quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Acordei de um coma
sábado, 5 de novembro de 2011
Peitos fartos, Braços fortes
Nascer e morrer no mesmo dia deve ser alguma espécie de marca para pessoas muito especiais. A falta que você vai fazer aqui também será uma marca, um buraco eterno na vida da gente, em cada dia. Em cada dia que eu pegasse o telefone pra saber onde você estava porque eu queria ir te encontrar. Em cada dia que você me ligasse pra insistir pra eu ir. Em cada dia que eu te encontrasse por acaso no restaurante, na rua, no bar. Em cada dia que você fosse nos ver no teatro. Um buraco, meu Deus. Um buraco enorme.
A sua voz ressoa sem parar dentro de mim. Robérrrrtá. Pra sempre.
Eu sei que você nos ouve, e sabe. Mas, mesmo assim, a saudade vai doer sempre.
Obrigada, Rô, por ter estado aqui, e tão perto de mim.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Someone like you II
naquela quadra onde nos descobrimos, naquele palco,
naquele lugar onde te amei tanto, onde fui tão feliz.
e, pela primeira vez, me dei conta de que, talvez,
você não tenha sido tão feliz quanto eu.
será que eu estraguei seus programas?
será que atrapalhei seus jogos?
será que de tanto te querer (bem), te fiz mal?
será que você me perdoa?
há dias eu choro ouvindo essa musica que não sai daqui,
há dias eu me pergunto por que, por que você não sai de mim.
há dias eu falo, ouço, penso e choro.
eu sei que vai passar. sempre passa.
mas como é difícil viver com essa cicatriz.
I remember you said
sometimes it lasts in love
sometimes it hurts instead
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Someone like you
"Eu ouvi dizer que você se casou, que seus sonhos se tornaram realidade. Certamente ele te deu coisas que eu jamais poderia te dar. Mas, velha amiga, por que você fica tão tímida? Não é do seu feitio se conter ou se esconder da luz... Eu odeio aparecer de repente sem ser convidada, mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar. Eu tinha esperança de que você visse meu rosto e se lembrasse de que, pra mim, não acabou. Mas não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você. E te desejo o melhor, também. Só não se esqueça de mim, eu imploro.
Lembro que você dizia: às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, ele machuca. Às vezes o amor dura; às vezes, ao contrário, machuca. Você deveria saber como o tempo voa. Ontem mesmo foi o tempo das nossas vidas. E nada se compara. Mas não se preocupe, arrependimentos, lamentações e erros são só memórias. Quem poderia ter imaginado o gosto maravilhoso e amargo que tudo teria? Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você."
Someone Like You - Adele
sábado, 15 de outubro de 2011
como teria sido?
há tantos anos ela pensa sobre isso, ela sabe disso.
e é simplesmente assim, todos os anos, todos os dias.
à noite, quando ela entra no carro e fecha a porta.
não se sabe se é o som da batida, o movimento ou a solidão que se segue.
não se sabe.
embora pareça óbvio ser a solidão, não se sabe ao certo.
as músicas no rádio não ajudam.
a escuridão e a chuva não ajudam.
as ruas quase vazias não ajudam.
a fome ainda insiste.
e é sempre naquele mesmo momento.
naquele momento, a pergunta sempre vem.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quando a gente acaba
sobre a mãe, que morreu aos 90 e tantos anos:
- ela não morreu, ela acabou.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
recompensa injusta
tudo bem pra todo mundo, tudo bem todo dia?
não deveria haver mais alegria?
em vez do buraco no peito, não era pra haver um alento?
tudo bem pra gente, tudo bem pro outro?
não era pra haver mais conforto?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
a pessoa que ninguém conhece
sem razão presente que faça temer?
que será essa vida que você inventa
que em vez de proteger acorrenta?
que será esse ciclo que você repete
que transforma em seu carrasco quem se mete?
que será essa coisa em você sem nome
que sem querer consome a bondade do seu amor?
que será esse estranho profundo
que esconde você do mundo mas massacra quem tenta te amar?
(perguntas que dia a dia permito em mim morrer
com a tristeza infantil do meu fracasso em responder)
domingo, 11 de setembro de 2011
dia cisne negro
sempre elas
no corpo em relevo
pra gente sentir e lembrar mesmo
as cicatrizes de você que vinha
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
somos só estatísticas, anyway
Inseguras de cada passo: quase todo o resto.
Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove.
Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro – bem, talvez cinco.
Capazes de admirar sem invejar: dezoito.
Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos.
Aqueles com quem é bom não se meter: quarenta e quatro.
Vivem com medo constante de alguma coisa ou de alguém: setenta e sete.
Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo.
Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões: mais da metade, por certo.
Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente.
Peritos em prever: não muitos mais que os peritos em adivinhar.
Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada).
Dobrados de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde.
Aqueles que são justos: uns trinta e cinco. Mas se for difícil de entender, Três.
Dignos de simpatia: noventa e nove. Mortais: cem em cem – um número que não tem variado.
Wislawa Szymborska, poeta polonesa
(mais uma extraordinãria que minha professora Tati Fadel me apresentou)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
um trecho de visão
Meu amigo disse: "Este homem é um sábio".
Aproximamos, e perguntei: "Desde quando o senhor é cego?"
"Desde que nasci."
"Eu sou um astrônomo", comentei.
"Eu também", o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito, disse: "Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se movem dentro de mim".
10/5/1916 - Gibran Kahlil Gibran, poeta libanês
ela espera uma menina, eu espero ela
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
de quando nos reencontramos nessa madrugada de setembro
Re-Declaração de Romance
por Wallace Stevens
A noite nada sabe dos cantos da noite
É o que é como eu sou o que sou:
E em percebendo isto percebo-me melhor
E percebo-te melhor. Só nós dois podemos trocar
Um no outro o que cada um tem para dar.
Só nós dois somos um, não tu e a noite,
Nem a noite e eu, mas tu e eu, sozinhos,
Tão sozinhos, tão profundamente nós mesmos,
Tão para lá das casuais solidões,
Que a noite é apenas um fundo para nós,
Supremamente…
domingo, 4 de setembro de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
queria uma história
sábado, 4 de junho de 2011
difícil de achar
é difícil achar explicação pra tudo isso, razão, certeza.
é difícil achar uma tristeza calma, com alguma leveza
que não traga lembranças de morte e de dor.
é difícil achar de novo forças pra recomeçar outro amor.
ou o mesmo, o de sempre, seja o que for, é difícil.
é difícil achar os alicerces do edifício
se é só o precipício que a gente consegue ver.
é difícil achar o caminho.
é muito difícil viver.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Landslide
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow-covered hills
Well the landslide brought me down
Oh, mirror in the sky
What is love
Can the child within my heart rise above
Can I sail through the changing ocean tides
Can I handle the seasons of my life
Well, I've been afraid of changing 'cause I built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
Glee Version
sábado, 28 de maio de 2011
Cartas
não sei se alguma coisa
vai sair do papel,
mas bem que
podia.
sábado, 5 de março de 2011
meus títulos ficaram pra trás
e que saudade da minha vida
tudo que eu quero nessa vida toda vida é amar você
em terra céu e mar eu vou te acompanhar
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 11 de dezembro de 2010
O sexto sobrinho
é madrugada e eu te olho dormir seu primeiro sono de vida, depois de me causar sorrisos longos e chorar alguns choros que eu não consegui conter. eu te vejo pequeno e quero ser grande pra te proteger de tudo que você não entende. / que na nossa história seja igual e diferente. que eu possa te dar longas alegrias e acalentar seus prantos, que a pequena seja eu pra te ver gigante me protegendo do que eu já não entenda. e que você venha velar meu sono na madrugada em que eu dormir. mas que entre esses dois dormires, distantes, celebremos juntos esse milagre que a vida é, esse amor sem fim.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor
la raiá ra ra ra
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor
la raiá ra raiá
Ah, seu eu pudesse voltar atrás...
Ah, seu eu pudesse voltar.
Mapa-múndi, Thiago Pethit
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo.
Alguém que tenha pensamentos comigo. E palavras comigo também.
Procuro alguém que segure muito a minha mão. No cinema, no caminho.
Alguém que adore fazer carinho nas costas e que goste de colo.
Procuro alguém com quem eu converse até amanhecer o dia.
Alguém que durma ao meu lado sorrindo, sem hora.
Procuro alguém que cante alto, ria, pule e brinque igual criança.
Alguém que grite de alegria à toa, só por estarmos lá.
Procuro alguém que almoce comigo em família. E que participe.
Alguém para quem eu leve o jantar, as flores, os detalhes.
Procuro alguém que tenha o que dizer nas conversas ao redor da mesa.
Alguém que dê risada das piadas e que conte outras.
Procuro alguém que tenha detalhes nossos como tesouros.
Alguém que queira ir aos novos lugares, que corra riscos.
Procure alguém que goste de teatro, e de cinema, e de carinho.
Alguém que ame coisas pequenas. Alguém que tenha Deus.
Procuro alguém que me traga de volta as vontades.
Alguém que me provoque, me motive, me acompanhe.
Procuro alguém que queira abraço no frio e carnaval no calor.
Alguém que vá comigo. Alguém que me leve para onde quiser ir.
Procuro alguém que saiba receber e que dê sem cobranças bobas.
Alguém que saiba que não precisa cobrar. Porque há amor.
Procuro alguém que tenha segurança mas que precise de mim também.
Alguém que tope ir a todo tipo de peça. Alguém que me faça fazer exercícios.
Procuro alguém que me telefone no fim do dia e me conte como foi.
Alguém que escute com graça o que eu tenha pra contar.
Procuro alguém que imagine coisas boas, que compartilhe idéias e histórias.
Alguém que não ache nada bobo demais. E que ache tudo bobo e divertido!
Procuro alguém que seja simples, mas com ousadia e ar condicionado no verão.
Alguém que coma pastel na feira - de queijo, de carne, de palmito e de camarão.
Procuro alguém que ache gostoso ir ao supermercado comigo.
Alguém que se arrisque na cozinha e que me ensine a não usar tanto sal.
Procuro alguém que compre Contigo! sem culpa e que assista a Friends.
Alguém que compartilhe meu fascínio por Clarice. E que também a ame.
Procuro alguém que finja não ter para de repente ter o susto de ter!
Alguém que leia, que procure, que insista, que questione, que responda.
Procuro alguém com força e com delicadeza.
Procuro alguém com saudade.
Procuro alguém com silêncio e com discursos.
Procuro alguém com tempo.
Procuro alguém sem tempo.
(é você que eu sempre procuro)
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Românticos são poucos Românticos são loucos Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro É o paraíso
Românticos são lindos Românticos são limpos E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha E sem juízo
São tipos populares Que vivem pelos bares
E mesmo certos Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro De amar sem medo De outra desilusão
Romântico É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos Românticos são loucos
Como eu!
Românticos, Vander Lee
quinta-feira, 25 de março de 2010
Existe todos os dias uma coisa que falta e que me atormenta.
Camille Claudel, em carta para Rodin - 1886
PS: Surreal.
Descobri por acaso que escrevi essa mesma frase no dia 16.03.2003.
Será que estou parada no tempo? ou andando em círculos?
#veryweird
quarta-feira, 24 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Altar Particular, Maria Gadu
sexta-feira, 12 de março de 2010
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. (...)
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta (...)
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
trecho de Os Três Mal-Amados, de João Cabral de Melo Neto
quarta-feira, 10 de março de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
apoia o queixo na mao esquerda e tenta achar la dentro o nome da sensacao. nao encontra. escolhe com os dedos qualquer palavra porque esqueceu como faz pra suportar o branco. preenche de mentira o vazio. preenche o vazio, de mentira. ve cada letra que prensa por dentro da pele. tudo escrito ao contrario se o olhar é de fora pro osso. tem um mórbido impulso de se arrancar de si e deixar tudo em carne viva. pára. pensa: já não está? então o ar que era fresco queima o sangue no peito. taquicardia e a unha no dente. arranca a dor, exposta no nervo doente. esse barulho de água é o quê? morte? adianta? aumenta, aumenta, continua, sem dó nem consciência. a ignorancia que te salva me arrebenta. não é morte, é uma tormenta. está tudo inundado, se vê gritante. o cheiro sufoca de medo e tranca a porta. o cheiro sou eu. sou eu que estou morta.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
(...)
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Camões
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Have you ever fed a lover with just your hands?
Closed your eyes and trusted, just trusted?
Have you ever thrown a fist full of glitter in the air?
Have you ever looked fear in the face and said “I just don’t care?”
It’s only half past the point of no return
The tip of the iceberg, the sun before the burn
The thunder before the lightning, the breath before the phrase
Have you ever felt this way?
Have you ever hated yourself for staring at the phone?
Your whole life waiting on the ring to prove you’re not alone
Have you ever been touched so gently you had to cry?
Have you ever invited a stranger to come inside?
It’s only half past the point of oblivion
The hourglass on the table, the walk before the run
The breath before the kiss, and the fear before the flames
Have you ever felt this way?
There you are, sitting in the garden
Clutching my coffee, calling me sugar
You called me sugar
Have you ever wished for an endless night?
Lassoed the moon and the stars and pulled that rope tight?
Have you ever held your breath and asked yourself
“Will it ever get better than tonight?”
Tonight
Glitter in the air, Pink
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Existirá
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança
E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra
Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui
Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal
A cura
A Cura, Lulu Santos / Nelson Motta
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
volto a lugares antigos,
vejo fotos que eram tão distantes,
me lembro do quanto imaginei.
sinto tudo de novo.
aperto os lábios de uma alegria apaixonada.
de repente estou aqui,
a imagem das fotos todo dia tão perto,
me lembro de quanto desejei.
sinto de novo tudo.
e aperto os lábios, ainda, de uma alegria apaixonada.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
domingo, 27 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
Logo para começar, a melhor coisa a fazer é varrer toda essa raiva da frente.
A raiva do semelhante, do distinto, do consorte, de nós mesmos. A raiva dos mais queridos, dos desafetos, dos inimigos, dos cretinos, dos boçais, dos corrompidos, dos coitados. Do destino. Do passado. Do presente. Do ausente. Da falta de sorte, da falta de tempo, da falta de estímulo, da falta de grana. Do desgraçado do chefe, do empregado, do salário, da injustiça. Do revés, do obstáculo. Da inércia. Da ausência de horizontes.
A raiva do amor. Da falta do amor. Do desgosto. A raiva do mundo inteiro. E ainda a raiva da raiva, coitada, que não tem culpa de nada, só pratica seu ofício, é apenas sentimento.
É bom espanar com vigor a raiva que pulsa, sobe, explode e vinga. Então, dá-se uma varredura geral naquelas guardadas, cultivadas, conservadas ou escondidas embaixo de algum tapete.
Dito que a raiva cega, assim que ela é afastada pode-se então enxergar mais fundo. É hora de vasculhar as mágoas.
Certamente se encontrarão antiguidades. As mágoas de infância, mesmo as motivadas por tolices, são as mais enraizadas. Arranca-se tudo. Em seguida aparecem as apaixonadas, dos tempos de juventude: invejas, ciúmes, traições, feridas mal cicatrizadas, tudo muito exagerado. Estas têm uma vantagem: muitas são vindas de êxtases, big-bangs adolescentes, foram devidamente expelidas desde quando apareceram, portanto já se desagregaram da alma. O que sobrou é fragmento. Pouco. Resto.
Mas as mágoas mais recentes, as que permanecem alertas e continuam se alastrando, são veneno. Contaminam. Por isso é tão necessário que sejam remexidas com toda cautela possível. Depois de identificadas, todas as mágoas, sem exceção, devem ser exterminadas. Recomenda-se muito fogo para reduzir a cinzas tudo que indevidamente ficou lá atrás, encarcerado.
Antes de dar cabo das frustrações que foram ficando incrustadas na gente, convém organizá-las para devida apreciação. Cada método de organização tem suas vantagens e desvantagens. As frustrações podem ser selecionadas por ordem alfabética, cronológica ou de importância (o critério “importância”, além de ser bastante discutível, também é fadado a alterações circunstanciais, por vezes súbitas). Ou podem ficar misturadas, uma vez que fazem parte do mesmo tipo de sentimento: dor. De uma forma ou de outra, é indicado rever uma a uma. Provavelmente descobriremos que elas já não fazem o menor sentido. Sendo assim, afastamos seus fantasmas.
Chegamos agora às culpas. Terreno perigoso. Cheio de armadilhas. Há muitos tipos de culpa: as parasitas, as vampiras, as moluscas, as gulosas, as teimosas, as dissimuladas. Há aquelas que assumimos sabendo que não são nossas. As que nos submeteram, nos enfiaram goela adentro, e, humildes, incorporamos. Já viraram patrimônio. Estão entranhadas no corpo.
Há as que já nasceram ávidas para nos estragar o dia. Muitos dias. Meses. Anos. São as que nos fazem sentir causa, razão, motivo, estopim, bomba. Ah, como estas atormentam! Visto que culpa é moléstia, neste ponto da faxina é imprescindível uma aniquilação geral e irrestrita, sem possibilidade de anistia alguma.
Deletadas as raivas, mágoas, frustrações e culpas caducas é então que ele surge, com seu jeito impávido: o cerne do sofrimento, origem das amarguras, principal culpado da bagunça – o medo. Como uma pérola dentro da ostra.
O medo de morrer. O medo de viver. O medo de perder. O medo de ganhar. O medo de crescer, agir, sofrer, querer, transformar. O medo de se encontrar.
Ele é o monstro, o demônio, o desterro.
Dá o fora, medo!
Queremos a alma limpa e arrumada.
Dia de Faxina, Adriana Falcão no Estadão
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
FIVE in the EIGHT
Looks like we made it Look how far we've come my baby We might took the long way We knew we'd get there someday They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong
Ain't nothing better We beat the odds together I'm glad we didn't listen Look at what we would be missin' They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong
I'm so glad we made it Look how far we've come my baby.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu! Ele é o meu rapaz.
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa, ai.
O meu amor, Chico Buarque
sábado, 21 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
No one's got it all
No one's got it all
No one's got it all
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
I'm the hero of the story
Don't need to be saved
It's al-right, it's al-right, it's al-right
It's al-right, it's al-right, it's al-right
It's al-right, it's al-right, it's al-right
No one's got it all
Hero, Regina Spektor
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
o que me assusta é que eu não acho o que quero te dizer.
mas em resumo é que hoje eu te amo mais do que ontem.
a teoria do homem cordial & o que será que será, chico buarque
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
eu sou louca por você e você sabe.
adoro cada pedaço, cada detalhe, cada espaço.
te quero em cima, embaixo, dentro.
eu sou louca por você e não tem jeito.
não tem passado, não tem dor,
não tem defeito que me mate o amor.
seja como for, eu me perco nessa boca.
porque eu sou louca, louca de morrer.
por você.
Nina Simone, brilhante, des(cons)trói Feelings no Montreux Jazz Festival -
deslumbrante, arrebatador, enlouquecedoramente lindo, soberbo,
unbelievable, speachless me - "irrespirável", como me disse zélia duncan.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
a minha começou bem apavorante.
vamos ver como vai terminar.
(ah, terminou bem, não poderia ter sido melhor. amo.)
...
Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me
I don't want to leave her now
You know I believe and how
Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how
You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how
Something, The Beatles
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Clarice
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice
ps: eu te amo muito e obrigada por hoje
sábado, 7 de novembro de 2009
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar.
Olhei pra você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Clarice
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
You and I must make a pact
We must bring salvation back
Where there is love
I'll be there
I'll reach out my hand to you
I'll have faith in all you do
Just call my name
And I'll be there
I'll be there to comfort you
Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love that's strong
I'll be your strength; I'll keep holdin' on
Let me fill your heart with joy and laughter
Togetherness, girl it's all I'm after
Whenever you need me
I'll be there
I'll be there to protect you
Jermaine: Yeah baby
With a non-selfish love that respects you
Just call my name
And I'll be there, I'll be there
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
I swear I was born right in the doorway
I went out in the rain suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Now I don’t know where I am
I don’t know where I’ve been
But I know where I want to go
And so I thought I’d let you know
That these things take forever
I especially am slow
But I realize that I need you
And I wondered if I could come home
Remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange you said everything changed
You felt as if you'd just woke up
And you said “this is the first day of my life
I’m glad I didn’t die before I met you
But now I don’t care I could go anywhere with you
And I’d probably be happy”
With these things there’s no telling
We just have to wait and see
But I’d rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery
Besides maybe this time is different
I mean I really think you like me
first day of my life, bright eyes
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Oh, come on, come on, come on, come on!
Didn’t I make you feel (oh, honey) like you were the only man (I ever wanted and I ever needed)?
Didn’t I give you nearly everything that a woman possibly can? Honey, you know I did!
And each time I tell myself that I, well I think I’ve had enough,
But I’m gonna show you, baby, that a woman can be tough.
I want you to come on, come on, come on, come on and take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah.
Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it if it makes you feel good, Oh, yes indeed.
You’re out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain’t right,
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night,
Babe, I cry all the time!
And each time I tell myself that I, well I can’t stand the pain,
But when you hold me in your arms, I’ll sing it once again.
I’ll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take another little piece of my heart now, baby.
Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah,
Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it, child, if it makes you feel good.
I need you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take another little piece of my heart now, baby!
oh, oh, break it! Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c’mon now.
oh, oh, have a... Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it, child, if it makes you feel good.
Piece Of My Heart,Jerry Ragovoy / Bert Berns
Janis Joplin sings / Melissa Etheridge sings
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
quando você diz sim
que me lê e adora
aflora em mim
um sorriso que demora
quando você entra assim
em mim sem hora
eu digo sim não sim
não vou embora
quando você enfim
se ajeita e me namora
a gente chora de felicidade
e quando você de chinfrim
chama minhas rimas de amor(a)
eu te amo porque é verdade
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
eu imitava o sidney magal cantando sandra rosa madalena. minha babá-segunda-mãe foi a Betinha que mora comigo até hoje. eu passava as férias de verão com meus pais e irmãos em recife. e as de inverno com meus pais, irmãos, tios, primos, agregados e afins em campos do jordão, a gente lotava um hotel. viajei de navio para o caribe no eugenio c. meu pai organizou um grupo de 40 e fomos para a africa do sul. eu aprendi o que era aparthaid. e vi de perto pela primeira vez como o ser humano pode ser cruel. fui também para o tahiti e dei comida para os tubarões. aos 4 anos fui uma árvore no teatro. aos 13 tive meu primeiro papel de verdade, um duende. na quinta-série eu escrevi minha primeira peça, Feliz Natal, e encenamos no pátio da escola. só lembro de duas personagens: Refrozéia e Jodrézia. quem fazia era o sansone e o lelê. uma vez um menino idiota da minha classe me encheu tanto que eu bati nele. ficaram cantando pra mim a música da paraíba. meus primeiros namoradinhos se chamavam diogo, santiago, ricardo, gustavo, renato e zé eduardo. adorava receber cartinhas onde os meninos escreviam "quer namorar comigo?" e embaixo desenhavam um quadradinho SIM e um quadradinho NÃO pra você fazer um X na sua resposta. fui da 1aD, da 2aC, da 3aC e da 4aD. minha melhor amiga no primário era a lotito. no recreio a gente fazia dupla de snooker e pebolim. e ganhava de todo mundo. eu batia figurinha bem paca. meu álbum favorito foi o stamp color. detestava usar saia até começar a ter festas de 15 anos. então passei a adorar dançar valsa. sempre amei aniversário. mas só lembro do bolo da branca de neve. a amiga da minha irmã me telefonava e dizia que era a branca de neve. eu acreditava. descobri que papai-noel não existia quando vi meu presente embaixo da cama dos meus pais. detestei descobrir. imitava o jô soares fazendo o "soninho" e o "waldir, a gente temos aí...?". passava todos os finais de semana no clube. assistia a todos os ensaios de teatro do meu pai. decorava os textos de todos os personagens. andava muito de bicicleta. e colocava um copo de plástico raspando no pneu pra fazer baruhinho de motor. andava de CB400 com meu pai. dei dez pontos na cabeça quando bateram na traseira da caravan e eu meto cocoruto numa parte dura que tinha em cima do banco. e por isso perdi o pique-nique no sítio da cacau. chorei muito. assistia a sítio do pica-pau amarelo, armação ilimitada, zybembom, fofão, toppo giggio, super vicky, caras e caretas, jambo e ruivão, brasinhas do espaço e caverna do dragão. chorava com o programa de natal da xuxa. tive genios, merlim, donkey-kong de duas telas, intelevision e tv de controle remoto com fio. usei roupa de papel krepon. cortei o cabelo igual ao da paula toller. estudei inglês no pink and blue. fui federada no volley mas meu time era péssimo. tive os patins de botinhas brancas com rodinhas vermelhas, andei muito e joguei hókei sobre rodas :). usei relógio champignon que trocava a pulseira. fui na tamatete uma vez na vida e achei um horror. usei polaina no frio. fiz primeira comunhão. assisti a cristiane f na casa da isabela porque a mãe dela era liberal. minha mãe nem sonha que fiz isso. entrei na boite do clube de dia, pela janela com o zé eduardo, e ficamos lá dando beijo na boca. ele usava aparelho e me cortou todo o lábio. brincava de panteras e mosqueteiros com a tati e a raquel. meu professor de órgão era albino e eu tinha medo dele. fiz xixi na calça durante uma aula enquanto ele me deixou sozinha treinando minha pequena eva. saí correndo e nunca mais voltei. fiz xixi na calça mais um milhão de vezes. na cama outro milhão. cocô, nunca. tirei palito de picolé premiado da kibon no guarujá. pegava jacaré com prancha de isopor. e sem prancha. tomei muita água salgada. fazia castelo de areia com masmorra, ponte, laguinho e cercava com muro de forte. minha mãe passava hipoglós no meu nariz quando ficava vermelho de sol. sempre descascava. sempre tirei casquinha de ferida. pegava tatuzinho de praia, fritava e comia. fazia pirâmide na piscina com meus primos. esquiava na água em americana. assistir ao miss brasil com a minha família era um evento. quando fui pra disney, epcot era só uma bola vazia. não me conformo que não fui pra orlando com a tia ginha, como todos os meus irmãos e primos. assistia ao domingo no parque. torcia pro cavalinho malhado no bozo. adorava ver a batalha naval. liguei mil vezes 236-0873 mas nunca consegui falar. tentei distribuir água, luz e gás para três casinhas sem cruzar as linhas durante semanas seguidas. adorava a salomé e o bozó do chico anisio. tinha vergonha quando o motorista da loja da minha irmã ia me buscar na escola de passat amarelo mostarda. passat do antigo. detestava ter que usar uniforme no colegial. não passei de química na escola. amava profundamente acampamentos, caças ao tesouro e gincanas de todo tipo. escrevi poemas desde que aprendi a escrever. usei óculos fundo de garrafa e tampão no olho esquerdo pra forçar o direito é péssimo. não adiantou nada. dividiao quarto com o meu irmão e apanhei muito dele. a mão ficava marcada na minha perna. meu pai me deixou na sala de jantar até de madrugada sentada na frente de um prato de sopa de beterraba porque eu não quis experimentar. eu ligava o chuveiro e ficava lendo gibi. adorava balanço e enjoava no gira-gira. desenhava no guardanapo com catchup e mostarda. nunca fui noiva na quadrilha da festa junina. mas também nunca quis. em compensação sempre fui capitã do time. adorava cabo de guerra, taco, queimada e tomada a bandeira, principalmente noturna. brincava de chips e mês no recreio da escola. sempre odiei sagú, arroz doce e abacate. minha mãe trabalhava nas barraquinhas da festa junina do colégio e eu morria de felicidade. tinha uma amiga chamada ana regina. brincava com ela de nave espacial no canteiro de árvore ao redor do campo de futebol da escola. os filhos do sócio do meu pai me faziam acreditar que eu ficava invisível. ficava invisível sempre na fazenda de campos. tirava leite da vaca e abraçava os bezerrinhos. eu tinha uma cachorra vira-latas chamada Jeanne. adorava Jeanne é um gênio e A Feiticeira. contava pra todo mundo que meu tio fazia Roque Santeiro e pedia pra ele dar um monte de autógrafos para os meus amigos. roía as unhas e não escovava muito bem os dentes. uma vez amarrei o pé da minha irmã no pé da cama pra ela não levantar sonâmbula. ela se estabacou no chão. tomei a maior bronca. nos dias de calor íamos todos dormir no quarto dos meus pais, que tinha ar condicionado. eu ficava no pé da cama deles. e caía no meio da noite. assisti ao Festival dos Festivais e torci pros Abelhudos. ganhei do meu pai uma máquina de escrever olivetti em forma de maletinha. e uma vitrola-maleta também. ganhei também o disco de vinil da Blitz com duas faixas riscadas. fazia pulseirinhas de linha e alça de sacola e vendia na porta de casa. tive um carrinho de rolimã maravilhoso! andei de skate. tive a locomotiva de disquinho que tocava meu limão, meu limoeiro e cai-cai balão. meu jogo favorito era candie land. montei uma amarelinha de sapatos com minha prima Grá. fiz uma domadora de pulgas no teatro infantil do clube. era campeã de xadrez todo ano no intercolegial. a mãe da cássia levava a gente de metrô. eu achava uma aventura. fiquei muito ansiosa quando o gibi da turma da mônica ia mudar da abril para a editora globo. comprava chiclete ping pong na padaria. pirulito era dip link do pozinho, anelina pra deixar a língua azul e sanduíche eu ia buscar de bici pra todo mundo em casa no Stop Dog da Afonso Brás, onde morei minha infância inteira. e onde fui tão tão feliz.
criança feliz II #twitteseuferiadododia12
amor, amizade, azeite, cunhado, rodízio, video-game, fondue, cantoria, kung-fu, família, estrada, churrascaria, peixe cru, advil, cloreto de magnésio, pizza, fantástico, sono, cobertor, travesseiro, abraço, trimilique, latinha velha, passeios matinais, blusa nova, mangas brancas, braços fortes, america, salada, salmão, texto coletivo, if this classroom pegar fogo is good pra saber emergecy exit, sobremesa, paulista, belas artes, café, xixi, bastardos, sangue, olhos fechados, beijos, mãos, incêndio, felicidade. aqui é assim!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Sai de si
Vem curar teu mal
Te transbordo em som
Põe juizo em mim
Teu olhar me tirou daqui
Ampliou meu ser
Quero um pouco mais
Não tudo
Pra gente não perder a graça no escuro
No fundo
Pode ser até pouquinho
Sendo só pra mim sim
Olhe só
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir
Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você
Encontro, Maria Gadú
domingo, 4 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Acordo fora de mim
Como há tempos não fazia.
Acordo claro, de todo,
acordo com toda a vida,
com todos os cinco sentidos
e sobretudo com a vista
que dentro dessa prisão
para mim não existia.
Acordo fora de mim:
como fora nada eu via,
ficava dentro de mim
como vida apodrecida.
Acordar não é dentro,
acordar é ter saída.
Acordar é reacordar-se
ao que em nosso redor gira.
O auto do frade, Joao cabral de Melo Neto
ACORDAR NÃO É DENTRO.
ACORDAR É TER SAÍDA.
domingo, 20 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
em memória dos mortos nas torres "gêmeas"
confesso que eu não tenho certeza se devia escrever isto.
primeiro porque eu não tenho que te dar satisfações da minha vida, como nunca fiz.
segundo porque você, enquanto grita, não merece nem um minuto do meu tempo.
terceiro, e principalmente, porque talvez você não entenda nada do que eu vou dizer.
mas vamos lá. sou uma boa alma e prefiro acreditar que o bem ainda pode
(embora eu saiba que virá sobre mim uma tormenta de bobagens infantis - em atos e omissões, em pensamentos e palavras, por minha culpa, minha tão grande culpa. Senhor, eu não sou digna de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salva. Por Cristo. Com Cristo. Em Cristo.)
veja, a diferença entre nós é que eu sou uma mulher e você é uma menina imatura.
eu já vivi muito, já trabalhei muito em muitos lugares, já estudei um monte de coisas.
já viajei bastante, já conheci muita gente, já li umas centenas de livros e já escrevi tanto.
eu já tive muitos, muitos amores. alguns gigantescos e transformadores. outros também.
todos importantes. todos felizes enquanto existiram. e existiram por muito tempo.
eu já amei muito, já fui muito amada, já partilhei minha vida por inteiro, já senti tudo.
eu já enfrentei tudo pelas pessoas que amei, eu tive coragem, eu tive fé, eu tive tudo.
mesmo assim estou sempre nova e aberta pra ter tudo de novo porque eu amo amar.
eu sou honesta. eu sou fiel. eu sou sincera. eu sei a hora de chegar e sei a hora de partir.
eu acumulo amigos queridos a vida inteira porque faço questão deles e os respeito.
eu dou valor a cada pessoa, a cada segundo, a cada telefonema, a cada abraço, a cada gesto.
eu não sou a melhor pessoa do mundo e sei muito bem disso, mas eu sou boa.
tenho um milhão de defeitos, mas não sou egoísta, nem perversa, nem cruel.
e sei que todo dia, toda hora, atrás de cada cortina que se abra, eu tento ser melhor.
já subi em muitos palcos, já vivi papéis que você nem imagina, e nem saberia.
sei de coisas que você nem sonha, menina. e sabe pra que serve tudo isso?
pra quase nada, além de me dar, genuinamente, a simples e pura capacidade de amar.
coisa que, pelo jeito, você não tem. e não tem a menor idéia do que seja.
a diferença entre nós é um abismo e foi por isso que até agora tentei evitar a sua imaturidade.
porque sempre achei que essa brincadeira não seria justa com você. preferi a paz. mas você...
assim que entendi o seu jogo de azar, preferi ter paz. porque eu sou feliz e não preciso disso.
tentei evitar a sua crença no seu pseudo-romance com o seu pseudo-amor e a sua indelicadeza.
sua crueldade e suas atitudes horríveis com quem tentava te amar em carne viva.
por isso, eu que tenho coração e olhos sensíveis, fui pra bem longe, para não ver o absurdo.
e confesso que essa pseudo-vida, nitidamente tão triste, virou página arrancada pra mim.
mas aí, veja só a ironia, na minha ausência, veja que coisa, você do seu pedestal,
você do alto da sua arrogância, você, intocável, afastou-se enfim do que (não) te servia.
não antes de ferir até o osso, não antes de vomitar as piores palavras, cuspir, enxotar, matar.
afastou-se daquilo que, hoje, você manda me dizer que EU tiro de você. eu TIRO de você?
veja que insanidade: eu nem estava lá, eu nem existia, e a pseudo-história deixou de existir.
redundante e óbvio - ululante: eu nem mais existia e a pseudo-história suicidou-se.
sem mim. sem sombra de mim. sem futuro de mim. sem idéia de mim. vê? era só você.
você que de amar não sabe nada. e acha mesmo que alguém é seu para lhe ser tirado.
a diferença entre nós é que eu amo e você possui - por isso voltou.
a diferença é que eu compartilho e contribuo, você usa e gasta.
a diferença é que você quer ganhar e eu nem na disputa entrei.
a diferença é que você joga tênis com fúria e eu jogo frescobol feliz e contente.
a diferença é que você só fala das coisas que você perde e eu falo do que alguém pode ganhar.
a diferença é que você é cocaína e eu sou vida.
a diferença é que eu fui pra terapia há muitos anos e você não sai do lugar.
não se preocupe em tentar me agredir com informações que eu possa não ter.
saiba que eu já tenho todas. eu sei de tudo. de todos os detalhes. até os mais sórdidos.
mas a diferença é que você quer prender e eu quero libertar.
você provoca as mentiras e eu sei de todas para provocar a luz.
não, eu não sou tudo isso.
estou exagerando um pouco só pra ver se você enxerga o tamanho do abismo.
e então, depois de toda verdade, nós finalmente te convidamos para uma conversa.
era uma conversa de gente grande, mas você não quis. preferiu gritar sua estupidez.
por isso mesmo você não quis. porque você não é gente grande. você é pequena, sabe.
desculpe dizer isso, não me é confortável. mas depois de tudo que vi, eu posso dizer:
você é pequena. e não quer crescer.
o que aumenta o abismo.
que se ninguém te alimentasse você não sobreviveria, eu sei. é verdade.
com muitas e muitas mentiras. é preciso um devoto compulsivo para uma egoísta perversa.
freud talvez não dissesse exatamente isso, mas o texto é meu e eu escrevo como quero.
sim, eu sei. nunca fui enganada de verdade, sabe. mas isso não lhe diz respeito.
a diferença entre vocês é que você quer continuar doente e ela, parece que não.
a diferença é que ela consegue ver, ela enxerga, ela pede ajuda, você não.
a diferença é que ela está procurando um caminho, embora seja tão difícil, a morte.
a diferença entre vocês é que ela já morreu. mas você, você nem reparou.
foi você que matou, com requintes de crueldade, e nem notou o cadáver!
diz que se preocupa tanto, precisa tanto e largou o corpo lá. é o ego, viu, que mata.
você tá brincando com seus defuntos e nem percebe. não vê nada. é o ego, viu, que cega.
e, sabe, eu não precisava te dizer isto também, mas vou. devo estar falando sozinha mesmo.
quanto vai durar a minha brincadeira, com gente viva, com gente que renasce, que tenta...
quanto vai durar a minha brincadeira da verdade, com luz, com regras divertidas e felizes...
mais um dia, mais uma semana, mais um mês, um ano, dez ou quarenta... não sei quanto.
mas o melhor sabe o que é? o melhor é que não importa. não se trata mais disso. é maior.
não importa nem um pouco quanto e SE vai durar do jeito que você pensa. é muito maior.
não importa nem se a gente ainda quer, se a gente ainda consegue, se a gente ainda vai.
porque é a vida que importa. é as pessoas se tornarem melhores e mais felizes que importa.
é a história. é o que se construiu que importa, e não o que se devastou.
e esta, sim, é a maior, a maior das diferenças entre nós:
a história que eu vivi existiu. a sua, não.
acordacordacord'accord (ah, porque citar chico é sempre tão bonito e trágico)
mas não, não ligue pra nada disso: esta é só uma pseudo-carta para uma pseudo-pessoa.
de uma pseudo-qualquercoisapravocê.
(já a felicidade... existe, juro. amor e amizade saudáveis também. juro.
existe, embora vocês não conheçam. mas nunca é tarde demais. acho. )
PS: se um dia quiser crescer com a gente, venha. mas venha sorrindo, senão não dá.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
"Eu sabia que algo estava acabando com a minha vida, mas não sabia o que era.
Descobrir a minha co-dependência e a forma de me curar dela foi como descobrir o fogo."
A co-dependência tem a ver com formas ostensivas ou sutis de permitirmos que a relação com outra pessoa — por interesse egoísta dela ou por preocupação obsessiva nossa — nos conduza à loucura, à autodestruição, à insatisfação constante e à incapacidade de amar de verdade e ser feliz com alguém saudável, que nos ame de verdade também.
E em paz.
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
É só isso Não tem mais jeito Acabou Boa sorte
Não tenho o que dizer São só palavras E o que eu sinto Não mudará
Tudo o que quer me dar É demais É pesado Não há paz
Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas Desleais
That's it There's no way It's over Good luck
I've nothing left to say It's only words
And what l feel Won’t change
Boa Sorte, Good Luck, Ben Harper / Vanessa da Mata
domingo, 30 de agosto de 2009
quando o mal vence o bem muitas vezes seguidas,
e você já está bem bem destruída, afaste-se:
não há mais nada que você possa fazer.
(e o mal se consumirá a si mesmo)
...
Me responda, mestre Egeu,
o senhor alguma vez já sentiu
a clara impressão de que alguém lhe abriu
a carne e puxou os nervos pra fora
de uma tal maneira que, muito embora
a cabeça inda fique atrás do rosto,
quem pensa por você é o nervo exposto?
Joana em Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes
sábado, 29 de agosto de 2009
e foi então que ela achou a resposta:
"se você não cuida de você, ninguém poderá cuidar"
deletou a história, encerrou a exposição, e foi viver longe, bem longe do absurdo.
(again. always. un-be-lie-va-ble sickness.)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
tantas coisas me faltam.
não tenho ninguém pra brincar.
não tenho ninguém pra contar meus segredos.
se as circunstâncias mudam, a gente muda.
TCHAU LUÍSA!
eu cuido de você e você cuida de mim. pra sempre.
(e então ele partiu sem avisar e voltou depois de 15 anos)
eu te amo. agora é pra sempre. eu juro. confia em mim. eu juro.
(e então ele partiu novamente e ela ficou sozinha na estação)
da Armazém Companhia de Teatro
"- ...how do people change?
- Well, it has something to do with God. So it's not very nice. God splits the skin with a jagged thumbnail from throat to belly. Then plunges a huge, filthy hand in. He grabs hold of your bloody tubes. You slip to evade his grasp, but he squeezes hard. He insists. He pulls and pulls... till all your innards are yanked out. And the pain... I can't even talk about that. Then he stuffs them back... dirty, tangled, torn. It's up to you to do the stitching.
- Get up. Walk around.
- Just mangled guts pretending.
- Yeah. That's how people change."
"- ...como as pessoas mudam?
- Bom, tem alguma coisa a ver com Deus, então não é muito agradável. Deus rasga a pele, com uma unha dentada, da garganta à barriga. E aí enfia uma mão imensa e suja lá dentro. Ele agarra os seus canos sangrentos e você desliza para escapar, mas ele agarra firme. Ele insiste. Ele puxa, puxa, até que suas vísceras sejam arrancadas para fora. E a dor... Nem consigo falar sobre isso... E aí ele enfia de volta, sujas, enroscadas, rotas. Cabe a você dar os pontos.
- Levante-se. Caminhe.
- Somente visceras destroçadas fingindo.
- É. É assim que as pessoas mudam."
Angels in America, Chapter 5
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
"Cold shelter for the shattered. No sorrow here. Tears freeze."
"Abrigo gelado para os destruídos. Não há tristeza aqui. As lágrimas congelam."
Angels in America, Chapter 3
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
I need your arms around me
I need to feel your touch
I need your understanding
I need your love so much
You tell me that you love me so
You tell me that you care
But when I need you (baby)
Baby, you're never there
On the phone long, long distance
Always through such strong resistance
And first you say you're too busy
I wonder if you even miss me
Hey!
A golden bird that flies away
A candle's fickle flame
To think I held you yesterday
Your love was just a game
You tell me that you love me so
You tell me that you care
But when I need you (baby)
Take the time to get to know me
If you want me why can't you just show me
We're always on this roller coaster
If you want me why can't you get closer
HEY!
Never There, Cake
