IT'S OVER
Lay a whisper On my pillow, Leave the winter On the ground.
I wake up lonely, There's air of silence In the bedroom And all around.
Touch me now, I close my eyes And dream away.
It must have been love
But it's over now.
It must have been good
But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
Make-believing We're together, That I'm sheltered By your heart.
But in and outside I've turned to water Like a teardrop In your palm.
And it's a hard Winter's day, I dream away.
It must have been love
But it's over now.
It was all that I wanted
Now I'm living without.
It must have been love But it's over now,
It's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it's over now.
It must have been good But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
It must have been love But it's over now.
It was all that I wanted, Now I'm living without.
It must have been love But it's over now.
I's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it’s over now
It must have bee love But it’s over now.
Roxette, It must have been love
domingo, 15 de abril de 2007
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Só Pra Contrariar
eu canto
Vai amor e faça tudo o que tiver na cabeça
Eu só te peço, por favor não me esqueça
Quando cansar de tudo pode voltar
Vai amor a vida é dura e você tem o direito
Eu vou ficar sozinho aqui e me ajeito
E quem sou eu, amor, pra te censurar, pode ir
Resolve sonhos do seu coração
Esgote o seu estoque de emoção
E quando acabar essa ilusão
Volta pra mim
Volta meu amor
Volta pra me ver
Volta pra saber como a vida é bonita sem você
Volta só pra ver como eu sou feliz
De repente outro amor
Bem melhor vai querer o que você não quis
tu cantas
To fazendo amor
Com outra pessoa
Mas meu coração
Vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz
A alma perdoa
Tanta solidão
Quase me enlouqueceu
Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto
que eu vivo sozinho e não sei te esquecer
E depois acabou
Ilusão que eu criei
A emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou
Que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora o amor só se mede depois do prazer
Fica dentro do meu peito sempre uma saudade...
Só pensado no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo
nós cantamos
Não larga do meu pé
Me chama de meu rei
Me cobre de amor e paz
Mata meu desejo
A vida é viver,
viver nos teus braços
Foi tudo o que eu mais sonhei
Meu bem, me amarrei
Parece a corda e a caçamba
O Brasil e o samba
Eu e ela
Um amor assim desse jeito
Chega e satisfaz
Enche de prazer
Faz enlouquecer
Hum, hum, é bom demais
a vida é bonita sem voce, depois do prazer, é bom demais - só pra contrariar
eu canto
Vai amor e faça tudo o que tiver na cabeça
Eu só te peço, por favor não me esqueça
Quando cansar de tudo pode voltar
Vai amor a vida é dura e você tem o direito
Eu vou ficar sozinho aqui e me ajeito
E quem sou eu, amor, pra te censurar, pode ir
Resolve sonhos do seu coração
Esgote o seu estoque de emoção
E quando acabar essa ilusão
Volta pra mim
Volta meu amor
Volta pra me ver
Volta pra saber como a vida é bonita sem você
Volta só pra ver como eu sou feliz
De repente outro amor
Bem melhor vai querer o que você não quis
tu cantas
To fazendo amor
Com outra pessoa
Mas meu coração
Vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz
A alma perdoa
Tanta solidão
Quase me enlouqueceu
Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto
que eu vivo sozinho e não sei te esquecer
E depois acabou
Ilusão que eu criei
A emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou
Que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora o amor só se mede depois do prazer
Fica dentro do meu peito sempre uma saudade...
Só pensado no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo
nós cantamos
Não larga do meu pé
Me chama de meu rei
Me cobre de amor e paz
Mata meu desejo
A vida é viver,
viver nos teus braços
Foi tudo o que eu mais sonhei
Meu bem, me amarrei
Parece a corda e a caçamba
O Brasil e o samba
Eu e ela
Um amor assim desse jeito
Chega e satisfaz
Enche de prazer
Faz enlouquecer
Hum, hum, é bom demais
a vida é bonita sem voce, depois do prazer, é bom demais - só pra contrariar
sexta-feira, 6 de abril de 2007
quarta-feira, 28 de março de 2007
vinteesetedotres
odiacertoomeserrado
ahoracertaolugarerrado
oanocertootempoerrado
apessoacertaavidaerrada
apalavracertaoouvinteerrado
acertezacertaaduvidaerrada
afrasecertaoespaçoerrado
aletracertaoacentoerrado
aruacertaacasaerrada
opalcocertoaplateiaerrada
apeçacertaoelencoerrado
otextocertoamarcaerrada
aroupacertaafestaerrada
anoitecertaacamaerrada
oimparcertooparerrado
ocomeçocertoofimerrado
odiacertoomeserrado
ahoracertaolugarerrado
oanocertootempoerrado
apessoacertaavidaerrada
apalavracertaoouvinteerrado
acertezacertaaduvidaerrada
afrasecertaoespaçoerrado
aletracertaoacentoerrado
aruacertaacasaerrada
opalcocertoaplateiaerrada
apeçacertaoelencoerrado
otextocertoamarcaerrada
aroupacertaafestaerrada
anoitecertaacamaerrada
oimparcertooparerrado
ocomeçocertoofimerrado
segunda-feira, 12 de março de 2007
fugas
tenho sangue nas mãos
não sei de quem
pode ser meu
mas não acho o corte
acordei às três da manhã
no chão gelado
no tapete encharcado
do lavabo de casa
por que no lavabo
não sei
talvez eu tenha tentado fugir
pela janela do olho
pelo ralo da fala
pela fresta do tornozelo
é um sangue que parece velho
mas fresco
o corte é interno
o sangue é veneno
talvez eu tenha tentado fugir
pelo vidro da cabeça
...
notas
a menina que roubava livros
era eu
aquela que levava as almas
era eu
a crueldade em pessoa
era eu
o décimo terceiro tiro
era eu
na família certa
no momento estranho
na melhor escola
no palco
na cidade antiga
no momento certo
no ano seguinte
no palco
na escolha intensa
no momento oculto
na alegria farta
era eu
...
tolices
de tão triste
minha agonia
sorri
ri de mim
de tão tola
e tão minha
caminha
no lugar
de tão só
dó
ré
mi
fá
noite.
a melodia amarga do palhaço morto.
...
tenho sangue nas mãos
não sei de quem
pode ser meu
mas não acho o corte
acordei às três da manhã
no chão gelado
no tapete encharcado
do lavabo de casa
por que no lavabo
não sei
talvez eu tenha tentado fugir
pela janela do olho
pelo ralo da fala
pela fresta do tornozelo
é um sangue que parece velho
mas fresco
o corte é interno
o sangue é veneno
talvez eu tenha tentado fugir
pelo vidro da cabeça
...
notas
a menina que roubava livros
era eu
aquela que levava as almas
era eu
a crueldade em pessoa
era eu
o décimo terceiro tiro
era eu
na família certa
no momento estranho
na melhor escola
no palco
na cidade antiga
no momento certo
no ano seguinte
no palco
na escolha intensa
no momento oculto
na alegria farta
era eu
...
tolices
de tão triste
minha agonia
sorri
ri de mim
de tão tola
e tão minha
caminha
no lugar
de tão só
dó
ré
mi
fá
noite.
a melodia amarga do palhaço morto.
...
sábado, 10 de março de 2007
Noites de Cabíria
no começo elas estavam brincando
encontros casuais da pele
mas estavam brincando
ele chegou
tomou uma taça de vinho nas mãos
entrou no jogo
brincavam de verdade
a brincadeira virou sedução
de verdade
elas brincavam
ele falava sério
elas se encolveram no jogo dele
gostaram da idéia
brincaram com a possibilidade
duvidaram da coragem
deixaram o vinho acabar
deixaram acontecer
a inusitada e incerta amizade
o desejo
deixaram acontecer
foi incrível
e eles sabem que será outra vez
de novo
a noite começou o jogo
aquele jogo que você nunca pensou que eu seria capaz de jogar
surpreenda-se
são três
poderiam ser quatro
poderiam pintar e fazer amor
apenas fazem amor
há penas
amor
dorme aí.
no começo elas estavam brincando
encontros casuais da pele
mas estavam brincando
ele chegou
tomou uma taça de vinho nas mãos
entrou no jogo
brincavam de verdade
a brincadeira virou sedução
de verdade
elas brincavam
ele falava sério
elas se encolveram no jogo dele
gostaram da idéia
brincaram com a possibilidade
duvidaram da coragem
deixaram o vinho acabar
deixaram acontecer
a inusitada e incerta amizade
o desejo
deixaram acontecer
foi incrível
e eles sabem que será outra vez
de novo
a noite começou o jogo
aquele jogo que você nunca pensou que eu seria capaz de jogar
surpreenda-se
são três
poderiam ser quatro
poderiam pintar e fazer amor
apenas fazem amor
há penas
amor
dorme aí.
sexta-feira, 9 de março de 2007
vida cíclica - da série "recordar é viver..."
04 de julho de 2002
Hoje, falho de ti, sou dois a sós.
Fernando Pessoa
03 de agosto de 2002
Cotidiano
Não adianta, eu sinto mesmo a sua falta...
03 de dezembro de 2002
Desencanto, Despaixão, Descanção, Desesperança, Desprendimento, Desalento
Se fosse um filme seria tão mais fácil. Mas é teatro...
19 de fevereiro de 2003
Como está o seu coração?
Minha amiga me perguntou...
16 de março de 2003
Há qualquer coisa ausente que me atormenta.
Camile Claudel
20 de abril de 2003
Alguém
Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo...
1 de maio de 2003
Mais um dia
Ainda é assim. Por mais que eu tente não ser...
14 de maio de 2003
14 de maio de 2003
Parece que foi hoje
Nada no mundo é pior do que o fim do amor
Curtas
Não há passarinho, ela disse...
16 de fevereiro de 2006
Aquele dia
Aquele dia, de novo, chega...
quinta-feira, 8 de março de 2007
Para voltar... a escrever
Um dia você me ensinou a tomar chá.
Muito antes eu me apaixonei. Só por isso tomei o chá.
Era uma coisa minha. Só minha. Minha e boa. Minha e única.
Minha e cheia de uma alegria que eu quase esqueci que existia.
Era a razão das minhas vontades. De todas elas.
De ir trabalhar e de não ir. De ir a qualquer lugar. De fazer qualquer coisa.
Tudo diferente do que eu fazia antes. Tudo que eu nem gostava ou queria.
Mesmo que fosse uma fria. Com você, não era. Eu ria.
Sorria com aqueles olhos.
Aqueles olhos que você sabe...
E você foi o sol, num momento em que tudo escurecia.
Você nem sabia. Mas não precisava saber.
Era exatamente essa a magia.
Você me fez ir ao mar. Mesmo que do mar eu nem gostasse tanto.
Por causa do sal.
Mas até o sal, com você, era bom.
Sei lá o que era, te confesso.
Mas eu tremia, como se nevasse.
E mesmo se nevasse... eu nem ia embora.
Eu ia te dar o casaco e rezar pra neve encher tudo e interromper o caminho.
Sem neve.
Sem reza.
Sem certezas.
Até sem caminho...
Não sairemos de nós.
Porque eu continuo tomando chá.
E vinho.
Um dia você me ensinou a tomar chá.
Muito antes eu me apaixonei. Só por isso tomei o chá.
Era uma coisa minha. Só minha. Minha e boa. Minha e única.
Minha e cheia de uma alegria que eu quase esqueci que existia.
Era a razão das minhas vontades. De todas elas.
De ir trabalhar e de não ir. De ir a qualquer lugar. De fazer qualquer coisa.
Tudo diferente do que eu fazia antes. Tudo que eu nem gostava ou queria.
Mesmo que fosse uma fria. Com você, não era. Eu ria.
Sorria com aqueles olhos.
Aqueles olhos que você sabe...
E você foi o sol, num momento em que tudo escurecia.
Você nem sabia. Mas não precisava saber.
Era exatamente essa a magia.
Você me fez ir ao mar. Mesmo que do mar eu nem gostasse tanto.
Por causa do sal.
Mas até o sal, com você, era bom.
Sei lá o que era, te confesso.
Mas eu tremia, como se nevasse.
E mesmo se nevasse... eu nem ia embora.
Eu ia te dar o casaco e rezar pra neve encher tudo e interromper o caminho.
Sem neve.
Sem reza.
Sem certezas.
Até sem caminho...
Não sairemos de nós.
Porque eu continuo tomando chá.
E vinho.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Maiakowski, que morreu em 1930
(...)
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
(...)
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Time Enough For Tears
The Corrs
Let's read the trees and their autumm leaves
As they fall like a dress undone
At the end of summers love will find lovers
who need the shadows of a winter's sun
Don't tell me you're leaving
We can hide in the evening
It's getting darker than it should
If we read the leaves as they blow in the breeze
Would it stop us now my love
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
The moon is milk and the sky where it spilt
It's magic and we all need to believe
We can wake in the dream
it's not as hard as it seems
You know it's harder to leave
Time enough for being braver
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
I heard you say underneath your breath
Some kind of prayer
I heard you say underneath your breath
That you never wanna feel
this way about anybody else
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
Time enough for being braver
Time enough I love this time of year
Time is tough it's running away from us
Time enough for tears
Time enough
(I know, I know)
(It's ok, it's ok)
The Corrs
Let's read the trees and their autumm leaves
As they fall like a dress undone
At the end of summers love will find lovers
who need the shadows of a winter's sun
Don't tell me you're leaving
We can hide in the evening
It's getting darker than it should
If we read the leaves as they blow in the breeze
Would it stop us now my love
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
The moon is milk and the sky where it spilt
It's magic and we all need to believe
We can wake in the dream
it's not as hard as it seems
You know it's harder to leave
Time enough for being braver
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
I heard you say underneath your breath
Some kind of prayer
I heard you say underneath your breath
That you never wanna feel
this way about anybody else
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
Time enough for being braver
Time enough I love this time of year
Time is tough it's running away from us
Time enough for tears
Time enough
(I know, I know)
(It's ok, it's ok)
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
partir partir partir partir
Partir andar, eis que chega essa velha hora tão sonhada, nas noites de velas acesas, no clarear da madrugada. Só uma estrela anunciando o fim, sobre o mar, sobre a calçada. E nada mais te prende aqui, dinheiros, grades ou palavras.
Partir Andar, eis que chega... não há como deter a alvorada. Pra dizer, um bilhete sobre a mesa. Pra se mandar, o pé na estrada. Tantas mentiras e no fim faltava sempre uma palavra, faltava quase sempre um sim, agora já não falta nada.
Eu não quis te fazer infeliz, não quis... Por tanto não querer, talvez, fiz.
Partir andar, eis que chega essa velha hora tão sonhada. Nas noites de velas acesas, no clarear da madrugada. Só uma estrela anunciando o fim, sobre o mar, sobre a calçada. E nada mais te prende aqui. Agora já não falta nada...
Não falta nada...
Partir, andar - Herbert Vianna / Zelia Duncan
Partir andar, eis que chega essa velha hora tão sonhada, nas noites de velas acesas, no clarear da madrugada. Só uma estrela anunciando o fim, sobre o mar, sobre a calçada. E nada mais te prende aqui, dinheiros, grades ou palavras.
Partir Andar, eis que chega... não há como deter a alvorada. Pra dizer, um bilhete sobre a mesa. Pra se mandar, o pé na estrada. Tantas mentiras e no fim faltava sempre uma palavra, faltava quase sempre um sim, agora já não falta nada.
Eu não quis te fazer infeliz, não quis... Por tanto não querer, talvez, fiz.
Partir andar, eis que chega essa velha hora tão sonhada. Nas noites de velas acesas, no clarear da madrugada. Só uma estrela anunciando o fim, sobre o mar, sobre a calçada. E nada mais te prende aqui. Agora já não falta nada...
Não falta nada...
Partir, andar - Herbert Vianna / Zelia Duncan
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
The Saddest Song I've Got
Darling are you feeling
The same thing that I'm seeing
The troubles of the day
Took my breath away
Took my breath away
Now you're no longer talking
And I'm no longer hearing
There's nothing left to say
Said it anyway
Said it anyway
And I want you not
I need you not
I'm dying
Cos this is the saddest song I've got
The saddest song I've got
Darling are you healing
From all the scars appearing
Don't it hurt a lot
Don't know how to stops
Don't know how it stops
Now there's no sense in seeing
The colours of the morning
Can't hold the clouds at bay
Chase them all away
Chase them all away
And I'm frozen still
Unspoken still
Heartbroken
Remembering something I forgot
Something I forgot
Annie Lennox
Darling are you feeling
The same thing that I'm seeing
The troubles of the day
Took my breath away
Took my breath away
Now you're no longer talking
And I'm no longer hearing
There's nothing left to say
Said it anyway
Said it anyway
And I want you not
I need you not
I'm dying
Cos this is the saddest song I've got
The saddest song I've got
Darling are you healing
From all the scars appearing
Don't it hurt a lot
Don't know how to stops
Don't know how it stops
Now there's no sense in seeing
The colours of the morning
Can't hold the clouds at bay
Chase them all away
Chase them all away
And I'm frozen still
Unspoken still
Heartbroken
Remembering something I forgot
Something I forgot
Annie Lennox
domingo, 17 de setembro de 2006
Try to make your life complete
Every day I write the list
Of reasons why I still believe they do exist
(a thousand beautiful things)
And even though it's hard to see
The glass is full and not half empty
(a thousand beautiful things)
So... light me up like the sun
To cool down with your rain
I never want to close my eyes again
Never close my eyes
Never close my eyes
I thank you for the air to breathe
The heart to beat
The eyes to see again
(a thousand beautiful things)
And all the things that's been and done
The battle's won
The good and bad in everyone
(this is mine to remember)
So ...
Here I go again
Singin' by your window
Pickin' up the pieces of what's left to find
The world was meant for you and me
To figure out our destiny
(a thousand beautiful things)
To live
To die
To breathe
To sleep
To try to make your life complete
(yes yes)
So ...
Light me up like the sun
To cool down with your rain
I never want to close my eyes again
Never close my eyes
never close my eyes ...
That is everything I have to say
(that's all I have to say)
A Thousand Beautiful Things, Annie Lennox
Every day I write the list
Of reasons why I still believe they do exist
(a thousand beautiful things)
And even though it's hard to see
The glass is full and not half empty
(a thousand beautiful things)
So... light me up like the sun
To cool down with your rain
I never want to close my eyes again
Never close my eyes
Never close my eyes
I thank you for the air to breathe
The heart to beat
The eyes to see again
(a thousand beautiful things)
And all the things that's been and done
The battle's won
The good and bad in everyone
(this is mine to remember)
So ...
Here I go again
Singin' by your window
Pickin' up the pieces of what's left to find
The world was meant for you and me
To figure out our destiny
(a thousand beautiful things)
To live
To die
To breathe
To sleep
To try to make your life complete
(yes yes)
So ...
Light me up like the sun
To cool down with your rain
I never want to close my eyes again
Never close my eyes
never close my eyes ...
That is everything I have to say
(that's all I have to say)
A Thousand Beautiful Things, Annie Lennox
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto
Sem rumo sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto um menino um bandido
Ás vezes me preservo
Noutras suicido
Zeca Baleiro
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto
Sem rumo sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto um menino um bandido
Ás vezes me preservo
Noutras suicido
Zeca Baleiro
quinta-feira, 6 de julho de 2006
Achou!
(Dante Ozzetti e Luiz Tatit)
Investir
É cultivar o amor
Se despir
É ativar
Resistir
É aturar o amor
Insistir
É saturar
Aderir
É estar com seu amor
Adorar
É superstar
Aplaudir
Até sentindo dor
É amar
Quem puder
Viver um grande amor
Verá
Consentir
É educar o amor
Seduzir
É cutucar
Amarei!
É conjugar o amor
Não amei!
É enxugar
Avançar
É conquistar o amor
Amansar
É como está
Como estou
Com muito amor pra dar
Eu dou!
Quem estiver
Atrás de um grande amor
Achou!
(Dante Ozzetti e Luiz Tatit)
Investir
É cultivar o amor
Se despir
É ativar
Resistir
É aturar o amor
Insistir
É saturar
Aderir
É estar com seu amor
Adorar
É superstar
Aplaudir
Até sentindo dor
É amar
Quem puder
Viver um grande amor
Verá
Consentir
É educar o amor
Seduzir
É cutucar
Amarei!
É conjugar o amor
Não amei!
É enxugar
Avançar
É conquistar o amor
Amansar
É como está
Como estou
Com muito amor pra dar
Eu dou!
Quem estiver
Atrás de um grande amor
Achou!
domingo, 25 de junho de 2006
A história passa e pode me levar
Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que tá errado, TÁ ERRADO ME QUERER QUANDO CONVÉM
E se eu não estou enganado acho que você me ama também
O dia amanheceu chovendo e a saudade me contém
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui
Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija flor, de flor em flor eu quis beijar
POR ISSO NÃO DEMORA
QUE A HISTÓRIA PASSA E PODE ME LEVAR
E EU NÃO QUERO IR,
não posso ir pra lado algum
enquanto não voltar
NÃO QUERO QUE ISSO AQUI DENTRO DE MIM
VÁ EMBORA E TOME OUTRO LUGAR
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
AMOR, MEU GRANDE AMOR...
Estou sentindo que está chegando a hora de dormir
Outro lugar, Milton Nascimento, Elder Costa
quinta-feira, 22 de junho de 2006
O título: Fôlego!
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. (...)
O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! (...)
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. (...)
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.
Pertencer (trecho), Clarice Lispector
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. (...)
O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! (...)
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. (...)
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.
Pertencer (trecho), Clarice Lispector
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Não é
podia ser lindo
mas não é
podia ser claro
podia ser brando
podia ser tranquilo
mas não é
podia ser dia de sol
podia ser chuva boa
podia ser arco-íris
podia ser brisa
mas não é
podia ser alegria
podia ser sonho bom
podia ser aquele domingo
aquela segunda-feira
feriado
mas não é
podia ser alado
podia ser uma escolha
podia ser diferente
podia ser a gente
mas não é
podia ser eu
podia ser Deus
podia ser tudo verdade
tudo mentira
podia ser tudo água
podia ser nada
podia ser a saída
a entrada
a despedida
a chegada
podia ser encerrada
a vida
mas não é
podia ser lindo
mas não é
podia ser claro
podia ser brando
podia ser tranquilo
mas não é
podia ser dia de sol
podia ser chuva boa
podia ser arco-íris
podia ser brisa
mas não é
podia ser alegria
podia ser sonho bom
podia ser aquele domingo
aquela segunda-feira
feriado
mas não é
podia ser alado
podia ser uma escolha
podia ser diferente
podia ser a gente
mas não é
podia ser eu
podia ser Deus
podia ser tudo verdade
tudo mentira
podia ser tudo água
podia ser nada
podia ser a saída
a entrada
a despedida
a chegada
podia ser encerrada
a vida
mas não é
domingo, 11 de junho de 2006
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Nem que seja uma outra versão...
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Tudo Novo de Novo, Moska
...
terça-feira, 30 de maio de 2006
quarta-feira, 24 de maio de 2006
At first I was afraid I was petrified
Kept thinkin' I could never live without you by my side
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong
And I grew strong
Kept thinkin' I could never live without you by my side
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong
And I grew strong
...
Go on now, go walk out the door
Just turn around now
('cause) you're not welcome anymore
Go on now, go walk out the door
Just turn around now
('cause) you're not welcome anymore
Weren't you the one who tried to hurt me with goodbye
Did I crumble
Did you think I'd lay down and die?
Oh no, not I.
I will survive
Oh as long as I know how to love I know I'll stay alive
I've got all my life to live,
I've got all my love to give and I'll survive,
I will survive.
Oh as long as I know how to love I know I'll stay alive
I've got all my life to live,
I've got all my love to give and I'll survive,
I will survive.
It took all the strength I had not to fall apart
Kept trying' hard to mend the pieces of my broken heart,
And I spent oh so many nights
Just feeling sorry for myself.
I used to cry
But now I hold my head up high
But now I hold my head up high
And you see me... somebody new
I'm not that chained up little person still in love with you,
And so you feel like droppin' in
And just expect me to be free,
Now I'm savin' all my lovin' for someone who's lovin' me
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Life is pain
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordo
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordo
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor
quinta-feira, 18 de maio de 2006
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Escolha
Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto.
Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias.
Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilairias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.
Elisa Lucinda
Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto.
Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias.
Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilairias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.
Elisa Lucinda
quinta-feira, 27 de abril de 2006
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Frio
Esfriou nessa cidade.
Esfriou dentro de mim.
É frio de solidão, de vazio, de vento.
Esfriou nesse apartamento.
Esfriou a comida, a saída, os dias de sol.
Esfriou o meu olhar e a minha esperança.
Esfriou a criança que eu não quero que morra.
Esfriou.
Esfriou o navio que eu queria pegar.
Esfriou todo o andar, toda a avenida.
Abriu uma ferida difícil de sarar.
Quem foi que deixou machucar?
Esfriou o jantar, meu amor.
Esfriou.
Esfriou o carro e não quer mais ligar.
Esfriou o jantar.
Não tem fogo que aqueça.
Não tem cobertor.
Esqueça, meu amor.
Esqueça.
Não confunda o que eu digo.
Não é pra você.
Sou eu, meu amor.
Sou eu que preciso crescer.
Esfriou nessa cidade.
Esfriou dentro de mim.
É frio de solidão, de vazio, de vento.
Esfriou nesse apartamento.
Esfriou a comida, a saída, os dias de sol.
Esfriou o meu olhar e a minha esperança.
Esfriou a criança que eu não quero que morra.
Esfriou.
Esfriou o navio que eu queria pegar.
Esfriou todo o andar, toda a avenida.
Abriu uma ferida difícil de sarar.
Quem foi que deixou machucar?
Esfriou o jantar, meu amor.
Esfriou.
Esfriou o carro e não quer mais ligar.
Esfriou o jantar.
Não tem fogo que aqueça.
Não tem cobertor.
Esqueça, meu amor.
Esqueça.
Não confunda o que eu digo.
Não é pra você.
Sou eu, meu amor.
Sou eu que preciso crescer.
sexta-feira, 14 de abril de 2006
Das coincidências absurdas da vida
Um ciclo. Um ciclo perfeito. É isso a vida. Um ciclo perfeito cheio de imperfeições. Acabo de viver uma coisa bem impressionante. Depois de muito tempo sem escrever, hoje tive vontade. Hoje tive vontade de vir aqui escrever uma música. Uma música que voltei a ouvir, depois de muito tempo sem ouví-la. Lembrei que já tinha escrito a mesma música aqui algum dia. Fui procurar, por curiosidade. Achei. Achei no dia 14 de abril de 2003. ACHEI NO DIA 14 DE ABRIL DE 2003. Chorei mais ainda.
Tem horas que bate uma tristeza tão grande
Que eu não sei o que fazer e nem pra onde ir
É tanta coisa que eu queria dizer
Mas não tem ninguém para ouvir
Então choro
Sem ninguém ver
Eu choro
Choro por tudo que a gente não teve
Por tudo que a gente realizou
Choro porque sei que ainda te amo
E você me amou... e ama
Choro por tudo se assim for preciso
Choro porque sei que ainda te quero
Choro por tudo e por tudo lhe digo
Te espero, te quero, te amo...
Eu choro, Fábio Jr.
...
Um ciclo. Um ciclo perfeito. É isso a vida. Um ciclo perfeito cheio de imperfeições. Acabo de viver uma coisa bem impressionante. Depois de muito tempo sem escrever, hoje tive vontade. Hoje tive vontade de vir aqui escrever uma música. Uma música que voltei a ouvir, depois de muito tempo sem ouví-la. Lembrei que já tinha escrito a mesma música aqui algum dia. Fui procurar, por curiosidade. Achei. Achei no dia 14 de abril de 2003. ACHEI NO DIA 14 DE ABRIL DE 2003. Chorei mais ainda.
Tem horas que bate uma tristeza tão grande
Que eu não sei o que fazer e nem pra onde ir
É tanta coisa que eu queria dizer
Mas não tem ninguém para ouvir
Então choro
Sem ninguém ver
Eu choro
Choro por tudo que a gente não teve
Por tudo que a gente realizou
Choro porque sei que ainda te amo
E você me amou... e ama
Choro por tudo se assim for preciso
Choro porque sei que ainda te quero
Choro por tudo e por tudo lhe digo
Te espero, te quero, te amo...
Eu choro, Fábio Jr.
...
segunda-feira, 6 de março de 2006
terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
É preciso comparar
(da série Recordar é Viver)
Eu deveria ter contado tudo a ela. Mamãe adora histórias. Não é tão ruim quando se pensa. Poderia ter sido pior. Pense em como acabou aquele rapaz que foi a Boston implantar um rim novo. Ficou famoso nas notícias mas acabou morrendo. Penso na Laika, a cadelinha espacial. Foi colocada dentro do Sputinik e enviada ao espaço. Ligaram fios no coração e no cérebro dela para observar seu estado. Não creio que ela se sentia bem. Girou lá em cima cinco meses até a comida dela acabar. Morreu de fome. É importante ter coisas assim para comparar. Penso naquela mulher que foi a Etiópia como missionária. Ela foi morta a pauladas no meio do sermão. Precisa-se sempre comparar. Penso no cara que foi ao cinema ver o filme "Tarzan na lagoa". Depois pendurou-se num fio de alta tensão e morreu na hora. Nunca se deve bancar o Tarzan. Eu deveria ter contado tudo enquanto ela tinha saúde. Histórias da vida. Mamãe gostava delas. Fazia coleção. É preciso ter alguma coisa para contar a ela. Gosto muito quando ela ri porque aí esquece os livros. Ela lê demais. Esse é o problema. É bom... faz com que pense em outras coisas. Acho que amo a Sickan tanto quanto a mamãe. Mamãe era fotógrafa, antes de adoecer. Tinha um atelier. Teve que parar. Poderia ter sido pior. É importante lembrar isso. Lembro-me do desastre sobre o qual li. Um trem chocou-se com um ônibus em Chyeksbo. Seis pessoas morreram, catorze ficaram feridas. Deve-se comparar. É preciso ter cuidado com os ônibus. Eu poderia estar naquele. Me dá pena quando penso na pobre cadela Laika. Maldade mandarem a coitada na astronave... sem comida o bastante. Ela teve de servir ao progresso do homem. Não pediu para ir. Eu deveria ter contato tudo a ela... enquanto ela gozava de boa saúde. Ela tem bom senso de humor. Sobre o cabelo verde do Manne, e a cuia voadora que o pai dele fez. Do Fransson no telhado e dos malucos daqui. Ela teria rido muito. Garanto. Realmente tenho tido sorte, comparado aos outros. É preciso comparar para sentir a distância entre as coisas, como a Laika. Ela deve ter visto as coisas em perspectivas. É importante manter certa distância. Penso no cara que tentou um recorde mundial saltando sobre ônibus numa motocicleta. Ele alinhou trinta e um ônibus. Tivesse deixado por trinta, ainda estaria vivo. Imagine, não bateu o recorde do mundo por um ônibus. O último. Bateu com a roda traseira nele. Penso naquele sujeito que atravessou o campo da praça de esportes. Um dardo atravessou o peito dele. Atravessou o peito dele. Ele deve ter ficado muito surpreso. É estranho como não consigo deixar de pensar na Laika. Eu não devia pensar tanto! O tempo cura as feridas, como diria a Sra Arvidsson. Ela diz muita coisa sábia. Aconselha a gente a esquecer. É importante comparar. Pense numa cachorra como a Laika. Eles sabiam desde o começo que ela não voltaria viva. Sabiam que ela ia morrer. Eles simplesmente a mataram.
Eu deveria ter contado tudo a ela. Mamãe adora histórias. Não é tão ruim quando se pensa. Poderia ter sido pior. Pense em como acabou aquele rapaz que foi a Boston implantar um rim novo. Ficou famoso nas notícias mas acabou morrendo. Penso na Laika, a cadelinha espacial. Foi colocada dentro do Sputinik e enviada ao espaço. Ligaram fios no coração e no cérebro dela para observar seu estado. Não creio que ela se sentia bem. Girou lá em cima cinco meses até a comida dela acabar. Morreu de fome. É importante ter coisas assim para comparar. Penso naquela mulher que foi a Etiópia como missionária. Ela foi morta a pauladas no meio do sermão. Precisa-se sempre comparar. Penso no cara que foi ao cinema ver o filme "Tarzan na lagoa". Depois pendurou-se num fio de alta tensão e morreu na hora. Nunca se deve bancar o Tarzan. Eu deveria ter contado tudo enquanto ela tinha saúde. Histórias da vida. Mamãe gostava delas. Fazia coleção. É preciso ter alguma coisa para contar a ela. Gosto muito quando ela ri porque aí esquece os livros. Ela lê demais. Esse é o problema. É bom... faz com que pense em outras coisas. Acho que amo a Sickan tanto quanto a mamãe. Mamãe era fotógrafa, antes de adoecer. Tinha um atelier. Teve que parar. Poderia ter sido pior. É importante lembrar isso. Lembro-me do desastre sobre o qual li. Um trem chocou-se com um ônibus em Chyeksbo. Seis pessoas morreram, catorze ficaram feridas. Deve-se comparar. É preciso ter cuidado com os ônibus. Eu poderia estar naquele. Me dá pena quando penso na pobre cadela Laika. Maldade mandarem a coitada na astronave... sem comida o bastante. Ela teve de servir ao progresso do homem. Não pediu para ir. Eu deveria ter contato tudo a ela... enquanto ela gozava de boa saúde. Ela tem bom senso de humor. Sobre o cabelo verde do Manne, e a cuia voadora que o pai dele fez. Do Fransson no telhado e dos malucos daqui. Ela teria rido muito. Garanto. Realmente tenho tido sorte, comparado aos outros. É preciso comparar para sentir a distância entre as coisas, como a Laika. Ela deve ter visto as coisas em perspectivas. É importante manter certa distância. Penso no cara que tentou um recorde mundial saltando sobre ônibus numa motocicleta. Ele alinhou trinta e um ônibus. Tivesse deixado por trinta, ainda estaria vivo. Imagine, não bateu o recorde do mundo por um ônibus. O último. Bateu com a roda traseira nele. Penso naquele sujeito que atravessou o campo da praça de esportes. Um dardo atravessou o peito dele. Atravessou o peito dele. Ele deve ter ficado muito surpreso. É estranho como não consigo deixar de pensar na Laika. Eu não devia pensar tanto! O tempo cura as feridas, como diria a Sra Arvidsson. Ela diz muita coisa sábia. Aconselha a gente a esquecer. É importante comparar. Pense numa cachorra como a Laika. Eles sabiam desde o começo que ela não voltaria viva. Sabiam que ela ia morrer. Eles simplesmente a mataram.
Do filme Minha Vida de Cachorro
domingo, 19 de fevereiro de 2006
sábado, 18 de fevereiro de 2006
Mach Point
Fim de semana parece que é um tempo à parte.
É uma coisa entre vazios e vazia pos si só.
Esse "por si só" nem sei se existe.
Mas estou, literalmente, por mim só.
Acho que sempre estive, sempre estarei.
A cada momento desses de vida partida, isso fica tão claro.
A esperança vai indo embora e você se vê por si só.
A esperança acaba e você acaba um pouco também.
Apaga as fotos que podem ser apagadas.
Esconde as cartas que podem ser escondidas.
Esquece as lembranças que podem ser esquecidas.
Mas tudo isso é quase nada.
É nada.
Perto de tudo.
E aí você olha ao redor e está... por si só.
E não sabe, mais uma vez, para que serve isso.
Para que serve viver por si só.
Além de chato, é idiota, é mais inútil do que qualquer outra situação.
Nem no palco vale a pena viver por si só.
Porque depois que a platéia vai embora, para suas casas com seus pares, comentar a história que você contou, você não tem par, não tem com quem contar... Não tem casa.
Quando será que vou querer de novo?
E mudar o discurso?
E começar tudo outra vez?
E quando, depois, vou voltar para esse mesmo ponto?
Que ciclo besta, Meu Deus.
Chega, hein.
Já entendi como é.
E não tô mais a fim.
Quero dar W.O.
Pode ser?
Fim de semana parece que é um tempo à parte.
É uma coisa entre vazios e vazia pos si só.
Esse "por si só" nem sei se existe.
Mas estou, literalmente, por mim só.
Acho que sempre estive, sempre estarei.
A cada momento desses de vida partida, isso fica tão claro.
A esperança vai indo embora e você se vê por si só.
A esperança acaba e você acaba um pouco também.
Apaga as fotos que podem ser apagadas.
Esconde as cartas que podem ser escondidas.
Esquece as lembranças que podem ser esquecidas.
Mas tudo isso é quase nada.
É nada.
Perto de tudo.
E aí você olha ao redor e está... por si só.
E não sabe, mais uma vez, para que serve isso.
Para que serve viver por si só.
Além de chato, é idiota, é mais inútil do que qualquer outra situação.
Nem no palco vale a pena viver por si só.
Porque depois que a platéia vai embora, para suas casas com seus pares, comentar a história que você contou, você não tem par, não tem com quem contar... Não tem casa.
Quando será que vou querer de novo?
E mudar o discurso?
E começar tudo outra vez?
E quando, depois, vou voltar para esse mesmo ponto?
Que ciclo besta, Meu Deus.
Chega, hein.
Já entendi como é.
E não tô mais a fim.
Quero dar W.O.
Pode ser?
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
aquele dia
aquele dia, de novo, chega
te pega assim, meio pronta mas nunca pronta
você pensa que vai ser tudo bem, que é só ir passando o tempo
mas aí começa a lembrar do que já passou e vê que não é bem assim
é um saco
essa é que é a verdade
separação é um saco
desestrutura tudo, te derruba, te inferniza o pensamento
tem as coisas pra buscar, as fotos pra guardar
tem um monte de coisa pra guardar na gaveta
em quantas gavetas será que já te guardaram?
e você nem tem mais espaço nas suas gavetas
pra guardar toda essa gente que parte, tanta coisa partida, perdida, chorada...
aí vai seguindo a sua vidinha
fazendo o que tem pra fazer
arranjando o que nem tinha, pra se distrair
a noite demora a passar
a manhã demora a te dar ânimo
é um saco
vai lá, faz as suas obrigações, sai pra bater papo, volta
você sabe que é assim mesmo
você compartilha a sua dor com gente que te entende
que também está passando por isso
mas não tem jeito
pode fazer tudo
continua sendo um inferno
porque tem a parte boa de tudo o que passou
tem todas as lembranças felizes
as idéias juntas, os planos, as invenções
tem as músicas de vocês, os lugares, os amigos
tem os cheiros, os sons, até os silêncios
e você lembra do olhar
do sorriso
da risada
da voz baixa no seu ouvido
dos gemidos
dos sussuros
você lembra do esforço de todo dia
como valia!
você lembra da alegria do caminho
da sensação de felicidade ao estacionar o carro
você lembra que delícia era estar junto
contar tudo, ouvir, desejar, brincar, rir, gargalhar
você pensa que é um desperdício estar sofrendo quando tudo isso existe
existiu e existe
daí você tenta mudar de assunto,
deixar pra lá
mas ainda não dá
ainda é tudo muito presente
ainda é tudo que você ainda quer
ainda não tem graça outra coisa, nem outra pessoa, nem outra vida
você tentar pensar nas coisas chatas pra ver se se conforma
mas é um saco!
porque as coisas chatas existem em tudo, em todas as pessoas
e portanto as coisas chatas não te consolam nem um pouco
pra se livrar das coisas chatas, você sabe, só se matando
de repente você se distrai com alguma coisa e esquece um pouco
só um pouco
porque já já volta um som, uma sensação, um cheiro
uma saudade
então você resolve ir dormir porque não tem o que fazer
porque não há nada que você possa fazer
é assim, mesmo, como você sempre diz pros outros
é assim, vai fazer o quê?
vai conviver com isso de novo e um dia passa
um saco!
pode ser um grande erro
uma perda irreperável
mas a-vi-da-é-as-sim
um dia depois do outro
tudo igual
não sei pra quê
aquele dia, de novo, chega
te pega assim, meio pronta mas nunca pronta
você pensa que vai ser tudo bem, que é só ir passando o tempo
mas aí começa a lembrar do que já passou e vê que não é bem assim
é um saco
essa é que é a verdade
separação é um saco
desestrutura tudo, te derruba, te inferniza o pensamento
tem as coisas pra buscar, as fotos pra guardar
tem um monte de coisa pra guardar na gaveta
em quantas gavetas será que já te guardaram?
e você nem tem mais espaço nas suas gavetas
pra guardar toda essa gente que parte, tanta coisa partida, perdida, chorada...
aí vai seguindo a sua vidinha
fazendo o que tem pra fazer
arranjando o que nem tinha, pra se distrair
a noite demora a passar
a manhã demora a te dar ânimo
é um saco
vai lá, faz as suas obrigações, sai pra bater papo, volta
você sabe que é assim mesmo
você compartilha a sua dor com gente que te entende
que também está passando por isso
mas não tem jeito
pode fazer tudo
continua sendo um inferno
porque tem a parte boa de tudo o que passou
tem todas as lembranças felizes
as idéias juntas, os planos, as invenções
tem as músicas de vocês, os lugares, os amigos
tem os cheiros, os sons, até os silêncios
e você lembra do olhar
do sorriso
da risada
da voz baixa no seu ouvido
dos gemidos
dos sussuros
você lembra do esforço de todo dia
como valia!
você lembra da alegria do caminho
da sensação de felicidade ao estacionar o carro
você lembra que delícia era estar junto
contar tudo, ouvir, desejar, brincar, rir, gargalhar
você pensa que é um desperdício estar sofrendo quando tudo isso existe
existiu e existe
daí você tenta mudar de assunto,
deixar pra lá
mas ainda não dá
ainda é tudo muito presente
ainda é tudo que você ainda quer
ainda não tem graça outra coisa, nem outra pessoa, nem outra vida
você tentar pensar nas coisas chatas pra ver se se conforma
mas é um saco!
porque as coisas chatas existem em tudo, em todas as pessoas
e portanto as coisas chatas não te consolam nem um pouco
pra se livrar das coisas chatas, você sabe, só se matando
de repente você se distrai com alguma coisa e esquece um pouco
só um pouco
porque já já volta um som, uma sensação, um cheiro
uma saudade
então você resolve ir dormir porque não tem o que fazer
porque não há nada que você possa fazer
é assim, mesmo, como você sempre diz pros outros
é assim, vai fazer o quê?
vai conviver com isso de novo e um dia passa
um saco!
pode ser um grande erro
uma perda irreperável
mas a-vi-da-é-as-sim
um dia depois do outro
tudo igual
não sei pra quê
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
dois mil e seis
começou e eu nem percebi
já podia acabar, pra mim dá na mesma
é essa falta de sentido pra tudo
essa falta de tudo que eu nunca vou ter
é assim
14 de fevereiro é Valentines Day
e daí? primeiro não sou americana
depois, não tenho mais a funny valentine
funny funny funny
o mais engraçado é que o tempo passa e tudo continua igual
aqui está, de novo, essa menina, escrevendo nesse blog
e daí?
e no dia em que eu morrer?
isso vai ficar aqui até quando?
dois mil e seis
dois mil e sete
dois mil e doze
dois mil e vinte e sete
dois mil e vinte e nove
três mil?
depois que eu morrer, e daí?
fiz um teste outro dia
pra uma coisa legal
que se der certo será legal
que se desse certo seria legal
mas e daí?
quantas pessoas sofreriam menos nesse lugar só porque seria legal se eu passasse no teste? e quanto mudaria na minha vida se eu passasse no teste? e quanto mais eu seria feliz se eu passasse no teste? e quando as pessoas seriam menos miseráveis se eu passasse no teste? e quantas criancinhas chorariam menos de dor, de tristeza, de fome, de frio, de falta de tudo se eu passasse no teste? e o que isso mudaria depois que eu morrer? ainda sssim, eu queria, e seria legal. eu não tenho mesmo valor.
a menina que trabalha ao meu lado confia tanto em mim que até me comove. e eu confio nela. nos damos bem. e ela se preocupa comigo como se preocupa com a filha dela, que também gosta de mim sem nem me conhecer direito. a filha dela é uma criança, mas gosta de mim como se tivesse a minha idade. ou como se eu tivesse a dela - o mais provável. e essa moça que trabalha ao meu lado fala muito em jesus - em nome de jesus! jesus te ajude! jesus te proteja.
eu sei que ele me cuida. se existe, ele me cuida.
me vê, me cuida, me avisa... ele tenta.
eu ainda acho que ele existe, apesar de não saber mais pra quê.
eu gosto de acreditar que ele existe.
eu deixo de ser eu, aquela com quem sempre convivi, quando perco a fé.
nunca perdi a fé.
só largo ela às vezes, assim, por instantes.
mas depois me lembro de que sem ela sou alguém de quem não gosto.
e daí não perco mais.
quero gostar de mim.
senão vai ser um saco ficar aqui passando o tempo.
minha mestra também trabalha perto de mim
na minha frente exatamente
eu tento aprender com ela mas não sei se dá
de qualquer forma, é bom ter mestres
mesmo que só para tê-los.
como ter deus, só para tê-lo.
existem outras pessoas que eu queria ter, só para tê-las.
mas como eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem... todo mundo é meu também. tô te querendo como ninguém. tô te querendo como deus quiser.
empty
again
and again
and again
maria fumaça
muito prazer, eu queria me sentar aqui bem ao seu lado.
Marco seni andatto e no ritorna piu
Volevo dirti solo che Sei sempre tu la mia allegria Che quando parli insieme a lei Diventa folle gelosia Per tutto quello che mi dai Anche quando non lo sai Questo io volevo dire a te Di come quando non ci sei Io mi perdo sempre un po' E poi mi accorgo che non so Più divertirmi senza te Invece quando stai con me Anche il grigio intorno a noi Si colora della vita che gli dai Com'è difficile Dire tutto questo a te Che d'amore non parli mai Non ne parli mai con me Forse perché Hai paura come me Di una risposta che Ancora tu non sai qual è
ciatrizes.
começou e eu nem percebi
já podia acabar, pra mim dá na mesma
é essa falta de sentido pra tudo
essa falta de tudo que eu nunca vou ter
é assim
14 de fevereiro é Valentines Day
e daí? primeiro não sou americana
depois, não tenho mais a funny valentine
funny funny funny
o mais engraçado é que o tempo passa e tudo continua igual
aqui está, de novo, essa menina, escrevendo nesse blog
e daí?
e no dia em que eu morrer?
isso vai ficar aqui até quando?
dois mil e seis
dois mil e sete
dois mil e doze
dois mil e vinte e sete
dois mil e vinte e nove
três mil?
depois que eu morrer, e daí?
fiz um teste outro dia
pra uma coisa legal
que se der certo será legal
que se desse certo seria legal
mas e daí?
quantas pessoas sofreriam menos nesse lugar só porque seria legal se eu passasse no teste? e quanto mudaria na minha vida se eu passasse no teste? e quanto mais eu seria feliz se eu passasse no teste? e quando as pessoas seriam menos miseráveis se eu passasse no teste? e quantas criancinhas chorariam menos de dor, de tristeza, de fome, de frio, de falta de tudo se eu passasse no teste? e o que isso mudaria depois que eu morrer? ainda sssim, eu queria, e seria legal. eu não tenho mesmo valor.
a menina que trabalha ao meu lado confia tanto em mim que até me comove. e eu confio nela. nos damos bem. e ela se preocupa comigo como se preocupa com a filha dela, que também gosta de mim sem nem me conhecer direito. a filha dela é uma criança, mas gosta de mim como se tivesse a minha idade. ou como se eu tivesse a dela - o mais provável. e essa moça que trabalha ao meu lado fala muito em jesus - em nome de jesus! jesus te ajude! jesus te proteja.
eu sei que ele me cuida. se existe, ele me cuida.
me vê, me cuida, me avisa... ele tenta.
eu ainda acho que ele existe, apesar de não saber mais pra quê.
eu gosto de acreditar que ele existe.
eu deixo de ser eu, aquela com quem sempre convivi, quando perco a fé.
nunca perdi a fé.
só largo ela às vezes, assim, por instantes.
mas depois me lembro de que sem ela sou alguém de quem não gosto.
e daí não perco mais.
quero gostar de mim.
senão vai ser um saco ficar aqui passando o tempo.
minha mestra também trabalha perto de mim
na minha frente exatamente
eu tento aprender com ela mas não sei se dá
de qualquer forma, é bom ter mestres
mesmo que só para tê-los.
como ter deus, só para tê-lo.
existem outras pessoas que eu queria ter, só para tê-las.
mas como eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem... todo mundo é meu também. tô te querendo como ninguém. tô te querendo como deus quiser.
empty
again
and again
and again
maria fumaça
muito prazer, eu queria me sentar aqui bem ao seu lado.
Marco seni andatto e no ritorna piu
Volevo dirti solo che Sei sempre tu la mia allegria Che quando parli insieme a lei Diventa folle gelosia Per tutto quello che mi dai Anche quando non lo sai Questo io volevo dire a te Di come quando non ci sei Io mi perdo sempre un po' E poi mi accorgo che non so Più divertirmi senza te Invece quando stai con me Anche il grigio intorno a noi Si colora della vita che gli dai Com'è difficile Dire tutto questo a te Che d'amore non parli mai Non ne parli mai con me Forse perché Hai paura come me Di una risposta che Ancora tu non sai qual è
ciatrizes.
domingo, 25 de dezembro de 2005
Da série "Recordar é viver"
Novembro de 2003
Que será?
Que será isso de dia, noite, luz, escuridão?
Que será?
Que será que me acorda, me faz dormir, me dá fome, me dá raiva, que será?
Que será isso de amar e desamar e nem saber se ama ou se desama de amar...?
Que será isso de se-querer e não se-poder? Não se-poder não porque não se-é-permitido - ainda que também não se-seja - mas não se-poder de não-se-conseguir, não-se-suportar, não-se-entender-mais... Que será?
Que será isso de sentir e não saber, e saber que sente mas não saber sentir?
Que será essa areia movediça?
Será desenho animado?
Ou será desenho desanimado? Borrão, sujeira, tinta preta... que será?
Que será isso que é à revelia das vontades?
Uma vontade contra a vontade. Uma desvontade de querer querer.
Mas que será que se quer? Que será esse querer sem saber querer?
Que será que é palco, que será que é vida, que será que é tempo?
Que será preciso pra precisar?
Que será preciso pra esperar?
Que será que falta? Ou que nunca vai completar?
Que será de tudo que não será?
Sera Sera Serador.
Novembro de 2003
Que será?
Que será isso de dia, noite, luz, escuridão?
Que será?
Que será que me acorda, me faz dormir, me dá fome, me dá raiva, que será?
Que será isso de amar e desamar e nem saber se ama ou se desama de amar...?
Que será isso de se-querer e não se-poder? Não se-poder não porque não se-é-permitido - ainda que também não se-seja - mas não se-poder de não-se-conseguir, não-se-suportar, não-se-entender-mais... Que será?
Que será isso de sentir e não saber, e saber que sente mas não saber sentir?
Que será essa areia movediça?
Será desenho animado?
Ou será desenho desanimado? Borrão, sujeira, tinta preta... que será?
Que será isso que é à revelia das vontades?
Uma vontade contra a vontade. Uma desvontade de querer querer.
Mas que será que se quer? Que será esse querer sem saber querer?
Que será que é palco, que será que é vida, que será que é tempo?
Que será preciso pra precisar?
Que será preciso pra esperar?
Que será que falta? Ou que nunca vai completar?
Que será de tudo que não será?
Sera Sera Serador.
sábado, 24 de dezembro de 2005
quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Curtas
Passarinhas
Não há passarinho, ela disse.
Não há passarinho no ar.
De repente eles todos ficaram no chão.
A gente perdeu o olhar.
Caiu, se espatifou.
Não há passarinho.
Passou.
Saias
As pernas de fora
O vazio de dentro
A demora
As pernas de dentro
Indo embora
Agora
Cinco
Será que
em algum
continente
ela ainda vai
me amar?
Sono
Sonhei com você e acordei chorando.
Não te liguei,
passei a manhã pensando.
E me deu preguiça de ficar triste.
Pressa
Tanta coisa te interessa.
Mas eu, nem tanto assim.
Fim.
Isca
Ainda tento
te pescar.
Palco
Vazio.
Passarinhas
Não há passarinho, ela disse.
Não há passarinho no ar.
De repente eles todos ficaram no chão.
A gente perdeu o olhar.
Caiu, se espatifou.
Não há passarinho.
Passou.
Saias
As pernas de fora
O vazio de dentro
A demora
As pernas de dentro
Indo embora
Agora
Cinco
Será que
em algum
continente
ela ainda vai
me amar?
Sono
Sonhei com você e acordei chorando.
Não te liguei,
passei a manhã pensando.
E me deu preguiça de ficar triste.
Pressa
Tanta coisa te interessa.
Mas eu, nem tanto assim.
Fim.
Isca
Ainda tento
te pescar.
Palco
Vazio.
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
A carta
Quero que todos os dias do ano
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
dementes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de ama-me,
que nunca me amaste antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.
(Quero, Drummond)
(2004)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Billie, Madeleine and I

I'll look around
Until I've found someone
Who laughs like you
I know somewhere
Spring must fill the air
With sweetness just as rare
As the flower
That you gave me to wear
I look around
And when I've found someone
Who laughs like you
I'll know this love
I'm dreaming of
Won't be the old love
I always knew
(George Cory / Douglass Cross)
Sin amor, no hay nada
É sempre assim e a gente não cansa de tentar. Começa, alegra, entristece, acaba. Tem um monte de sofrimento até acostumar à ausência. Daí vira qualquer coisa, às vezes bem longe, às vezes médio, às vezes perto mas com alguma estranheza. Às vezes, nada.
É sempre assim o amor. E a gente não cansa. Afinal, o que é que sobra? Bom, tem a família, é verdade, as crianças, principalmente. Mas cada um tem o seu caminho. Estamos juntos mas não sempre, mas esse junto de que estou falando. E aí, o que sobra?
Nada.
Por isso que vai, começa, acaba, sofre... e depois a gente começa tudo de novo. Claro que é melhor não acabar. Mas acaba...
E ainda que eu fale todas as línguas e conheça toda a ciência, sem amor, eu não sou nada.
Então vamos lá. Começar tudo de novo...
É sempre assim e a gente não cansa de tentar. Começa, alegra, entristece, acaba. Tem um monte de sofrimento até acostumar à ausência. Daí vira qualquer coisa, às vezes bem longe, às vezes médio, às vezes perto mas com alguma estranheza. Às vezes, nada.
É sempre assim o amor. E a gente não cansa. Afinal, o que é que sobra? Bom, tem a família, é verdade, as crianças, principalmente. Mas cada um tem o seu caminho. Estamos juntos mas não sempre, mas esse junto de que estou falando. E aí, o que sobra?
Nada.
Por isso que vai, começa, acaba, sofre... e depois a gente começa tudo de novo. Claro que é melhor não acabar. Mas acaba...
E ainda que eu fale todas as línguas e conheça toda a ciência, sem amor, eu não sou nada.
Então vamos lá. Começar tudo de novo...
Valsinha
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra dançar
E então ela se fez bonita com há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
epois o dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhanca toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Chico Buarque e Vinicius de Moraes
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra dançar
E então ela se fez bonita com há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
epois o dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhanca toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Chico Buarque e Vinicius de Moraes
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
O Porvir
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
Adiamento, Álvaro de Campos
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
Adiamento, Álvaro de Campos
terça-feira, 29 de novembro de 2005
Secret
Segredo: do Lat. secretu, s. m., - aquilo que se quer cuidadosamente ocultar ou se não deve dizer; aquilo que não está divulgado; mistério; o que se diz ao ouvido de alguém; confidência; discrição; lugar oculto; esconderijo; recesso; prisão rigorosa em que se está incomunicável; meio particular para se obter certo resultado; mola oculta ou jogo de movimentos para se abrir um cofre, etc.; a parte mais difícil de uma arte, ciência, etc.; sigilo a que estão obrigadas certas pessoas no exercício da sua profissão.
Há segredos que salvam e outros que matam. Há os que matam devagar e os que fulminam. Há os que são perdoados e os que não tem perdão. Há os inocentes e os cruéis. Há os necessários, talvez.
Hoje, assim, por acaso, abri o dicionário e caí lá: segredo. Estive, então, pensando sobre a palavra. E sobre o ato. Ato de segredar e o de guardar segredo. A conclusão a que cheguei não conto. Vou guardar para mim.
Será que a necessidade do segredo aparece quando alguma coisa está faltando? Uma emoção, uma distração, uma ilusão... Será que o segredo do outro deve ser mais bem guardado do que os próprios. Será que segredo de dois é segredo ainda?
Quem acredita que hoje, com a possibilidade de comunicação do jeito que está... quem acredita que ainda se guardem segredos? Guarda-se de uns, mas não de todos. Pensa-se que guarda-se de uns. Mas...
Cuidado.
Se tiver segredos, melhor não tê-los contados.
Melhor não tê-los escritos.
Mas, melhor mesmo é não tê-los.
Something's comin' over
something's comin' over
something's comin' over me
My baby's got a secret
Segredo: do Lat. secretu, s. m., - aquilo que se quer cuidadosamente ocultar ou se não deve dizer; aquilo que não está divulgado; mistério; o que se diz ao ouvido de alguém; confidência; discrição; lugar oculto; esconderijo; recesso; prisão rigorosa em que se está incomunicável; meio particular para se obter certo resultado; mola oculta ou jogo de movimentos para se abrir um cofre, etc.; a parte mais difícil de uma arte, ciência, etc.; sigilo a que estão obrigadas certas pessoas no exercício da sua profissão.
Há segredos que salvam e outros que matam. Há os que matam devagar e os que fulminam. Há os que são perdoados e os que não tem perdão. Há os inocentes e os cruéis. Há os necessários, talvez.
Hoje, assim, por acaso, abri o dicionário e caí lá: segredo. Estive, então, pensando sobre a palavra. E sobre o ato. Ato de segredar e o de guardar segredo. A conclusão a que cheguei não conto. Vou guardar para mim.
Será que a necessidade do segredo aparece quando alguma coisa está faltando? Uma emoção, uma distração, uma ilusão... Será que o segredo do outro deve ser mais bem guardado do que os próprios. Será que segredo de dois é segredo ainda?
Quem acredita que hoje, com a possibilidade de comunicação do jeito que está... quem acredita que ainda se guardem segredos? Guarda-se de uns, mas não de todos. Pensa-se que guarda-se de uns. Mas...
Cuidado.
Se tiver segredos, melhor não tê-los contados.
Melhor não tê-los escritos.
Mas, melhor mesmo é não tê-los.
Something's comin' over
something's comin' over
something's comin' over me
My baby's got a secret
domingo, 27 de novembro de 2005
Descobri Madeleine Peyroux.
My new friend.
Dance Me To The End Of Love
Madeleine Peyroux
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
My new friend.
Dance Me To The End Of Love
Madeleine Peyroux
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível
É como mergulhar num rio e não se molhar / É como não morrer de frio no gelo polar / É ter o estômago vazio e não almoçar / É ver o céu se abrir no estilo e não se animar / É como esperar o prato e não salivar / Sentir apertar o sapato e não descalçar / É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar / É como procurar no mato estrela do mar / É como não sentir calor em Cuiabá / Ou como no Arpoador não ver o mar / É como não morrer de raiva com a política / Ignorar que a tarde vai vadia e mítica / É como ver televisão e não dormir / Ver um bichano pelo chão e não sorrir / É como não provar o nectar de um lindo amor / Depois que o coração detecta a mais fina flor
Te ver, Skank
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
quarta-feira, 19 de outubro de 2005
É possível estar mal e pensar direito?
Uma das questões mais interessantes da psicologia das últimas décadas é a seguinte: em que medida o sofrimento psíquico de um sujeito deve ser relacionado com um defeito de sua percepção e de seu entendimento do mundo? Obviamente, a pergunta é relevante só quando o sofrimento é uma condição severa e duradoura.
Tomemos, por exemplo, a depressão, um estado patológico que, em princípio, não nos torna delirantes nem alucinados. "Ser" depressivo (diferentemente de "estar" deprimido) significa passar, ao longo da vida, por vários episódios de depressão profunda e sofrer de uma constante dificuldade em encontrar a vontade de viver.
Pois bem, será que ser depressivo implica (como causa ou como efeito) um erro de percepção e de pensamento? Qualquer terapeuta gostaria que fosse assim: bastaria corrigir o erro e, com isso, quem sabe a depressão fosse "curada". Se você é depressivo e enxerga o mundo como a brincadeira sádica de um deus maléfico, talvez você seja vítima dessa visão "errada". Ao corrigi-la com as palavras certas, a gente transformaria seu humor de vez, faria de você outra pessoa. Mas sobra a pergunta: será mesmo que, por você ser depressivo, sua percepção do mundo está errada?
Em 1979, foi publicada uma experiência (Abramson e Alloy, "Journal of Experimental Psychology", vol. 108, nº 4), na qual dois grupos de sujeitos (os deprimidos e os "saudáveis") deviam descobrir se suas ações tinham ou não alguma influência sobre uma lâmpada que, de fato, se acendia e se apagava ao acaso. Os não-deprimidos, apesar dos desacertos, concluíram que suas ações eram eficazes. Os deprimidos concluíram (corretamente) que suas ações não tinham eficácia nenhuma e que não havia como fazer a cabeça da maldita lâmpada.
Para alguns críticos, a experiência demonstrava apenas o pessimismo dos deprimidos. Mas resta que, no caso, a conclusão dos deprimidos foi certeira; portanto caberia salientar o extravagante otimismo que extraviou os não-deprimidos e constatar o realismo dos deprimidos. Aliás, a questão levantada pela experiência de 79 entrou para a história da psicologia como problema do "realismo depressivo" (há novas experiências publicadas no recente vol. 134 do "Journal of Experimental Psychology").
O interesse desse debate não é só clínico. Acaba de sair um livro imperdível, "Lincoln's Melancholy: How Depression Challenged a President and Fueled His Greatness" (A Melancolia de Lincoln: como a depressão desafiou um presidente e alimentou sua grandeza), de Joshua Wolf Shenk. Shenk se baseia nos relatos dos que foram próximos de Abraham Lincoln para confirmar que ele foi clinicamente deprimido durante a vida toda. Logo, o autor se pergunta se essa depressão grave e crônica constituiu um impedimento ou se, ao contrário, foi uma vantagem na conduta do presidente americano durante a Guerra de Secessão. Ora, Shenk argumenta de maneira convincente que a depressão de Lincoln foi responsável por suas qualidades de estadista.
A seguir, alguns exemplos:
1) A depressão clínica é sempre acompanhada por um intenso processo de pensamento: reavaliação contínua da realidade, dúvidas sobre a ação certa, exame constante de consciência e por aí vai. Esse processo leva o sujeito a um conhecimento especial das contradições de sua própria alma e da dos outros. Na vida pública, isso permite negociar sem desprezo pela parte adversa.
2) O deprimido que ultrapassa suas crises sem sucumbir tem, em regra, a coragem e a capacidade de encontrar motivações sem recorrer a grandes princípios (o que pediria um entusiasmo que é impossível na depressão). Lincoln, embora convencido de que a abolição da escravatura fosse moralmente correta, nunca invocou a certeza de que Deus estaria do seu lado, mas alegava (inclusive por escrito) que, quanto a Deus, cada lado podia considerá-lo seu aliado. É uma outra qualidade crucial para a vida pública, a não ser que a gente prefira entregar as rédeas do governo a iluminados e fundamentalistas.
3) A adversidade, para o deprimido, é, por assim dizer, natural (nada existe sem antagonismo). Deparar-se com oposição e derrota é, para ele, uma travessia normal. O resultado é a perse- verança.
Recentemente, uma psiquiatra (Kay Redfield Jamison, "Touched with Fire: Manic Depressive Illness and the Artistic Temperament", Tocados pelo Fogo: a doença maníaco-depressiva e o temperamento artístico) mostrou que uma cura apressada da depressão nos privaria de inúmeros talentos artísticos e literários. Shenk estende o mesmo princípio a uma figura política; ele mostra que, no caso de Lincoln, a depressão não foi "uma falha de caráter que desqualificaria a liderança de um sujeito". Longe de comprometer o pensamento e as decisões do presidente, ela foi o traço de caráter que fez dele o estadista lúcido e necessário num momento sombrio da história de seu país.
Em suma, muitas aventuras dolorosas da mente são partes da subjetividade de quem sofre e, às vezes, partes irrenunciáveis, cuja "cura" deixaria o mundo mais pobre e mais estúpido.
Contardo Calligaris, Ilustrada, Folha de S.Paulo, 29 de setembro de 2005
Uma das questões mais interessantes da psicologia das últimas décadas é a seguinte: em que medida o sofrimento psíquico de um sujeito deve ser relacionado com um defeito de sua percepção e de seu entendimento do mundo? Obviamente, a pergunta é relevante só quando o sofrimento é uma condição severa e duradoura.
Tomemos, por exemplo, a depressão, um estado patológico que, em princípio, não nos torna delirantes nem alucinados. "Ser" depressivo (diferentemente de "estar" deprimido) significa passar, ao longo da vida, por vários episódios de depressão profunda e sofrer de uma constante dificuldade em encontrar a vontade de viver.
Pois bem, será que ser depressivo implica (como causa ou como efeito) um erro de percepção e de pensamento? Qualquer terapeuta gostaria que fosse assim: bastaria corrigir o erro e, com isso, quem sabe a depressão fosse "curada". Se você é depressivo e enxerga o mundo como a brincadeira sádica de um deus maléfico, talvez você seja vítima dessa visão "errada". Ao corrigi-la com as palavras certas, a gente transformaria seu humor de vez, faria de você outra pessoa. Mas sobra a pergunta: será mesmo que, por você ser depressivo, sua percepção do mundo está errada?
Em 1979, foi publicada uma experiência (Abramson e Alloy, "Journal of Experimental Psychology", vol. 108, nº 4), na qual dois grupos de sujeitos (os deprimidos e os "saudáveis") deviam descobrir se suas ações tinham ou não alguma influência sobre uma lâmpada que, de fato, se acendia e se apagava ao acaso. Os não-deprimidos, apesar dos desacertos, concluíram que suas ações eram eficazes. Os deprimidos concluíram (corretamente) que suas ações não tinham eficácia nenhuma e que não havia como fazer a cabeça da maldita lâmpada.
Para alguns críticos, a experiência demonstrava apenas o pessimismo dos deprimidos. Mas resta que, no caso, a conclusão dos deprimidos foi certeira; portanto caberia salientar o extravagante otimismo que extraviou os não-deprimidos e constatar o realismo dos deprimidos. Aliás, a questão levantada pela experiência de 79 entrou para a história da psicologia como problema do "realismo depressivo" (há novas experiências publicadas no recente vol. 134 do "Journal of Experimental Psychology").
O interesse desse debate não é só clínico. Acaba de sair um livro imperdível, "Lincoln's Melancholy: How Depression Challenged a President and Fueled His Greatness" (A Melancolia de Lincoln: como a depressão desafiou um presidente e alimentou sua grandeza), de Joshua Wolf Shenk. Shenk se baseia nos relatos dos que foram próximos de Abraham Lincoln para confirmar que ele foi clinicamente deprimido durante a vida toda. Logo, o autor se pergunta se essa depressão grave e crônica constituiu um impedimento ou se, ao contrário, foi uma vantagem na conduta do presidente americano durante a Guerra de Secessão. Ora, Shenk argumenta de maneira convincente que a depressão de Lincoln foi responsável por suas qualidades de estadista.
A seguir, alguns exemplos:
1) A depressão clínica é sempre acompanhada por um intenso processo de pensamento: reavaliação contínua da realidade, dúvidas sobre a ação certa, exame constante de consciência e por aí vai. Esse processo leva o sujeito a um conhecimento especial das contradições de sua própria alma e da dos outros. Na vida pública, isso permite negociar sem desprezo pela parte adversa.
2) O deprimido que ultrapassa suas crises sem sucumbir tem, em regra, a coragem e a capacidade de encontrar motivações sem recorrer a grandes princípios (o que pediria um entusiasmo que é impossível na depressão). Lincoln, embora convencido de que a abolição da escravatura fosse moralmente correta, nunca invocou a certeza de que Deus estaria do seu lado, mas alegava (inclusive por escrito) que, quanto a Deus, cada lado podia considerá-lo seu aliado. É uma outra qualidade crucial para a vida pública, a não ser que a gente prefira entregar as rédeas do governo a iluminados e fundamentalistas.
3) A adversidade, para o deprimido, é, por assim dizer, natural (nada existe sem antagonismo). Deparar-se com oposição e derrota é, para ele, uma travessia normal. O resultado é a perse- verança.
Recentemente, uma psiquiatra (Kay Redfield Jamison, "Touched with Fire: Manic Depressive Illness and the Artistic Temperament", Tocados pelo Fogo: a doença maníaco-depressiva e o temperamento artístico) mostrou que uma cura apressada da depressão nos privaria de inúmeros talentos artísticos e literários. Shenk estende o mesmo princípio a uma figura política; ele mostra que, no caso de Lincoln, a depressão não foi "uma falha de caráter que desqualificaria a liderança de um sujeito". Longe de comprometer o pensamento e as decisões do presidente, ela foi o traço de caráter que fez dele o estadista lúcido e necessário num momento sombrio da história de seu país.
Em suma, muitas aventuras dolorosas da mente são partes da subjetividade de quem sofre e, às vezes, partes irrenunciáveis, cuja "cura" deixaria o mundo mais pobre e mais estúpido.
Contardo Calligaris, Ilustrada, Folha de S.Paulo, 29 de setembro de 2005
Assinar:
Postagens (Atom)