitos mais que os peritos em adivinhar.
Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada).
Dobrados de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde.
Aqueles que são justos: uns trinta e cinco. Mas se for difícil de entender, Três.
Dignos de simpatia: noventa e nove. Mortais: cem em cem – um número que não tem variado.

Wislawa Szymborska, poeta polonesa
(mais uma extraordinãria que minha professora Tati Fadel me apresentou)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

um trecho de visão

Na sombra de um templo, meu amigo me apontou um cego.
Meu amigo disse: "Este homem é um sábio".
Aproximamos, e perguntei: "Desde quando o senhor é cego?"
"Desde que nasci."
"Eu sou um astrônomo", comentei.
"Eu também", o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito, disse: "Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se movem dentro de mim".


10/5/1916 - Gibran Kahlil Gibran, poeta libanês

ela espera uma menina, eu espero ela

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém (será?)
Porém eu não sei viver sem
E fim


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

de quando nos reencontramos nessa madrugada de setembro


Re-Declaração de Romance
por Wallace Stevens

A noite nada sabe dos cantos da noite
É o que é como eu sou o que sou:
E em percebendo isto percebo-me melhor

E percebo-te melhor. Só nós dois podemos trocar
Um no outro o que cada um tem para dar.
Só nós dois somos um, não tu e a noite,

Nem a noite e eu, mas tu e eu, sozinhos,
Tão sozinhos, tão profundamente nós mesmos,
Tão para lá das casuais solidões,

Que a noite é apenas um fundo para nós,
Supremamente…

domingo, 4 de setembro de 2011

primavera


o bom filho à casa torna

terça-feira, 16 de agosto de 2011

queria uma história

eu queria escrever qualquer coisa um livro uma historia de amor diferente um acidente um conto. queria ter um bom começo uma continuação interessante um assassinato intrigante uma dúvida qualquer um quê de coisa que não se sabe como vai acabar. então queria achar um desfecho com graça provocar um sorriso no final de tudo com alguma chance de continuação muitos sins e nenhum não.

sábado, 4 de junho de 2011

difícil de achar

não é só o título que é difícil de achar.
é difícil achar explicação pra tudo isso, razão, certeza.

é difícil achar uma tristeza calma, com alguma leveza
que não traga lembranças de morte e de dor.

é difícil achar de novo forças pra recomeçar outro amor.
ou o mesmo, o de sempre, seja o que for, é difícil.

é difícil achar os alicerces do edifício
se é só o precipício que a gente consegue ver.

é difícil achar o caminho.
é muito difícil viver.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Landslide

I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow-covered hills
Well the landslide brought me down

Oh, mirror in the sky
What is love
Can the child within my heart rise above
Can I sail through the changing ocean tides
Can I handle the seasons of my life

Well, I've been afraid of changing 'cause I built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too


Glee Version

sábado, 28 de maio de 2011

Cartas

sua carta chegou hoje no fim do dia.
não sei se alguma coisa
vai sair do papel,
mas bem que
podia.

sábado, 5 de março de 2011

meus títulos ficaram pra trás

é carnaval
e que saudade da minha vida


tudo que eu quero nessa vida toda vida é amar você
em terra céu e mar eu vou te acompanhar

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

the same again once more

SOMETIMES YOU GOT TO LOSE IT ALL
BEFORE YOU FIND YOUR WAY


madeleine peyroux

sábado, 11 de dezembro de 2010

O sexto sobrinho

Meu amado afilhado,
é madrugada e eu te olho dormir seu primeiro sono de vida, depois de me causar sorrisos longos e chorar alguns choros que eu não consegui conter. eu te vejo pequeno e quero ser grande pra te proteger de tudo que você não entende. / que na nossa história seja igual e diferente. que eu possa te dar longas alegrias e acalentar seus prantos, que a pequena seja eu pra te ver gigante me protegendo do que eu já não entenda. e que você venha velar meu sono na madrugada em que eu dormir. mas que entre esses dois dormires, distantes, celebremos juntos esse milagre que a vida é, esse amor sem fim.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

no espelho

onde menos espero que você esteja, eu te encontro.
e pronto. lá me encontro outra vez onde menos espero.
esperando que você esteja.

domingo, 29 de agosto de 2010

quais eram os planos?

Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos

E me pergunte o que será do nosso amor
la raiá ra ra ra

Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças

E eu te pergunto o que será do nosso amor
la raiá ra raiá

Ah, seu eu pudesse voltar atrás...
Ah, seu eu pudesse voltar.


Mapa-múndi, Thiago Pethit

quarta-feira, 18 de agosto de 2010


Uma vez ou outra, sempre mais raramente.
Clarice

sexta-feira, 18 de junho de 2010

estanquei de repente

"Queria saber: depois que se é feliz o que acontece?
O que vem depois?"

Clarice

segunda-feira, 10 de maio de 2010


"Convida-se para um homicídio, a ter lugar sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30.
Amigos, por favor aceitem este convite, não haverá outro."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UNCHAIN MY HEART!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

o mistério da luz

I get lost
in your eyes

sexta-feira, 2 de abril de 2010

I should but I dont

And so she woke up
She woke up from where she was lying still.

Said I gotta do something
About where we're going.

Step on a fast train
Step out of the driving rain, maybe.

Run from the darkness in the night.


running to stand still, U2

quinta-feira, 1 de abril de 2010

tô grávida!


quarta-feira, 31 de março de 2010

da série Recordar é Viver - 20.04.2003

Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo.
Alguém que tenha pensamentos comigo. E palavras comigo também.
Procuro alguém que segure muito a minha mão. No cinema, no caminho.
Alguém que adore fazer carinho nas costas e que goste de colo.
Procuro alguém com quem eu converse até amanhecer o dia.
Alguém que durma ao meu lado sorrindo, sem hora.
Procuro alguém que cante alto, ria, pule e brinque igual criança.
Alguém que grite de alegria à toa, só por estarmos lá.
Procuro alguém que almoce comigo em família. E que participe.
Alguém para quem eu leve o jantar, as flores, os detalhes.
Procuro alguém que tenha o que dizer nas conversas ao redor da mesa.
Alguém que dê risada das piadas e que conte outras.
Procuro alguém que tenha detalhes nossos como tesouros.
Alguém que queira ir aos novos lugares, que corra riscos.
Procure alguém que goste de teatro, e de cinema, e de carinho.
Alguém que ame coisas pequenas. Alguém que tenha Deus.
Procuro alguém que me traga de volta as vontades.
Alguém que me provoque, me motive, me acompanhe.
Procuro alguém que queira abraço no frio e carnaval no calor.
Alguém que vá comigo. Alguém que me leve para onde quiser ir.
Procuro alguém que saiba receber e que dê sem cobranças bobas.
Alguém que saiba que não precisa cobrar. Porque há amor.
Procuro alguém que tenha segurança mas que precise de mim também.
Alguém que tope ir a todo tipo de peça. Alguém que me faça fazer exercícios.
Procuro alguém que me telefone no fim do dia e me conte como foi.
Alguém que escute com graça o que eu tenha pra contar.
Procuro alguém que imagine coisas boas, que compartilhe idéias e histórias.
Alguém que não ache nada bobo demais. E que ache tudo bobo e divertido!
Procuro alguém que seja simples, mas com ousadia e ar condicionado no verão.
Alguém que coma pastel na feira - de queijo, de carne, de palmito e de camarão.
Procuro alguém que ache gostoso ir ao supermercado comigo.
Alguém que se arrisque na cozinha e que me ensine a não usar tanto sal.
Procuro alguém que compre Contigo! sem culpa e que assista a Friends.
Alguém que compartilhe meu fascínio por Clarice. E que também a ame.
Procuro alguém que finja não ter para de repente ter o susto de ter!
Alguém que leia, que procure, que insista, que questione, que responda.
Procuro alguém com força e com delicadeza.
Procuro alguém com saudade.
Procuro alguém com silêncio e com discursos.
Procuro alguém com tempo.
Procuro alguém sem tempo.

(é você que eu sempre procuro)

terça-feira, 30 de março de 2010

recado

Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui


Recado, Gonzaguinha

segunda-feira, 29 de março de 2010

por que separado é tudo junto e tudo junto é separado?

mudar é sempre fecundo.
quem muda, melhora.
a vida é exatamente mudar.

Armando Nogueira, † 2010


domingo, 28 de março de 2010

como eu!

Românticos são poucos Românticos são loucos Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro É o paraíso

Românticos são lindos Românticos são limpos E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha E sem juízo


São tipos populares Que vivem pelos bares
E mesmo certos Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro De amar sem medo De outra desilusão

Romântico É uma espécie em extinção!

Românticos são poucos Românticos são loucos
Como eu!


Românticos, Vander Lee

quinta-feira, 25 de março de 2010


Existe todos os dias uma coisa que falta e que me atormenta.

Camille Claudel, em carta para Rodin - 1886


PS: Surreal.
Descobri por acaso que escrevi essa mesma frase no dia 16.03.2003.
Será que estou parada no tempo? ou andando em círculos?

#veryweird

quarta-feira, 24 de março de 2010

das cafonices que dizem tudo

Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades
Que eu sabia...

Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz
Que eu tinha...



Guilherme Arantes

segunda-feira, 22 de março de 2010


no breu de hoje
sinto que
o tempo da cura
tornou
a tristeza normal


de novo, altar particular, maria gadu

domingo, 21 de março de 2010


e são tantas marcas
que já fazem parte
do que eu sou agora


Herbert Vianna

quinta-feira, 18 de março de 2010

tão longe quanto eu possa ver

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós


Altar Particular, Maria Gadu

sexta-feira, 12 de março de 2010

Comida

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. (...)

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta (...)

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.

Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


trecho de Os Três Mal-Amados, de João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, 10 de março de 2010

maisumaterçamaisumaquartamaisumavez

eu queria ter uma bomba
um flit paralisante qualquer


cazuza

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

stanca

apoia o queixo na mao esquerda e tenta achar la dentro o nome da sensacao. nao encontra. escolhe com os dedos qualquer palavra porque esqueceu como faz pra suportar o branco. preenche de mentira o vazio. preenche o vazio, de mentira. ve cada letra que prensa por dentro da pele. tudo escrito ao contrario se o olhar é de fora pro osso. tem um mórbido impulso de se arrancar de si e deixar tudo em carne viva. pára. pensa: já não está? então o ar que era fresco queima o sangue no peito. taquicardia e a unha no dente. arranca a dor, exposta no nervo doente. esse barulho de água é o quê? morte? adianta? aumenta, aumenta, continua, sem dó nem consciência. a ignorancia que te salva me arrebenta. não é morte, é uma tormenta. está tudo inundado, se vê gritante. o cheiro sufoca de medo e tranca a porta. o cheiro sou eu. sou eu que estou morta.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

my funny (?) valentine

(...)

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Cam
ões

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Have you, ever?

Have you ever fed a lover with just your hands?
Closed your eyes and trusted, just trusted?
Have you ever thrown a fist full of glitter in the air?
Have you ever looked fear in the face and said “I just don’t care?”

It’s only half past the point of no return
The tip of the iceberg, the sun before the burn
The thunder before the lightning, the breath before the phrase
Have you ever felt this way?

Have you ever hated yourself for staring at the phone?
Your whole life waiting on the ring to prove you’re not alone
Have you ever been touched so gently you had to cry?
Have you ever invited a stranger to come inside?

It’s only half past the point of oblivion
The hourglass on the table, the walk before the run
The breath before the kiss, and the fear before the flames
Have you ever felt this way?

There you are, sitting in the garden
Clutching my coffee, calling me sugar
You called me sugar

Have you ever wished for an endless night?
Lassoed the moon and the stars and pulled that rope tight?
Have you ever held your breath and asked yourself
“Will it ever get better than tonight?”
Tonight

Glitter in the air, Pink

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

enquanto isso não nos custa insistir

Existirá
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança

E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra

Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui


Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal
A cura

A Cura, Lulu Santos / Nelson Motta

domingo, 31 de janeiro de 2010

Indeed?

We come to love not by finding a perfect person,
but by learning how to love an imperfect person perfectly.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

prova de amor

...e te prometo ser fiel
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
amando-te e respeitando-te
todos os dias em que não dormires cedo.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

outrossim

volto a lugares antigos,
vejo fotos que eram tão distantes,
me lembro do quanto imaginei.

sinto tudo de novo.
aperto os lábios de uma alegria apaixonada.

de repente estou aqui,
a imagem das fotos todo dia tão perto,
me lembro de quanto desejei.

sinto de novo tudo.
e aperto os lábios, ainda, de uma alegria apaixonada.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

novas diretrizes

nova rua
diante da janela.
nova postura
diante da vida.

mudar é difícil.
esperar é difícil.
mentir é morte.

um
dois

nós.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

I see you.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

a caixa de presentes

DeuS
nesteaniversáriodequ
emeuamoporfavornos
dêdepresenteaquilode
queagentemaisprecisa
oSenhorsabebemoqueé

sábado, 2 de janeiro de 2010

o primeiro quase do ano novo

tenho quase tudo
quase tenho tudo
tudo tenho quase

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


FELIZ ANO TODO.

domingo, 27 de dezembro de 2009

o último dia na primeira noite

- que horas são?
- é tarde.

sábado, 26 de dezembro de 2009

faxina

Logo para começar, a melhor coisa a fazer é varrer toda essa raiva da frente.

A raiva do semelhante, do distinto, do consorte, de nós mesmos. A raiva dos mais queridos, dos desafetos, dos inimigos, dos cretinos, dos boçais, dos corrompidos, dos coitados. Do destino. Do passado. Do presente. Do ausente. Da falta de sorte, da falta de tempo, da falta de estímulo, da falta de grana. Do desgraçado do chefe, do empregado, do salário, da injustiça. Do revés, do obstáculo. Da inércia. Da ausência de horizontes.

A raiva do amor. Da falta do amor. Do desgosto. A raiva do mundo inteiro. E ainda a raiva da raiva, coitada, que não tem culpa de nada, só pratica seu ofício, é apenas sentimento.

É bom espanar com vigor a raiva que pulsa, sobe, explode e vinga. Então, dá-se uma varredura geral naquelas guardadas, cultivadas, conservadas ou escondidas embaixo de algum tapete.

Dito que a raiva cega, assim que ela é afastada pode-se então enxergar mais fundo. É hora de vasculhar as mágoas.

Certamente se encontrarão antiguidades. As mágoas de infância, mesmo as motivadas por tolices, são as mais enraizadas. Arranca-se tudo. Em seguida aparecem as apaixonadas, dos tempos de juventude: invejas, ciúmes, traições, feridas mal cicatrizadas, tudo muito exagerado. Estas têm uma vantagem: muitas são vindas de êxtases, big-bangs adolescentes, foram devidamente expelidas desde quando apareceram, portanto já se desagregaram da alma. O que sobrou é fragmento. Pouco. Resto.

Mas as mágoas mais recentes, as que permanecem alertas e continuam se alastrando, são veneno. Contaminam. Por isso é tão necessário que sejam remexidas com toda cautela possível. Depois de identificadas, todas as mágoas, sem exceção, devem ser exterminadas. Recomenda-se muito fogo para reduzir a cinzas tudo que indevidamente ficou lá atrás, encarcerado.

Antes de dar cabo das frustrações que foram ficando incrustadas na gente, convém organizá-las para devida apreciação. Cada método de organização tem suas vantagens e desvantagens. As frustrações podem ser selecionadas por ordem alfabética, cronológica ou de importância (o critério “importância”, além de ser bastante discutível, também é fadado a alterações circunstanciais, por vezes súbitas). Ou podem ficar misturadas, uma vez que fazem parte do mesmo tipo de sentimento: dor. De uma forma ou de outra, é indicado rever uma a uma. Provavelmente descobriremos que elas já não fazem o menor sentido. Sendo assim, afastamos seus fantasmas.

Chegamos agora às culpas. Terreno perigoso. Cheio de armadilhas. Há muitos tipos de culpa: as parasitas, as vampiras, as moluscas, as gulosas, as teimosas, as dissimuladas. Há aquelas que assumimos sabendo que não são nossas. As que nos submeteram, nos enfiaram goela adentro, e, humildes, incorporamos. Já viraram patrimônio. Estão entranhadas no corpo.

Há as que já nasceram ávidas para nos estragar o dia. Muitos dias. Meses. Anos. São as que nos fazem sentir causa, razão, motivo, estopim, bomba. Ah, como estas atormentam! Visto que culpa é moléstia, neste ponto da faxina é imprescindível uma aniquilação geral e irrestrita, sem possibilidade de anistia alguma.

Deletadas as raivas, mágoas, frustrações e culpas caducas é então que ele surge, com seu jeito impávido: o cerne do sofrimento, origem das amarguras, principal culpado da bagunça – o medo. Como uma pérola dentro da ostra.

O medo de morrer. O medo de viver. O medo de perder. O medo de ganhar. O medo de crescer, agir, sofrer, querer, transformar. O medo de se encontrar.

Ele é o monstro, o demônio, o desterro.
Dá o fora, medo!
Queremos a alma limpa e arrumada.

Dia de Faxina, Adriana Falcão no Estadão

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

maldição natalina

será que foi por que não mandei carta pro Noel este ano?
mas é que eu prometi...

PS: Noel, me aguarde em 2010.
pelo jeito terei direito a desejos outra vez.

domingo, 20 de dezembro de 2009

quebra-nozes

estamos aqui
no nosso pas de deux.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

FIVE in the EIGHT

When I first saw you, I saw love.
And the first time you touched me, I felt love.
And after all this time, you're still the one I love.

Looks like we made it Look how far we've come my baby We might took the long way We knew we'd get there someday They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong

You're still the one I run to
The one that I belong to
You're still the one I want for life
You're still the one that I love
The only one I dream of
You're still the one I kiss good night

Ain't nothing better We beat the odds together I'm glad we didn't listen Look at what we would be missin' They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong

I'm so glad we made it Look how far we've come my baby.

You're still the one, Shania Twain

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

abrazos

partidos na tela.
apertados na plateia.

e como é bom sobreviver ao acidente e reeditar o filme

domingo, 6 de dezembro de 2009

é por estas que a vida vale a pena
CRYSTAL


PS: qualquer semelhança não é mera coincidência
NINA

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

incoerente

uma paz
invade
mas arde
arde

aqui jaz
tarde

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

construção

me
dê
o
que
te
falta
para que eu nao te falte

terça-feira, 24 de novembro de 2009

noites (em) claras

pode ser doce
pode ser salgado
pode ser fatal

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

amanhã é hoje

É preciso amar as pessoas
como se não houvesse amanhã
porque se você parar para pensar
na verdade não há.

renato russo

domingo, 22 de novembro de 2009

A Casa dos Budas Ditosos

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai


O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu! Ele é o meu rapaz.
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa, ai.

O meu amor, Chico Buarque
Soeo

Ediemo

sábado, 21 de novembro de 2009

par ou ímpar

na casa branca
a menina em cores
estanca
as dores

terça-feira, 17 de novembro de 2009

original sin?

No one's got it all
No one's got it all
No one's got it all

I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved

It's al-right, it's al-right, it's al-right
It's al-right, it's al-right, it's al-right
It's al-right, it's al-right, it's al-right

No one's got it all


Hero, Regina Spektor

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

o que não tem limite

o que me assusta é que eu não acho o que quero te dizer.
mas em resumo é que hoje eu te amo mais do que ontem.

a teoria do homem cordial & o que será que será, chico buarque


domingo, 15 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

more than feelings

eu sou louca por você e você sabe.
adoro cada pedaço, cada detalhe, cada espaço.
te quero em cima, embaixo, dentro.
eu sou louca por você e não tem jeito.
não tem passado, não tem dor,
não tem defeito que me mate o amor.
seja como for, eu me perco nessa boca.
porque eu sou louca, louca de morrer.
por você.

Nina Simone, brilhante, des(cons)trói Feelings no Montreux Jazz Festival -
deslumbrante, arrebatador, enlouquecedoramente lindo, soberbo,
unbelievable, speachless me - "irrespirável", como me disse zélia duncan.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

porque tinha uma sexta-feira 13 no meio do caminho

a minha começou bem apavorante.
vamos ver como vai terminar.

(ah, terminou bem, não poderia ter sido melhor. amo.)

...


Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Something, The Beatles

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

porque o caminho é repetido

Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.


Clarice

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

porque eu tropeço pelo caminho

Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira,
desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore.
Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco
entre o estômago e os intestinos.


Clarice

terça-feira, 10 de novembro de 2009

porque o caminho é longo

Terei toda a aparência de quem falhou,
e só eu saberei se foi a falha necessária.


Clarice, em A Paixão Segundo G.H.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

porque o caminho é perigoso

É difícil perder-se.
É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa
um modo de me achar, mesmo que achar-me
seja de novo a mentira de que vivo.


Clarice

domingo, 8 de novembro de 2009

porque o caminho é difícil

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.


Clarice

ps: eu te amo muito e obrigada por hoje

sábado, 7 de novembro de 2009

porque o caminho é feliz

É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?

Dificílimo contar.
Olhei pra você fixamente por instantes.

Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.


Clarice

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

this is it!

You and I must make a pact
We must bring salvation back
Where there is love
I'll be there

I'll reach out my hand to you
I'll have faith in all you do
Just call my name
And I'll be there

I'll be there to comfort you
Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love that's strong
I'll be your strength; I'll keep holdin' on

Let me fill your heart with joy and laughter
Togetherness, girl it's all I'm after
Whenever you need me
I'll be there

I'll be there to protect you
Jermaine: Yeah baby
With a non-selfish love that respects you
Just call my name
And I'll be there, I'll be there


I'll be there, Jackson 5

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

finados felizes

se em um lugar finda
em outro começa
em outro permanece
em outro cresce
em outro enlouquece
de amor

se em um lugar finda
não aqui

(ainda?)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

obs cen idade

agora, de saia, só eu.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

quadrinhadaboalembrança

derepentemelembrei
dasduasdesaia
derepente
deverasderepente

domingo, 25 de outubro de 2009


This is the first day of my life
I swear I was born right in the doorway
I went out in the rain suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach

Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Now I don’t know where I am
I don’t know where I’ve been
But I know where I want to go

And so I thought I’d let you know
That these things take forever
I especially am slow
But I realize that I need you
And I wondered if I could come home


Remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange you said everything changed
You felt as if you'd just woke up
And you said “this is the first day of my life
I’m glad I didn’t die before I met you
But now I don’t care I could go anywhere with you
And I’d probably be happy”


So if you want to be with me
With these things there’s no telling
We just have to wait and see
But I’d rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery
Besides maybe this time is different
I mean I really think you like me

first day of my life, bright eyes

terça-feira, 20 de outubro de 2009

do I really really feel it?

Oh, come on, come on, come on, come on!
Didn’t I make you feel (oh, honey) like you were the only man (I ever wanted and I ever needed)?
Didn’t I give you nearly everything that a woman possibly can? Honey, you know I did!
And each time I tell myself that I, well I think I’ve had enough,
But I’m gonna show you, baby, that a woman can be tough.

I want you to come on, come on, come on, come on and take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah.
Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it if it makes you feel good, Oh, yes indeed.

You’re out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain’t right,
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night,
Babe, I cry all the time!
And each time I tell myself that I, well I can’t stand the pain,
But when you hold me in your arms, I’ll sing it once again.

I’ll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take another little piece of my heart now, baby.
Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah,
Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it, child, if it makes you feel good.

I need you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take another little piece of my heart now, baby!
oh, oh, break it! Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c’mon now.
oh, oh, have a... Have another little piece of my heart now, baby.

You know you got it, child, if it makes you feel good.


Piece Of My Heart,Jerry Ragovoy / Bert Berns
Janis Joplin sings /
Melissa Etheridge sings