terça-feira, 30 de novembro de 2004

Que será?



Que será isso de dia, noite, luz, escuridão?

Que será?



Que será que me acorda, me faz dormir, me dá fome, me dá raiva, que será?



Que será isso de amar e desamar e nem saber se ama ou se desama de amar...?

Que será isso de se-querer e não se-poder? Não se-poder não porque não se-é-permitido - ainda que também não se-seja - mas não se-poder de não-se-conseguir, não-se-suportar, não-se-entender-mais... Que será?



Que será isso de sentir e não saber, e saber que sente mas não saber sentir?

Que será essa areia movediça? Será desenho animado?

Ou será desenho desanimado? Borrão, sujeira, tinta preta... que será?



Que será isso que é à revelia das vontades?

Uma vontade contra a vontade. Uma desvontade de querer querer.

Mas que será que se quer? Que será esse querer sem saber querer?



Que será que é palco, que será que é vida, que será que é tempo?

Que será preciso pra precisar?

Que será preciso pra esperar?



Que será que falta? Ou que nunca vai completar?

Que será de tudo que não será?



Sera Sera Serador.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Senhoras do Destino



Eleonora e Jenifer, Clara e Rafaela, Bette and Tina, Jenny and Marina, Dana and Lara, Milly e Roberta, Daniela e Marília, Giuliana e Vanessa, Elvira e Clarice, Valéria e Márcia, Zélia e Adriana, Mariana e Fernanda, Julieta e Julieta. E mais quantos nomes eu puder lembrar, imaginar, supor...



Eu não sou de fazer apologia, e quase também acho que o mundo está perdido. Mas não resisti a deixar registrado aqui, pra mim mesma, pra que eu nunca me esqueça do quanto foi bonito o que eu vi hoje na novela das oito. Na NOVELA DAS OITO, da Rede Globo, em 2004.



Foi lin-do.





"É o mundo em que vivemos. Seja bem vinda à vida real."



"Então, tô esperando, pode começar."



"Eu sei que se a gente deixar de se ver, eu vou sentir falta de você, mais do que eu já tô sentindo. Foi por isso que eu fui na sua casa. Porque eu queria te ver de novo."



"Eu também morro de saudade."



"Eu tenho medo. Eu não sei o que tá acontecendo comigo."



"A gente vai decobrir juntas. Juntas. É o único jeito."



abraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraçoabraço



"Tá arrependida de ter passado a noite aqui?"



"Não. Arrependida não. Assustada. Tô com muito medo. Sabe, enquanto você tava aí dormindo, eu fiquei pensando... me fiz a mesma pergunta mais de mil vezes e não consegui responder: E agora, como é que vai ser?"



E agora, como é que vai ser?





quarta-feira, 20 de outubro de 2004

"There's only one thing that cuts across all our realities.
It's love.
The bridge between all our differences.
And you have so much love in your life.
Why are you trying to tear down that bridge?"
Kit, in The L Word

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

Fui encantada por Wicked, The Musical.

What a shame I was not born in Broadway.
BUT SAME DAY I WILL BE DEFIYNG GRAVITY.


FOR GOOD




ELPHABA

I'm Limited

Just look at me - I'm Limited

And just look at you

You can do all I couldn't do, Glinda

So now it's up to you

For both of us

Now it's up to you...



GLINDA

I've heard it said

That people come into our lives

For a reason

Bringing something we must learn

And we are lead to those who help us most to grow

If we let them and we help them in return

Well I don't know if I believe that's true

But I know I'm who I am today

Because I knew you



Like a comet pulled from orbit

As it passes a sun

Like a stream that meets a boulder

Half way through the wood

Who can say if I've changed for the better

But because I knew you

I have been changed For Good



ELPHABA

It well may be that we will never meet again

In this lifetime, so let me say before we part

So much of me is made of what I learned from you

You'll be with me like a handprint on my heart

Aand now whatever way our stories end

I know you have re-written mine

By being my friend



Like a ship flung from it's mooring

By a wind off the sea

Like a seed dropped by a sky-bird

In the distant wood

Who can say if I've been changed for the better

But because I knew you



GLINDA

Because I knew you



GLINDA & ELPHABA

I have been changed For Good



ELPHABA

And just to clear the air

I ask forgiveness for the things I've done you blaming for



GLINDA

But then I guess we know there's blame to share



GLINDA & ELPHABA

And none of it seems to matter anymore



GLINDA

Like a comet pulled from orbit

As it passes a sun

Like a stream that meets a boulder

Half way through the wood



ELPHABA

Like a ship flung from it's mooring

By a wind off the sea

Like a seed dropped by a sky-bird

In the distant wood







GLINDA & ELPHABA

Who can say if I've been changed for the better

I do believe I have been changed for the better



GLINDA

And because I knew you



ELPHABA

Because I knew you



GLINDA & ELPHABA

Because I knew you

I have been changed

For Good

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Oi, meu amor...

Sabe, hoje tô assim, romântica, te amando muito, com tanta saudade.

To aqui nesse país, sem sono, sem você...

Ouvindo Norah Jones, inspirada por Those Sweet Words, que toca para as Senhoritas do Destino. Você já ouviu? Nao? Entao me ouve: eu te amo. E sempre quero te dizer those sweet words.



Que lindo ouvir essas músicas lindas que eu tô ouvindo.

E que vontade de dividir com você.



Quisera eu ser a senhora do nosso destino, e te levar comigo pra todos os lugares lindos e felizes em que eu já fui, e também aos que eu nao fui, pra gente conhecer juntas.



Quem me dera ser dona da gente, e quem me dera ser dona de qualquer coisa que fizesse a gente ser feliz. Com tudo. Com todas as pessoas que a gente ama do nosso lado. Quem me dera ser a senhora do Amor, pra ensinar a eles que é o Amor que importa, afinal.



Quem me dera... fosse mais fácil ser feliz com quem eu amo.



Mas vou ser feliz mesmo assim. Mesmo que o caminho seja duro. Mesmo assim, com quem eu amo o caminho é cheio de flores, e é nele que eu vou. Nesse caminho. Com você, meu amor.



Tô aqui com a Norah, mas é você - só você - que eu amo!



Vem comigo pra sempre?





Come Away With Me



Come away with me in the night

Come away with me

And I will write you a song



Come away with me on a bus

Come away where they can't tempt us

With their lies



And I wanna walk with you

On a cloudy day

In fields where the yellow grass grows

knee high

So won't you try to come



Come away with me and we'll kiss

On a mountain top

Come away with me

And I'll never stop loving you



And I wanna wake up with the rain

Falling on a tin roof

While I'm safe there in your arms

So all I ask is for you

To come away with me in the night

Come away with me






Those Sweet Words



what did you say?

i know i saw you singing

but my ears won't stop ringing

long enough to hear

those sweet words

what did you say?



end of the day

the hour hand spum

and before the night is done

i just have to hear

those sweet words

spoken like a melody



all your love

is a lost balloon

rasing up trought the afternoon

'til it could fit on the head of a pin



come on in

did you have a hard time sleeping?

cuz the heavy moon was keeping

me awake, and all i know is

i'm just glad to

see you again



[solo]



see my love

like a lost balloon

rising up

throught the afternooon,and

then you apperd



what did you say?

i know watch you singing

but my ears won't stop ringing

long enough to hear

those sweet words

and your simple melody



i just have hear

those sweet words

spoken like a melody



i just wanna hear


sexta-feira, 6 de agosto de 2004

Um dia para escrever!

Hoje cheguei em casa decidida a escrever aqui.

Primeiro porque continuo feliz e comecei a pensar que é bom, de vez em quando, escrever sobre a felicidade, para fortalecê-la, para espalhá-la, para se um dia ela escapar. Mas não vai. Enfim, hoje cheguei aqui decidida a escrever sobre felicidade.



Os Sete Afluentes do Rio Ota

Este espetáculo é uma felicidade imperdível. Isso mesmo: Os Sete Afluentes do Rio Ota é UMA FELICIDADE. Se você não viu, veja. Se não está em São Paulo, viaje para ver. É uma coisa, assim... indizível, como diria Clarice. Aliás, Clarice seria feliz depois de assistir ao Rio Ota. Eu, que amo o teatro, e faço, terminei as cinco horas de peça tomada de uma emoção quase triste, de tão feliz. Olhei para aquele palco, com aquelas pessoas, e pensei: meu Deus, é isto que eu faço! Eu faço parte desta coisa extraordinária que é o teatro. Eu tenho em minhas mãos a possibilidade de levar às pessoas maravilhas indizíveis como este Rio Ota. Chorei uma alegria que quase não me lembro de ter experimentado antes. E estou feliz até hoje por saber que aquele espetáculo existe. E tive um prazer, tão escasso na minha vida, de poder compartilhar com a minha mãe essa alegria do Rio Ota - porque, depois de muita insistência, eu a convenci e ela foi. Voltou maravilhada. Eu sorri. Às margens do Rio Ota eu sentei e chorei...



Meu amor

Um ano. Quando a gente tá triste o tempo demora. Quando estamos felizes voa com asas leves... Um ano já faz! E posso dizer que depois de tanto implorar pela sorte de um amor tranquilo, ele veio. Não é assim, uma perfeição de tranquilidade, mas eu sei que é tranquilo porque meu mundo é bastante conturbado. Meu amor é tranquilo. Arararira.



Se quiser fazer amor, eu faço

Se quiser trocar de roupa, trocamos

Se quiser preencho teus espaços

Se quiser fazer, eu faço, planos...



Se disser que sou tua mulher, aceito

Se quiser sumir do mapa, dou um jeito

Vão dizer que nosso amor é um arraso...

Se quiser casar comigo, eu caso



Se quiser grito pro mundo inteiro

Estou apaixonada por você...

Que se dane o mundo, eu quero o cheiro

Do teu corpo pra sobreviver...


(Fábio Jr.)



Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Assista também.

Porque a vida sem as nossas próprias (redundantes) experiências volta pra trás.

E porque o amor sempre encontra um jeito...

(Life always find a way...)




Orkut, Carol e Bel

No começo é um mistério.

Depois, uma descoberta.

Uma delícia.

Um vício.

Álbum de figurinhas de amigos.

Daí cansa.

Uma lerdeza.

Um saco.

Mas encontrei pessoas muito queridas que eu tinha perdido pelo tempo.

Então, por essas e outras, vale a pena.

(Com lactobassilos vivos!)





E eu desejo (por favor, rezem por isto):

Que minha irmã consiga voltar logo pro Brasil.

Que as pessoas más desapareçam.

Que Michael Moore ainda faça muitos documentários.

Que Marias do Brasil vá para Porto Alegre.

E que volte para São Paulo no ano que vem.

Que eu possa dar aula pra muitas crianças carentes.


Durante todos os anos de vida que eu tiver.

Que Deus exista mesmo.



Fiz 30

Acho que melhorei.



"Deus... lhe... pa-gue!"


(Chico)







quinta-feira, 3 de junho de 2004

A Felicidade Voltou



Sem correr

Bem devagar

A felicidade voltou pra mim

Sem perceber

sem suspeitar

O meu coração deixou você surgir



E como o despertar

depois de um sonho mau

Eu vi o amor surgindo em seu olhar

E a beleza da ternura de sentir você

Chegou sem correr

Bem devagar



Amor velho que se perde

Sai correndo para outro ninho

Amor novo que se ganha

Vem sem pressa, vem mansinho.

domingo, 16 de maio de 2004

Pra sempre, sempre acaba mesmo?

terça-feira, 16 de março de 2004

Ela que escreveu... Não é lindo?

Eu te amo mesmo.




Eu impulsiva

Ela comedida



Eu emotiva

Ela racional



Eu choro

Ela se irrita



Eu escuto

Ela fala



Eu acordo

Ela dorme



Eu ajo

Ela planeja



Eu doce

Ela salgado



Eu discordo

Ela concorda



Eu rápida

Ela lenta



Eu me fecho

Ela se relaciona



Eu sujo

Ela limpa



Eu erro

Ela acerta



Eu acerto

Ela erra



Eu erro

Ela erra



Eu cebola

Ela côco



Eu 5

Ela 8



Eu azul

Ela roxo



Eu 22

Ela 29



Eu amo Ela

Ela ama Eu

Nisso somos iguais.


sábado, 21 de fevereiro de 2004

Homem primata.

Homem que mata.




Ela é brasileira. Sempre viveu na cidade, com conforto, agitação, mil amigos e mil irmãos, tios e sobrinhos.

Ele é argentino. Sempre viveu no campo, sozinho. Planta soja, colhe, dorme, acorda e não gasta um tostão.

Ela largou tudo pra se casar com Ele e ir viver lá, na fazenda, transformando a vida, longe de tudo.

Elinha nasceu. Ela começou a se encher daquele fim de mundo, da solidão, da falta de família e de tudo.

Ele é burro e não entende que para fazê-la ficar e feliz, precisa deixar que Ela venha ao Brasil quando quiser.

Mas "não deixa". (Como é que pode, meu Deus?)

Como se alguém fosse dono de alguém. Como se Ela fosse prisioneira, e Elinha, uma coisa que a Ele pertence.

Este mês, Ela o convenceu de que precisava vir. Ele veio junto, claro. E Elinha também, logicamente.

Elinha, radiante, não parou de bincar com os primos, as tias, os avós... numa alegria cheia de gente que nunca vê.

Tão diferente de lá, onde não há ninguém, nem nada, nem coisa nenhuma... Onde vivem só. Só.

Ela veio pra ficar um mês. Ele, egoísta, precisa voltar antes. Para pressioná-la, disse que levaria Elinha.

Ela, boa demais, não quis briga e deixou Ele ir. Avisou, no entanto: tenha certeza pois isso vai te custar caro.

Mesmo assim, Ele foi com Elinha. Tirou a menina de um ano da casa dos avós, dos primos, dos tios, que moram longe.

E levou Elinha de volta pra fazenda, no meio do nada, sem ningu?m. E sem Ela, a m?e, que ficou com a fam?lia.

Ele desrespeitou todo mundo, inconseqüente, imaturo, burro. Muito muito burro.

Terminando de destruir o que, na minha opinião, já está além do tempo regulamentar. Burro. Burro. Burro.

Ela está aqui. Ele e Elinha lá.

Não dá nem pra conceber uma coisa dessas.



Ela é minha irmã.

Ele, o marido. Tomara que futuro ex.

Elinha é a criança mais linda e maravilhosa do mundo. Como a mãe.



Não, ninguém pode acreditar que Ele levou a Sofia embora.

Tomara que minha irmã não demore pra vir embora de uma vez.



Ele é muito burro.

Que raiva dele, Meu Deus, que raiva.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Feliz Aniversário, meu amor!



Que bom que você apareceu na minha vida.

Desejo que o seu aniversário seja lindo como você e feliz como eu.

(Feliz como eu sou ao seu lado.)



Te amo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

Minha mãe, que eu amo tanto, faço sofrer.

Quando sei disso, como é duro ser eu.






segunda-feira, 12 de janeiro de 2004

O Mundo Capitalista

Fazer teatro realmente não combina com um mundo em que se precisa de dinheiro pra viver.

Pelo menos não enquanto você não é um dos sortudos (talentosos ou não) que ganham bem fazendo arte.



Alguém tem um trabalho de jornalista pra mim?

Estou falando sério.

Se tiver, me avise.



Ou então, meu amor, a gente nãocome, nãotomabanho, nãovêTV, nãoselocomove, nãosaidecasa, nãoajudaquemprecisa, nãonada...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2004

Ou os dois ganham ou ninguém ganha

Li este texto há muitos anos. Nunca esqueci. Lanço mão dele em muitas ocasiões. Dou como exemplo, como argumento, como alerta aos outros e a mim também. É uma das definições mais legais e tocantes que já encontrei sobre relacionamentos. O autor fala de amor, de casamento. Mas, pensando bem, vale pra tudo, pra qualquer tipo de relação. Vale entre amigos, entre irmãos, entre pais e filhos, entre patrão e empregado. Claro que é mais lindo quanto mais se pensa que o que une os dois "jogadores" é algum tipo de amor. Então, imagine se em TODAS as relações houvesse amor, e se todas as pessoas do mundo jogassem Frescobol... Xangrilá!



Meu amor, é pra você, porque a gente joga Frescobol.

E, Dé, é pra você também, que afinal foi quem me fez lembrar do texto hoje...

(E a gente também joga Frescobol, não vem querer mudar!! Tênis eu nem sei - esqueci!)



Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que há relacionamentos de dois tipos: tênis e frescobol.

Os do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal.

Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.




Explico-me: O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a derrota se revela no erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico: cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.



O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro fica chateado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos sozinho, mas os dois ganham juntos.



Ruben Alves




O que você joga, tênis ou frescobol?

Que 2004 seja o ano do FRESCOBOL!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2004

Depois do Ano Novo

(Ou depois de entrar nele)


Eu, que não começava um ano bem havia tantos anos, comecei.

Fazendo o que dizem que se deve fazer pelo menos uma vez na vida:

ver os fogos em Copacabana.

(No meu caso, só uma vez na vida mesmo! Foi a maravilha seguida do caos!)



Meu amor, obrigada por estar presente e por ser um presente.

Obrigada por tanto carinho, tanto amor, tanta paciência.

Obrigada por me obrigar a ser feliz - pra sempre.



Eu adoro ano novo.

Adoro o clima, a sensação, a expectativa.

Adoro acreditar que a gente também fica novo.



Andar toda a praia de Copacabana e mais um pouco até Ipanema foi uma delícia porque você estava comigo. Não ter onde sentar e fazer bolhas no dedão foi gostoso porque você estava comigo. Peregrinar pelas ruas escuras do Rio quase de manhã em busca de um banheiro foi divertido porque você estava comigo. Passar frio nos instantes que precedem o nascer do sol na praia foi agradável porque você estava comigo. Ver o sol clarear sobre o atlântico o primeiro dia deste novo ano foi a oitava maravilha do mundo porque você estava lá também, e comigo.



O ano começou lindo e nada pode estragar a felicidade que voltou...

Ou a que a gente tinha guardada só esperando o nosso encontro, e achou.

Onde é que a gente vai parar?



Tá dormindo Minerva??

Lembra quanto a gente riu no dia do Copacabana Palace?

Pois que aquela alegria seja a nossa rotina e o nosso amor.



Que a gente encontre os rumos que faltam na vida, juntas.

Que sustentar-nos seja sempre uma necessidade coadjuvante e que, por isso, milagrosamente nada falte, porque há amor suficiente pra que qualquer pouco baste.



Seja sempre a minha ponte.

A minha fonte.

O meu copo d'água.



E a quem falta sorriso, tenha fé.

A quem falta amor, tenha fé.

A quem falta alegria, tenha fé.



E se nada de surpreendentemente bom acontecer, pelo menos você teve fé, o que em si já é uma felicidade imensurável. Portanto, além de usar filtro solar, tenha fé.



Feliz 2004!

sábado, 27 de dezembro de 2003

Depois do Natal

Amor à parte, devo dizer que o Natal pra mim perdeu um pouco o sentido e eu preciso e quero recuperá-lo. Eu acredito em Jesus Cristo. Eu acredito que o Natal é porque Ele nasceu em 25 de dezembro. Eu gosto de acreditar nisso, e quero acreditar. Além de realmente acreditar. Porém, está tudo invisível nos últimos anos... De uma forma geral e ampla, e também aqui, no meu micro-mundo, a minha família. É que sem a minha tia nada me importa muito na noite de natal. Não tenho mais aquele impulso de falar e rezar antes que se comece a comer... Não tenho mais minha irmã aqui também. Ficou uma tristeza que me esvazia. Fico, então, com as crianças e espero, no fundo de mim, que isso de alguma forma me mantenha próxima a Deus no natal. Porque mais nada tem feito isso. E é triste. E eu queria que fosse diferente, que voltasse ao que era antes. Queria voltar a sentir e a agir. Deus? Me ajuda?



Se você acreditasse seria um pouco mais fácil pra mim.

Ou, sei lá, seria melhor de alguma forma.

Mas eu respeito sua não-fé.



Por falar em você, que bom nosso primeiro fim de ano together... esse tempo de festas, e presentes, e um espírito-santo no ar. Que bom amar de novo e viver com você esse tempo de tanto amor. Que bom.



Nosso ano novo vai ser lindo, você vai ver.



Eu te amo.

Feliz Natal.

Que a gente resnasça do que não é bom, e seja cada vez melhor.

Amém.



PS: De modo que, então, a Dona Ana Maria foi convidada pro aniversário de Jesus e não poderia faltar.

Queria que a senhora tivesse sido minha avó também... tão linda e especial. Um beijo.

E, por favor, procure aí pela minha tia Odila. Vocês duas vão se dar muito bem!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

O primeiro poema pra você



Meu amor,

hoje eu te disse que voltaria a fazer poesia.

hoje eu te disse que ia escrever pra você.

Você é poesia. Como te escrevo?



Como te escrevo, meu amor?

Te escrevo de caneta pra não apagar nunca mais.

Mas isso eu já sabia.



Te escrevo, poesia.

Um farol, um sol, um luar

O fim do mar não enxergo,

mas a luz é você.



Qualquer coisa que eu dissesse,

qualquer hino, qualquer canção,

Qualquer idolatria...

Eu que quase não via, vi.



Fica assim, hoje.

Sem fim.

terça-feira, 4 de novembro de 2003

A vida longe daqui...

Pois é, que coisa louca...

De repente esse meu refúgio foi substituído por um amor.

Um amor tão maravilhoso na minha vida real.

Não que as palavras aqui não sejam reais.

O que registrei neste espelho reflete o mais real de mim...

Meus sentimentos, minhas sensações, minhas angústias...

Mas, de repente, para registrar as alegrias não tenho tempo.

Simplesmente isto: não tenho tempo.

Talvez porque quando a gente volta a ser feliz assim, de repente, por amor, não há tempo para mais nada que não amar.



Então em vez de escrever diários, escrevo dias de amor. Em vez de escrever poesia, escrevo cartas de amor. Em vez de escrever contos, escrevo uma linda história de amor. E desta vez não tem nada de hiperbreve. Tomara que seja hiperlongo, hipersempre, hiperlindo, hipertudo.



Aqui nunca tive regras. Como não tenho.

Este espelho de mim é assim. Permanece aqui. Assim.

Às vezes venho escrever nele... Às vezes não...

Mas minha imagem permanecerá aqui enquanto este espelho existir...



Ainda que a minha imagem atual - e tomara que eterna - de quem recuperou a felicidade, de quem reaprendeu a viver... de quem re-amou... Ainda que essa imagem nova e feliz não combine com o fundo deste espelho, isso tudo sou eu, claro. Isso tudo me ajudou a reconstruir em mim o que desmoronava... Ajudou a me deixar pronta pra ser feliz de novo.



Portanto, espelho espelho meu, se um dia eu te perguntei se existia alguém mais triste do que eu, esqueça...

Hoje nem preciso perguntar... Mais feliz do que eu não há. Mordi a maçã do amor. E a bruxa má morreu.





Que presentes te daria

Uma estrela vã do firmamento

Pra iluminar o vão do pensamento

Pra iluminar o vão do pensamento



Uma TV na garantia

Arvores plantadas no cimento

E o meu perfume na rosa dos ventos

E o meu perfume na rosa dos ventos

E o meu perfume na rosa dos ventos



Um novo ritmo

Cartas de amor com frente e verso

E meu percurso nesse universo

E meu percurso nesse universo

E meu percurso nesse universo



Nas horas sem fim

Em que a dor não tem mais cabimento

É no teu prumo que eu me oriento

É no teu prumo que eu me oriento

É no teu prumo que eu me oriento



Catedrais de alvenaria

Senhas pra não mais perder a vez

Casa, comida e um milhão por mês

Casa, comida e um milhão por mês

Casa, comida e um milhão por mês



Os presentes - Kleber Albuquerque

sábado, 13 de setembro de 2003

Dois meses...

Eu que escrevia tanto, de repente, há dois meses não paro aqui pra uma palavra.... E então estive me perguntando se só escrevo na tristeza, na solidão, na falta, na ausência. Acho que um pouco, sim, outro pouco trata-se mesmo de tempo. De ter e não ter tempo. De ocupá-lo com isso ou com aquilo. O tempo, afinal, que enfim me curou, me amenizou as dores, me trouxe um amor novo e lindo... O tempo que voa quando a gente quer ficar mais um pouco e que demora tanto a passar quando a gente não vê a hora de chegar. O tempo que ao mesmo tempo é tudo e não é nada, porque ele simplesmente "passa". Incrível o pensar... Mais incrível o pensar no tempo. Pense. Será que o Tempo é Deus?



Não sei.



Mas sei que meus dias andam cheios de sol e apesar de mil coisas não irem lá tão bem, quando o coração está preenchido de coisas lindas, a gente acaba levando todo o resto de um jeito que se vive feliz, com alguma alegria que tira o peso das coisas, com vontade do futuro e com um monte de planos e desejos...



Se o tempo desta vez vai ser generoso, e nos manter "em duo" por muitos e muitos anos, não dá pra saber, mas "que seja infinito enquanto dure".



Posto que é chama...



Um sopro de amor a todas as pessoas boas que passam por aqui.

E um beijo pro meu amor. Obrigada por tantos dias deliciosos.



quinta-feira, 14 de agosto de 2003

Um carinho de Deus

Há um mês a minha vida voltou a ter graça.

Faz um mês. E durante esse mês não perdi cada segundo, cada instante de alegria, cada sorriso escancarado, cada olhar de saudade seguido do abraço mais apertado que alguém é capaz de dar. Faz um mês que os meus desejos começaram a se realizar... Meus desejos de um amor tranquilo, de companheirismo e cumplicidade gratuitos, de compartilhar sem obrigação mas com prazer. Há um mês eu tenho paz e a melhor companhia do mundo. Sem questionamentos ruins ou cobranças tão desnecessárias. Faz um mês que a gente sente todos os dias só coisas boas, só vontade de nunca estar longe, só carinho, atenção, dedicação e amor. Há um mês nos tornamos melhores a cada manhã, construímos coisas, acumulamos experiências, nos ajudamos, nos animamos, nos damos motivos, razões e fazemos planos. De vez em quando passa lá longe um medinho qualquer... mas a felicidade é tanta que nem deixa espaço pra esses "serás" indesejados. Há um mês estamos vivendo essa fase maravilhosa de querer que o dia seja mais longo pra ter mais tempo junto. De querer não se largar. De passar horas conversando às vezes sobre as coisas mais profundas, às vezes sobre nada. De quase esquecer do resto do mundo e de tudo. Ao mesmo tempo, temos feito tanta coisa, em tantos lugares, com tanta gente... Há, sim, um equilíbrio que a gente nem percebe como, mas existe. É qualquer coisa inexplicável que transforma o que era "tanto faz" em "tudo me importa porque você existe e eu te amo".



Isso que eu estou sentindo e vivendo é o que eu desejo para todas as pessoas boas.

E é o que eu desejo também para as pessoas ruins, para que elas se tornem boas de tanto amor!



Eu sei que tudo isso é um carinho de Deus em mim.

Obrigada.



Tanto.

quinta-feira, 7 de agosto de 2003

A Menina Invisível

Eu queria escrever.

Mas agora meu tempo está ocupado em amar.

domingo, 27 de julho de 2003

Feliz Aniversário pra mim!

Feliz mesmo.

quarta-feira, 23 de julho de 2003

Da Ausência, Do Amor, Da Felicidade, E Outros Mistérios...

De repente. Não mais que de repente.

Estou preenchida, acolhida, inebriada.

Alguém que eu procurava, achei. Alguém que faltava, presente.

O tempo que sobrava, eu agora imploro pra passar mais lento.

O tempo pra gente nunca basta. Que saudade...

Nós nos bastamos. E eu estou feliz de novo.

Surpreendentemente feliz. Indescritivelmente feliz.



"Cada dia com você

recupera em mim

algo de bom que eu tinha perdido,

ou esquecido.

E eu estou voltando a ser melhor.

Pra você."



Obrigada.

Meus novos olhos.

Meus lindos olhos.

A sua lua.

A nossa descoberta diária...



Eu quero rir com você cada detalhe da nossa história.

Que só tem alegrias. Que vai ser sempre assim.



No palco, na coxia, na platéia.

E no silêncio.

E nas pausas nos silêncios.



Meu Deus, que bom que a vida voltou a ser vida por aqui.



Looooooura... Da cor da..... Vassoooooooura...

(Só pra terminar com a nossa risada boa, que me cura de tudo.)



Silêncio.

Tô indo...

terça-feira, 15 de julho de 2003

A Hora Em Que Começamos A Nos Conhecer
Quantas horas eu poderia ficar te olhando...
Quantas horas longas eu sinto passar num respiro...
Que horas serão, quando a gente for...?
Quem será que nós somos de toda essa gente que passa na praça?
Com hora, sem hora... Quem será que seremos?

Por enquanto basta se essas horas felizes bastarem.
A mim, me bastam. Tanto...

Gnhé Nhé Hmmrrrnhé SaUdadE Hmmmrrrr...
De repente fico rindo à toa sem saber por quê
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não
Mas o seu jeito de me olhar, a fala mansa meio rouca
Foi me deixando quase louca, já não podia mais pensar (...)
Cheiro de Amor, Maria Bethania


Distração
Se você não se distrai,
o amor não chega, num
a sua música não toca,
o acaso vira espécie de porta,
a alegria vira ansiedade
e quebra o encanto doce de te surpreender de verdade.

Se você não se distrai,
a estrela não cai,
o elevador não chega,
e as horas não passam.
O dia não nasce,
a lua não cresce,
a paixão vira peste,
o abraço armadilha.

Hoje eu vou brincar de ser criança
e nessa dança, quero encontrar você...
Distraída, querida...
perdida em muitos sorrisos
sem nenhuma razão de ser.

Se você não se distrai,
não descobre uma nova trilha,
não dá um passeio,
não ri de você mesmo.
A vida fica mais dura e o tempo passa doendo.(...)

Hoje eu quero encontrar você.


Distração, Christiaan Oyens e Zélia Duncan

segunda-feira, 14 de julho de 2003

Eu Sempre

...tive noites de sol no inverno desses dias.



Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter.

Saramago, A Ilha Desconhecida





Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir



Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir



Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir



Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu



Como, se na desordem do armários embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato inda pisa no teu



Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios inda estão nas minhas mãos

Me explica como que cara eu vou sair



Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir




Eu te amo, Chico Buarque e Tom Jobim

sábado, 12 de julho de 2003

O Amor é sereno, tranquiliza.

Até quando acaba, acalma.


Lorena, em Mulheres Apaixonadas


Eu Nunca

Porque a gente tenta enganar o coração pra ver se a vida se engana e engana a gente um pouquinho. Mas a verdade é que "eu nunca" um monte de coisas... Nunca mesmo. Mas, como "nunca diga nunca" virou regra, quem sabe um dia... Assim, meio sem saber, por engano. Mas vai ser um engano, apesar de toda a minha verdade, de todo o meu carinho, de toda a minha vontade. Apesar de mim. Que posso estar enganada.



Fica dentro do meu peito sempre uma saudade

Só pensando no seu jeito eu amo de verdade

E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo

Posso até gostar de alguém mas é você que eu amo.



Vou falar que é amor, vou jurar que é paixão

E dizer o que eu sinto com todo carinho pensando em você

Vou fazer o que for e com toda emoção...

A verdade é que eu minto que eu vivo sozinho,

Não sei te esquecer.



E depois acabou

Ilusão que eu criei

Emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr.



Já não sei quem me amou

Que será que eu falei?

Dá pra ver nessa hora

Que o amor só se mede depois do prazer




quinta-feira, 10 de julho de 2003

A Revolução

Feriado em São Paulo por causa da Revolução de 32.

A revolução que está acontecendo na minha vida não sei se tem feriado.

Ou se é um feriado constante porque eu estou sem forças pra outra coisa.

Eu disse: mãe, estou tão fraca. E choramos juntas. E estamos juntas.

Finalmente estamos juntas. Em revolução, mas juntas.

Sem feriado ainda, mas com possibilidades.



O Paraíso

Arriscar nem sempre acaba bem.

Hoje acabou. Arriscamos conhecer pessoas e foi divertido.

Não estivemos longe do paraíso mas vimos como é estar.

O filme de Julianne Moore é lindíssimo. Apesar de tão triste.

Ela é uma atriz que me deslumbra. Está desbancando Huppert.

Encena uma angústia contida que mata a gente por dentro.

Mas por isso mesmo é linda, linda demais de se ver. Dura, porém linda.

A angústia. A angústia. A angústia...

E, então, muito prazer, voltem sempre.

Com o tempo, chegaremos ao paraíso...

Porque ficar longe é muito sofrido.

E eu estou farta de sofrimentos contidos.



O Casal

Encontramos o meu casal querido no cinema.

Só não é TÃO querido porque a Debby é chata.

Mas o Raul compensa. Só o crime não compensa.



A Notícia

Mariela encontrou com eles.

Disse que estão bonitos...

Felizes, não sabe. Mas porque nunca achou.

É a opinião dela, eu respeito.

Não é certa, eu sei. Eles estão felizes, sim.

Não me doeu tanto...

Não sei mais o que é.

Não sei mais o que eu sinto.

Mas é ainda uma coisa, uma coisa sem nome.

E de tão sem nome, acho que vou acabar esquecendo.



A Memória

Procurando Nemo é imperdível.

Dor de barriga de tanto rir.

Uma facadinha pra quem anda em pé-de-guerra com o pai, como eu.

Mas o desenho é ma-ra-vi-lho-so!

Muito bom mesmo!

Mas... então...

Procurando Nemo é imperdível.

Dor de barriga de tanto rir.

Ahn? Já falei isso...??

Ah, tá?... É que me esqueço...

Mas, olha, Procurando Nemo é imperdíveeeeel!!



O Sono

Durma com os anjos e sonhe comigo...

...pra um dia dormir comigo e sonhar com os anjos.



O Cheiro

Pra dormir com ele.



O Tempo

Passa.

segunda-feira, 7 de julho de 2003

Esses dias, pobres dias...

Tem dias que me choram palavras mas eu não acho o que quero dizer. Hoje estou assim, indizível. Nem Clarice me diz hoje. E nem motivo tem. É esse não-ser que continua em mim. Esse vazio de alguém. Essa falta de quem saiba de tudo, de ontem, de hoje, de amanhã. Quem divida cada instante sem que eu tenha de explicar muito. Queria aquele olhar que mata a gente de alegria. Aquela alegria. Que vida chata. Que desrumo. Que desmundo.



O Inspetor Geral de Quito

Mesmo indizível, fui ao teatro. Fui ver a peça da EAD, na USP. Fiquei feliz de ver uma coisa tão boa! Não é de hoje que quero me enveredar pelo mundo de clown da Quito. E depois de ver essa direção interessantérrima desse Inspetor Geral, realmente não sei o que estou esperando. Teatro sem palavras é tudo o que eu quero nesse momento mudo meu...



E... Vai, Carlos, ser gauche na vida!

sábado, 5 de julho de 2003

Quem acredita sempre alcança...

Renato Russo



(Será?)

sexta-feira, 4 de julho de 2003

Sans Sujet
"Ela vai ser pra sempre uma pessoa especial pra mim. Uma lembrança maravilhosa. Alguém que me fez querer ser melhor e que me melhorou. Alguém que me amou muito e me deu coisas maravilhosas, momentos sublimes, únicos. Mesmo sabendo que ela me trancou na gaveta e que talvez quisesse mesmo apagar tudo, e ME apagar pra viver a vida que ela escolheu e que acredita que vai fazê-la feliz, mesmo assim, eu tenho aqui todo o carinho do mundo por ela. Porque ela é honesta, leal, firme e boa. Eu respeito as decisões dela, por mais que me doa - e dói muito. Ela merece de mim toda a admiração do mundo. Porque no fundo, ela não foi covarde nem nada disso, ela foi sincera consigo mesma e está tentando achar o caminho. Tenho certeza de que se não estiver feliz, ela muda de novo, até ficar bem e realizada. Ela não é de se resignar também (como Clarice), ainda que tenha de ter feito isso por um período, para depois se encontrar... Vamos ver no que dá. Se você me perguntar, sim, eu queria que ela se desse conta de que pode ser feliz ao meu lado pra sempre. Mas talvez não possa, por mais que eu queira, ou quisesse, ou ame, ou amasse..."

quinta-feira, 3 de julho de 2003

Não perca a capacidade de se surpreender com coisas banais.

Aldy




segunda-feira, 30 de junho de 2003

Uma Vida Estranha

Cadê você...?

Que nunca mais apareceu aqui...


Nem sei cadê eu. Tô aqui mas é tudo tão estranho.

É uma ausência em mim de tudo e um esgotamento.

Coisas que eu não deveria sentir... Infelicidade que não me pertence.

Toma. Isso não é meu! Leva! Me deixa! Como é que entrou aqui?

E cadê, meu Deus, cadê eu? Será que eu era aquela, e voltei?

Será que os planos e a alegria eram da outra e a outra eu inventei ser eu?

A outra que nem era por si mas pelo amor, daquela, pelo sonho que acabou...?

Sei lá. Que estranha essa sensação de estranheza e sozinhês.

Quero inventar palavras pra ver se me explico para mimdentro.

Estou compliquinhada e desamparinhofaltada. Estou abandonadristinha.

Ou senão, nada disso estou... só me faltamplanmotivrazões e amortodamor.

Um motor de genteleza e essas coisinboas que embelegram a vida.

Há uma estação onde o trem tem que parar

Tô na contramão, te esperando pra voltar

Pra poder seguir, sem limites pra sonhar

Pois é só assim que se pode inventar o amor


Que loucura tanta coisa que aconteceu e nem parece.

Tanto ensaio, tanta dor, tanto tempo depois e revela-se uma fotografia.

Aí a gente pega e guarda no álbum... deixa lá. Até lembrar um dia de ver.

Imagina... Quem é que tranca na gaveta uma coisa dessas?

E o meu sofrimento ainda existe mas há uma anestesia geral, sei lá.

Pai, Mãe... essa gente que teve a gente sem a gente nem pedir.

E que a gente ama sem saber por quê... e que às vezes ficam lá no alto da torre.

Pai, Mãe... meus dois pedaços em partes tão diferentes de mim esses dias, esses tempos.

Sempre, eu acho. Mas hoje mais. E nunca mais vão se cruzar. Apesar de juntos toda a vida.

Nunca mais se cruzarão em mim. Há agora um abiiiismo que os separa em mim.

Que talvez só aumente. Bom? Ruim? Não, nada. Pelo menos por enquanto. Nada.

Ruim é meu pai pesar em mim. E minha mãe sofrer por mim.

Ruim é que não consigo convencê-los de que pode ser leve. Tudo. Leve.

Ou, então, se me levassem... resolvia de uma vez. Levezaída.

E eu estou sem. Sem muita coisa. E Sem Saída.

É tão difícil ficar sem você

O teu amor é gostoso demais

Teu cheiro me dá prazer

E quando estou com você

Estou nos braços da paz


A música toca, o rádio me cumplicia... nem sei de quê.

Mas o que me toca é um ar de que, se a vida segue, para algum lugar tem de ir.

Se eu quero? Na verdade não muito mais... Mas vou, estou, não tenho saída outra.

E quem não vem, não vem. Pode ser que esteja tudo aqui e eu não vejo.

Tanta poesia nesse mundo. Minha vida é uma gota e nem sei pra quê.

A gota dos Barbatuques sai da minha boca maior que a minha vida.

Que migalha, meu Deus! Que migalha cada um. Cada dois já não!

Dois não é gota. É mar, é oceano. É oito.

Num apartamento

Perdido na cidade

Alguém está tentando acreditar

Que as coisas vão melhorar... ultimamente

A gente não consegue

Ficar indiferente

Debaixo desse céu


E eu moro em casa, olha que coisa! Numa casa enorme, linda, cheia de amor.

Mas é um amor tão moldado. Um amor que se não tiver essa forma não serve.

É melhor do que amor nenhum, eu sei. Melhor do que família nenhuma.

Melhor do que muita coisa. É muito bom, na verdade. É sublime.

Mas que podia ser mais simples, ah, podia. A talevêzdequefaleilemcima.

E na medida do possível vai dando pra se viver.

Só não entendo como tenho coragem de dizer tudo isso.

De reclamar ou de sofrer, seja o que for...

Com tanto sofrimento devastador no mundo.

Eu não posso, meu Deus. Não posso sofrer. Reclamar nem um fiapo eu posso.

Peço perdão. Que possam me perdoar os semnada, os semnada, os semnada.

E que me perdoem osqueuamotanto.

Eu...

Sei que me disseram por aí,

E foi pessoa séria quem falou,

Que você tava com saudade

De me ver passar por aí...

Eu...

Sei que você disse por aí

Que não tava muito bem seu novo amor,

Que você tava mais querendo

Era me ver passar por aí...

Pois é... Esse samba é pra você, ô meu amor.

Esse samba é pra você

Que me fez sorrir,

Que me fez chorar,

Que me fez sonhar,

Que me fez feliz,

Que me fez amar...


E que os sonhos da gente continuem existindo.

E que a gente sonhe como quem tem fé em Deus.

Ou como quem não sabe fazer de outro jeito.

Que a gente sonhe pra não desistir da vida.

E que a gente ame no sonho do sonho do amor que se ama em sonho.

Já que sonhar é preciso, e viver não é. Navegar também é preciso...

Toca o barco. Me deixa dormir e sonhar. Me deixa um pouco em paz.

Eu sonho acordada também. Se não for assim, não tem jeito.

O sonho é sempre o mesmo, a vida também. O barco, não.

Que seja eterno enqüanto dure esse amor

Que dure para sempre

Que venha abençoado por Deus

Que seja diferente

Que tenha alegria

Que ponha fogo em mim

Quem é que não quer um amor assim


E de querer muito cantar pra espantar os males, fez-se o milagre.

E de acreditar tanto, pára de chover e nada se perdeu.

E de qualquer coisa, precisa acontecer o susto.

Aparece...

Quem acredita

Sempre alcança


Mas a realidade mata o sonho.

E eu preciso ir dormir.

Porque meu pai esmurra a minha porta às sete da manhã.

Porque esmurram a minha vida assim que o sol nasce.

E o sol sempre nasce.

Ainda bem que é luz.

Mesmo sem saída, a luz é sempre uma possibilidade.



Boa noite.

Bom dia.

Bom sol.

quarta-feira, 25 de junho de 2003

Um Dia Estranho

O namorado dela me ligou.

Tudo o que ele disse me comoveu muito

Com muita educação, delicadeza, honestidade.



Liguei pra minha mãe e disse: preciso conversar.

E conversei. Ou algo do tipo.

Espero que ela me perdoe por não ter podido mais não falar.

Não sei ainda se foi bom ou ruim, mas sei que era o que eu devia fazer.



Só o tempo vai dizer...

terça-feira, 24 de junho de 2003

Desabafo, ainda que tardio

Ai, tô tão cansada... Cansada mesmo, por dentro. Já não é de hoje que eu não quero mais brincar. Mas fico tentando, tentando. Agora tô me cansando de tentar. Não quero mais. Cansei. Cansei do inferno que é ser filha do meu pai. Cansei de ele ser tão legal mas infernizar a minha vida com regras e exigências. Eu não quero tomar conta de nenhum negócio, eu não me importo em ter milhões no banco, eu não quero, não quero! O que é que eu faria se não tivesse uma casa, comida, carro, roupa lavada? Sei lá, pai, eu ia me virar... Chega de me perguntar isso como se eu tivesse culpa de ter nascido nessa família. Eu cansei desse papo! O senhor cansou também? Cansou da bagunça do meu quarto? (Veja bem, eu tenho quase 30 anos!) Cansou de eu acordar às 9h e não às 6h? Cansou dos meus horários, da minha ausência? Ótimo, então tome uma atitude. Me mande andar, mas chega de me encher, pelo amor de Deus! Ah, que Deus, né...você nem acredita... Mas, na boa, eu não agüento mais! Não quero mais vir pra esse escritório só pra te agradar. Porque isso não significa nada pra mim. Não é assim que eu te agrado e que eu reconheço tudo o que você faz por mim - mas, diga-se de passagem, eu nunca pedi... foi você que quis ter filhos... - Eu te agrado e te demonstro isso de tantos outros jeitos... Mas nunca basta! É insuportável viver assim! A gente precisa calcular cada passo, catar cada migalha do chão... Eu cansei de ficar evitando te encontrar sozinho porque já sei que vem cobrança, reclamação, blá, blá, blá... Chega, juro! Já não bastasse todas as minhas frustrações que preciso administrar...Já não bastasse a falta de quem eu amo, que acarreta na falta de vontades, de planos, de tudo, ainda preciso viver nessa angústia com quem deveria ser meu porto-seguro, minha família, meus maiores amigos. Eu vou enlouquecer, vou explodir, sei lá pra onde eu vou. Mas desse jeito não agüento mais! Passei dessa fase, está na hora de vocês notarem. Trabalhei igual uma louca desde sempre. E a vida inteira tive de ouvir reclamações por causa disso. Agora resolveram me infernizar por qualquer outra coisa. Vocês vão me infernizar sempre, eu já entendi! Nada do que se faz está bom! Nada vale nada! Só vale acordar de manhã pra ir fazer dinheiro nesse "império" que você construiu! Mas não me interessa, será que dá pra entender? Se é esse o preço pra estar bem com vocês e merecer esse teto, esse carro, esses finais de semana e seja mais o que for que seu dinheiro pode pagar, então não quero! Eu não preciso de luxos, me perdoe. Mas EU NÃO PRECISO! Me deixa em paz um pouco. Olhe um pouco com bons olhos todo o meu esforço na direção de tantas outras coisas... Sei lá. faz alguma coisa que não seja me cobrar, cobrar, cobrar... Eu quero ir embora daqui, quero tirar esse peso das minhas costas. Porque é um peso, sim. Foi um peso a vida inteira. E a vida inteira eu tentei driblar isso e achar um caminho de paz. Mas não existe. Simplesmente não existe e essa conclusão absoluta me aterroriza. Porque agora não tem mais o que fazer. É isso. Tá aí escancarado. O que eu vou fazer, não sei. Provavelmente nada do que eu gostaria. Porque eu realmente gostaria de sumir, ir embora, talvez não voltar. E infelizmente amo demais a minha família para ter essa coragem. Mas que eu preciso fazer alguma coisa, isso é certo. Tem um piano em cima de mim cada vez que vou chegar em casa... E outro piano cada vez que penso que posso chegar lá e encontrar o meu quarto destruído. Destruído pela sua intolerância. Destruído por esse perfeccionismo doentio seu. Coisas de que, definitivamente, eu não tenho culpa. É por essas e outras que não quero mais ter filhos. Não posso correr o risco de fazer igual com eles. E também não preciso ter esse poder sobre ninguém. Só espero que exista mesmo um Deus que um dia te mostre o peso - apesar de todas as coisas boas - o peso enorme que você me fez sentir a vida inteira.


NoCommentsPlease.

segunda-feira, 23 de junho de 2003



Você tem orgulho de quê?






sexta-feira, 20 de junho de 2003

Drummond e Eu



Eta vida besta, meu Deus.

quinta-feira, 19 de junho de 2003

Uma noite feliz...

Um ensaio, um japonês, uma conversa tão boa, algumas provocações, uma paixão que não sai de mim.

Uma vontade incontrolável, um pouco de respeito demais, um certo medo, um auto-controle perdido.

Uma ousadia, um monte de sorrisos, uns olhos lindos, outros olhos hipnotizados e cegos de algum amor.

Uma brecha, uma chance, um qualquer coisa, um carinho, uma simpatia, uma quase gentileza, um sim.

Um abraço, um beijo, um arrepio profundo, uma mordida, uma despreocupação, felicidade invisível.

Um convite, uma possibilidade, uma esperança, uma amizade especial, uma delícia.

Uma noite linda, um sono calmo, um sonho maravilhoso, uma manhã de sol, um dia feliz.

Você de novo me dando alegria. A gente brincando de inconseqüência. A gente sempre bem.

Sempre.

De qualquer maneira.



Pode até parecer fraqueza

Pois que seja fraqueza, então.

A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer...

Se amanhã não for nada disso

Caberá só a mim esquecer.

O que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber...




Brigada.

Hoje no meu espelho diamantes nos olhos.

Mulheres Apaixonadas II

- Sinto tanta falta de você.

- Eu morro todos os dias.


quarta-feira, 18 de junho de 2003

Interlúdio

(Cecília Meireles)



As palavras estão muito ditas

e o mundo muito pensado.

Fico ao teu lado.



Não me digas que há futuro

nem passado.

Deixa o presente - claro muro

sem coisas escritas.



Deixa o presente. Não fales.

Não me expliques o presente,

pois é tudo demasiado.



Em águas de eternamente,

o cometa dos meus males

afunda, desarvorado.



Fico ao teu lado.




Quando você quiser.


terça-feira, 17 de junho de 2003

Todos os dias da minha vida

Como foi bom ouvir a sua voz depois de tanto tempo...

Eu te amo, não tem jeito. Se não for você, não quero ninguém.

Eu vou te esperar pra sempre. Pra sempre, eu prometo.

Senti aquela coisa no peito, aquele aperto de não saber.



Não sei nada, além disto:

Te amo e vou te amar e te esperar todos os dias da minha vida.



Não quero ter rumo se não for ao teu lado.

Nada importa se não for pra dividir com você.



A verdade é que não te achei feliz.

E isso me dá uma esperança que eu não devia ter.



Mas eu tenho, eu tenho, eu tenho...

Porque esse amor que eu sinto não acaba.

O tempo passa e só me acostuma à sua ausência.

Mas o amor não passa.

Igual a você não existe ninguém.

E eu também não quero que exista.

Já achei a pessoa com quem quero envelhecer.

Se não puder ser... não quero ser nada.



"Se eu não te amasse tanto assim

Talvez perdesse os sonhos dentro de mim

E vivesse na escuridão..."



Eu te amo

Eu te amo

Eu te amo



Obrigada por você existir e ter me feito sentir essa coisa maravilhosa que é amar sem medida e com a maior felicidade que se pode ter nessa vida. Obrigada por ter falado um pouco comigo hoje, me contado de você, da sua vida... Obrigada por ter falado de mim e, mais uma vez, ter confirmado a minha certeza do quanto você é especial. Obrigada porque a gente ainda tem muitos anos pela frente. E se você nunca voltar, sei lá... obrigada por já ter vindo.

segunda-feira, 16 de junho de 2003

De como me faltam coisas mesmo tendo tanto

Direito de reclamar eu não tenho. Mas, falta.

Falta tempo.

Falta alguém pra dividir o tempo que falta.

Falta um rumo pra vida...

Porque falta alguém.

Faltam horas de sono, ou sobra desperdício.

Falta alguém que me acorde.

Faltam planos.

Falta a vontade de fazê-los.

Falta quem faça planos junto.

Faltam músicas felizes.

Falta conversar com a minha mãe.

Falta minha irmã aqui.

Falta ver meus sobrinhos.

Falta saber de você...

Falta carinho.

Falta fé.

Faltei.

sexta-feira, 13 de junho de 2003

Outra Retrospectiva da Vida



Arte, Letras, Curiosidade, Inteligência, Teimosia, Ousadia, Generosidade, Incompreensão, Carência, Frustração, Sensibilidade, Empenho, Amizade, Necessidade, Intolerância, Impulsividade, Máquina de Escrever, Livros, Teatro, Medo, Exclusão, Centro, Liderança, Desprezo, Confusão, Revolta, Certeza, Desamor, Solidão, Insuportabilidade, Fuga, Individualidade, Capacidade, Iniciativa, Sucesso, Conquista, Vontade, Saudade, Fase, Estranhamento, Liberdade, Maturidade, Retorno, Dúvida, Novidade, Busca, Trabalho, Novas Diretrizes, Autenticidade, Dedicação, Chance, Absorção, Brilho, Susto, Amor, Paz, Alegria, Felicidade, Interação, Reciprocidade, Plenitude, Cuidado, Segredo, Deslumbramento, Loucura, Desespero, Força, Coragem, Apego, Motivação, Planos, Crença, Fé, Desejo, Hipnose, Vício, Unidade, Cumplicidade, Submissão, Parceria, Beleza, Profundidade, Paixão, Entrega, Construção, Vida, Comodidade, Desistência, Impotência, Covardia, Pequenez, Abandono, Sofrimento, Morte, Depressão, Desinteresse, Destruição, Escuridão, Fraqueza, Falta de Rumo, Sono, Inércia, Racionalidade, Súplica, Entendimento, Tentativa, Recusa, Esforço, Conformismo, Respeito, Esvaziamento, Procura, Inquietude, Desesperança, Descanço, Desilusão, Sonho, Realidade, Luz, Possibilidade...





quarta-feira, 11 de junho de 2003

Uma Retrospectiva da Vida



Monte Líbano, Volley, Lu, Acampamento, Iracema, Recife, Skate, Fazenda de Campos, Móbile, Guarujá, Caribe, Epcot em construção, Festa do Pijama no Eugênio C, Pink and Blue, Santo Américo, África do Sul, Diogo, Família, Afonso Brás 149, Vender bugigangas no portão de casa, 240-1083, Lotito, Reveillons do clube, Chá de cozinha da Elô, Camilla, Bia, Minha irmã Dani, Prédio da Fernanda, Thaiti, Sidney Magal, Teatro, Ascona, Fliperama de graça, Ginástica de manhã, Joel e o violão, Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar..., Conjunto bege, Bermuda do arco-íris, Jardineira do Snoopy, Chile, Roberta e Dudu, Dri e André, Dani e a mão que protege da brecada, Pinguin que o Ivan deu, Toninho, Atibaia, Gui, Peraltas, Matrícula condicional, Mara Zammar, Cristiana Oliveira, Mirella, Dom Geraldo, Encontro de Jovens, Fafá, Educação Física, Vespa, Cell Lep, Terceiro Colegial, Dani, Patis, Rosinha, Boston, ELS, Linda Thomas, Sex on The Beach, Alejandra, Andy, Virinha, Murilo, The Actors Workshop, Tio Dinho, Consagradas, Lucia, Tatá, Ciça, ESPM, Band, Dan, Lombrigas Automáticas Não Sabem Trocar Fuzível, Professora Sandra, Come filha, Se Essa Rua Fosse Minha, Regi.

Fábio Jr, Futsal, Alameda Campinas, Economíadas, Juca, Oito, Tipo prata, Tipo preto GIG 1976, Halls de cereja, Trident, Krot, Pasta e Paillard, Gendai, Gueri-Gueri, Macaquinho Branco, Amarelo, Roxo, Catchup e Mostarda, Zélia Duncan, Sr. Pula-Pula, Felícia, Qué morá com nóis, Arraial d’Ajuda, Salvador, Carnaval, Crocodilo, Tabaréu, Morro de São Paulo, Depoi passô a mão tava cá má ropinha, Dor de cabeça, Remédio que dá sono, Jaguariuna, Citroen prata, Escort Preto, PCM, Programa de Trainees, Editora Abril, Rapha, Praça Vila Boin, Fiam, Valle Nevado, Vinho tinto Santa Helena, Adora Doces, Morte.

Tapa, Bastos, TV Globo, Marília, Curso Abril de Jornalismo, Amauri, Kratong, Globonews.com, Clarice, Daninha, Crisinha, Gota d’Água, Audi A3 preto GIG, Fábio Jr Acústico, Meus Sobrinhos, Amídalas.

E o resto.



quinta-feira, 5 de junho de 2003

O verbo Querer é intransitivo
Ela chegou em casa naquela madrugada pensando em como seria bom se apaixonar de novo se fosse recíproco. Como seria bom qualquer coisa, se fosse recíproco. Nem precisava ser uma paixão avassaladora, bastava ser bom, e recíproco. Ela pensou em tantas coisas pra dizer e pra fazer... se fosse recíproco. Ela tem um pouco de esperança, mas às vezes acha que é tudo tão racional... Uma grande bobagem, talvez. Talvez nunca saiba ao certo. Mas queria.

Vim no carro escutando músicas que me trazem lembranças, mas pensando nas letras que eu queria pôr pra você ouvir. Pensando nas músicas que eu queria ligar a você e então teríamos a nossa trilha sonora desde o começo. Sem pretenção nem planejamento... só estava pensando e sendo um pouco feliz com a possibilidade da sua presença no banco ao meu lado. Ou a minha presença no banco ao seu lado. Vim cantando pra você algumas coisas, e sorrindo como se você pudesse me ver. Você que, na verdade, poderia ser outra pessoa. Mas é você porque as circunstâncias te trouxeram. Não é ruim pensar assim. Porque não deixa de ser um sentimento sincero e nobre. É você, afinal. Tenho te dado sinais de tudo isso e acho que é tão claro. Nem sei por quê, ou pra quê, afinal não te sinto perto quando estamos perto. E te sinto a milhas quando estamos longe. Auto-orientação, me disse uma amiga. Acho que é isso. Tenho me auto-orientado... Tenho me auto-preenchido. Tenho me auto-convencido. Auto-piedade. Auto-amor. Não sei mais o que fazer pra te mostrar a porta aberta. E sei menos ainda como identificar se a porta aberta te interessa... Portanto, mais uma vez, vou acabar deixando pra lá. Mas não tem problema. Vou dormir e amanhã quase já esqueci.

Ela assistiu a novela que tinha gravado. E pensou em como tem se comovido com aquelas histórias... Já é tão tarde e ela precisa estar de pé, e disposta, daqui a algumas horas. Aquele teatro lotado de crianças vai tirá-la do ar por alguns longos minutos, e ela queria dormir bem pra aproveitar bem esses minutos. Mas já não foi. Cada palavra digitada é um momento a menos de sono. Cada lembrança cheia de saudade é mais uma onda da maré contrária à auto-tentativa de amar de novo. Cada silêncio respirado profundo é mais um lapso de certeza da ilusão que você tem sido. Ela cansa.

Preciso descansar.
Até amanhã.
Tomara que sem Querer.
Ou tomara que Querida.
Preciso.

quarta-feira, 4 de junho de 2003

Meus sonhos se perderam no momento em que você me disse adeus

Eu fiquei sozinho

Mais uma noite sem você

Triste e sem carinho

Com tanta coisa pra esquecer



Tão só, tão só

Meus sonhos se perderam no momento em que você me disse adeus

Tão só, tão só

Eu me acustumei a ver a vida pela luz dos olhos teus



Se não me queria

Não sei por que me conquistar

Se era fantasia

Por que me fez apaixonar



Tão só, tão só

Meus sonhos se perderam num momento em que você me disse adeus

Tão só, tão só

Eu me acustumei a ver a vida pela luz dos olhos teus

...

Tão Só, Só Pra Contrariar




segunda-feira, 2 de junho de 2003

Por favor

Quanto a mim....

O amor passou.

Eu só lhe peço que não faça como a gente vulgar,

e não me volte a cara quando passe por si,

nem tenha de mim uma recordação

em que entre o rancor.

Fiquemos, um perante o outro,

como dois conhecidos desde a infância,

que se amaram um pouco quando meninos, e,

embora na vida adulta

sigam outras afeições,

conservam num escaninho de alma,

a memória do seu amor antigo e inútil.

De Cartas de Amor, Fernando Pessoa




...Mas pra mim, de amor, foi tudo o que tive de útil nesta vida.


quinta-feira, 29 de maio de 2003

Das minhas tentativas diárias

Eu tento não pensar mas esta cabeça vazia me trai.

Este você tão presente o dia inteiro.

Um novo som, uma nova cor

Um novo tom, uma nova dor

Outra loucura...



Existe um você novo, que pode se tornar um novo amor.

Mas talvez exista só o meu olhar, sem espelho.



É um esforço constante pra mudar essa rotina que parece não ter fim.

Esse costume de te ter no pensamento todo o tempo.



Eu estou em vários lugares novos, diferentes, interessantes.

E eu olho nos olhos de quem me desperta uma alegria qualquer...



Faço a minha parte. Ou pelo menos o que acho que ela é.

Tenho sido inteira, você sabe. Ou pelo menos tento muito.



Acho que consigo muita coisa. Menos o que eu realmente preciso.

Muita gente me chama, pra muitas coisas. Mas ninguém me chama para si.



Não quero mais o espelho. Nunca quis.

É que em você eu me via melhor.



Então eu só queria pedir a Deus, ou a alguém, que o novo você não seja ilusão.

Ou que pelo menos me abrace uma noite, para termos certeza de que não é.



Ou então que me abrace muito.

Que me faça voltar a fazer planos...

Depois de todos esses anos...

Que me ame.



Se nada acontecer, volto ao começo, desse meio, sem fim.

Se nada acontecer, eu tive você e isso me consola.



Mas que aconteça.

Se você me olhar bem, vai ver.

Talvez, se você me olhar bem, vai me amar.

E se você me amar, eu vou te amar também.



Have faith.

I do.

domingo, 25 de maio de 2003

O Centro do Espelho

Eu tento.

Tento inventar uma nova paixão.

Um novo pensamento, uma empolgação.

Mas não adianta. É você. Só você.



É você

Só você

Que na vida vai comigo agora

Nós dois na floresta e no salão

Nada mais

Deita no meu peito e me devora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora



É você

Só você

Que invadiu o centro do espelho

Nós dois na biblioteca e no saguão

Ninguém mais

Deita no meu leito e se demora

Na vida só resta seguir

um risco, um passo, um gesto rio afora

Na vida só resta seguir

Um ritmo, um pacto e o resto rio afora

É Você, Tribalhistas


sexta-feira, 23 de maio de 2003

Quem não tem pra quem se dar

O dia é igual a noite

Tempo parado no ar, há dias

Calor, insônia... Noite

Quem ama vive a sonhar de dia

Boa Noite, Djavan


quinta-feira, 22 de maio de 2003

Por que me apaixonei por ela

Li este texto há tempos na Revista TPM. Hoje me deparei com ele de novo. E quis guardá-lo aqui. Acho de uma beleza indescritível a capacidade que uma pessoa pode ter, inclusive no momento mais difícil de uma vida em comum, a separação, de mostrar por que foi que a gente se apaixonou por ela um dia. E continua apaixonada.



Eu poderia ter escrito tudo isso. Exatamente assim. Porque ao seu lado, e incentivada por você, cresci, amadureci e fui feliz. Líamos na cama, levávamos os sobrinhos ao cinema, escolhíamos os filmes do fim de semana, o sabor do sorvete, a próxima viagem. Conversávamos sobre a vida, planejávamos o futuro, tentávamos entender o passado e ríamos muito. Ríamos das coisas engraçadas, das coisas tristes, das coisas bobas, das coisas sérias... Você me fez ver o que eu jamais teria visto sem você. Me fez chegar a lugares que eu talvez levasse uma vida para chegar, se chegasse. Me fez ser um tipo de pessoa que eu muito provavelmente nunca conseguiria ter sido. Me fez optar pela estrada certa, mesmo não sendo a mais fácil ou nítida. Você foi embora, mas deixou seu sorriso perfeito, branco, aberto, sincero, sempre apaixonado.



E você me coçava as costas, como se aquilo fosse para mim a maior felicidade do mundo! E era. Esse amor não vai acabar nunca. Eu tenho (ou tive) sorte. De detalhes e de pessoas. Muita sorte.



Quando o amor não acaba

Milly Lacombe



A culpa – porque sempre existe culpa quando se trata dessas coisas do coração – foi de uma calça cor-de-rosa da Levi’s. Uma dessas 501, de cintura baixa, bem baixa. Quando ela entrou na redação usando aquela calça, fiquei maluca. Mas ali não havia muito o que fazer. Ela tinha namorada, era praticamente casada, e eu teria que me contentar com as sempre bem-vindas, mas muitas vezes insuficientes, fantasias. Foi esse meu primeiro contato visual com a Tati, minha mulher e companheira nos últimos dez anos.



Depois do episódio da Levi’s rosa, como elas – calça e proprietária – não me saíam da cabeça, decidi investir numa improvável amizade e esperar por uma janela de oportunidade. E fui me aproximando, ficando mais íntima, mais amiga, confidente, conselheira, até que, finalmente, já completamente apaixonada, vi uma brecha. No começo, foi um relacionamento tumultuado, cheio de idas e vindas, de traições e culpas. Até que ela resolveu se mandar sozinha para uma temporada na Califórnia e, quatro meses e 11 mil milhas depois, lá estava eu atrás dela, na terra onde o sol sempre brilha. E foi então que minha alma percebeu que havia chegado em casa. Tati era tudo pra mim. Me dava colo, conforto espiritual, me aprumava, me acariciava, me namorava.



Ao lado dela, e incentivada por ela, cresci, amadureci e fui feliz. Tati cuidava da grana, da comida, das burocracias pentelhas do dia-a-dia e, claro, de mim. Eu ficava incumbida de lavar a louça, de fazer ela rir e de dançar devagarinho com ela na sala, à noite, bem tarde, enquanto o mundo dormia. Juntas, fazíamos supermercado, ginástica, líamos na cama, levávamos os sobrinhos ao cinema, escolhíamos os móveis da sala, os filmes do fim de semana, o sabor do sorvete, a próxima viagem. Conversávamos sobre a vida, planejávamos o futuro, tentávamos entender o passado e ríamos muito. Ríamos das coisas engraçadas, das coisas tristes, das coisas bobas, das coisas sérias – em minha memória, existe um arsenal imenso de risadas compartilhadas com minha companheira de cabelos castanhos, pele e olhos cor de mel.



Tati dormia abraçada comigo, me coçava as costas, lia meus textos antes de publicados, fazia correções, sugestões e colocava a cabeça em meu ombro quando falava, sempre com extrema competência e simplicidade, sobre as coisas mais profundas da vida. Levava vinte minutos escovando os dentes antes de deitar porque estava convencida de que assim evitaria futuros problemas na gengiva, passava creme no rosto dando tapinhas leves na testa e na bochecha num ritual delicioso e que todas as noites me fazia rir, dormia sempre de bruços e sempre muito silenciosamente, e, antes de engolir qualquer bebida, “mastigava” o líquido para “fazer com que ele descesse mais quentinho”.



Ela me fez ver o que eu jamais teria visto sem ela. Me fez chegar a lugares que eu talvez levasse uma vida para chegar, se chegasse. Me fez ser um tipo de pessoa que eu muito provavelmente nunca conseguiria ter sido. Tati me fez acreditar que eu podia, que eu devia, que eu precisava ouvir os anseios mais profundos da minha alma. Me fez optar pela estrada certa, mesmo não sendo a mais fácil ou nítida.



Há algumas semanas, Tati e eu decidimos seguir caminhos separados. Depois de passar dez anos respirando o mesmo ar que ela, estou reaprendendo a dar meus passos sem ser amparada, sem ser observada, sem minha maior admiradora e fã. E foi durante o sempre doloroso processo de separação, esse que divide CDs, livros, guarda-roupa (no caso de casais gays, claro) e a alma, que ela me fez ver com clareza exatamente por que me apaixonei perdidamente por ela há dez anos.



Tati é magnânima, delicada, inteligente, doce, sensível, carinhosa, linda e, acima de tudo, me ama com um tipo de desinteresse genuíno que normalmente esperamos receber apenas de nossos pais.



Em minha memória, sobraram fragmentos de imagens apaixonadas, engraçadas, divertidas, inesquecíveis: ela e eu decidindo o jantar daquela noite, fervendo a água para o macarrão, brindando nosso relacionamento com vinho tinto, rindo alto de algum episódio de Friends, fazendo panqueca no café-da-manhã, jogando raquetinha na praia, tênis no clube, comprando pão francês na padaria, o quindim do Pinheiros, correndo na pracinha, conversando na cama antes de dormir, brincando de fazer amor.



Tati me fez mulher, me fez feliz, me fez quem sou. Tati foi embora, mas deixou seu sorriso perfeito, branco, aberto, sincero, sempre apaixonado. E a Levi’s cor-de-rosa, evidentemente. Porque ela sabe que os ciclos da vida são feitos de pequenos e aparentemente insignificantes detalhes – e de pessoas. Pessoas, para os que têm sorte, como a Tati.


...

Too lonely to write.

Too lonely to read.

To lonely to think.

Too lonely to live, sometimes...

terça-feira, 20 de maio de 2003

Sentidos Invisíveis

Frases soltas fazem o sentido que quer quem as lê.

Without a Trace é simplesmente um seriado que passa na WB.

Que vi outro dia. E de onde roubei falas...

Incrível como fazem um sentido pra mim.

E, então, pra você talvez o mesmo, talvez outro, talvez nada.

O olhar de cada um é uma ilha de edição.




segunda-feira, 19 de maio de 2003

Without a Trace

Ela tem as histórias dela e eu faço justiça.

Seu segredo está seguro comigo.



Tomando grandes decisões?

Respire fundo. Não posso adivinhar as coisas. Conte.

Desculpe, mas... eu não te conheço.

Desculpe, mas não vai querer me conhecer.

Não se lamente. Só cuide disso, ok?!



A fonte.

O advogado.

Obrigado por vir.

Vou me retirar.

Sente-se. Eu mando aqui.

Estou sendo acusada de algo?



Qual é o próximo passo?

Atiçar o fogo.



Quem é?

A última obssessão dela.

Vai contar do que se trata?

Sinto muito.

Ouça...

Vá.

Vai dar tudo certo.



Chegou a sua hora.

O que está havendo?

Não sei... How the hell should I know?

É o seu dia de sorte.



Acabou.

Você está bem?

Estou.



Acha que ela está morta?

Sim.







domingo, 18 de maio de 2003

Mil dias antes de te conhecer



Tempo, tempo

Mano velho

Falta um tanto ainda, eu sei

Pra você correr macio...

Tempo, tempo, tempo, mano velho

Vai, vai, vai, vai, vai, vai...

Tempo amigo

Seja legal

Conto contigo

Pela madrugada

Só me derrube no final...




Mas às vezes demora pra curar.

O tempo passa, mas demora.

Já faz tanto e parece que foi hoje cedo!

Parece que foi hoje, mas faz tanto...

Há oito te conheci.

Há três não conheço mais.

Há 28 sinto sua falta.

Serão cem?




quarta-feira, 14 de maio de 2003

Parece que foi hoje

Parece que foi hoje cedo...

Parece que foi hoje que a gente se conheceu.

Que fomos ao cinema e esquecemos da hora.

Que erramos o caminho e ninguém ligou.

Parece que foi hoje que te vi andar e decorei como era.

Parece que senti hoje o cheiro daquele perfume que é você.

E parece que foi hoje que comecei a usá-lo também.

Parece que hoje foi o dia em que você dirigiu meu carro.

Parece que foi hoje que dormimos todos na sua casa...

Embriagados, depois de amanhecer, sem saber bem onde estávamos.

Parece que foi hoje que a sua casa virou meu lugar favorito.

Que hoje eu faltei no trabalho pra passar a tarde com você.

Que eu parei o carro no cruzamento e nos abraçamos por mais de uma hora.

Parece que foi hoje que a gente cantou no carro aos berros.

E que eu decorei a chapa do seu Tipo preto.

Parece que foi hoje que tudo o que eu vejo quero comprar pra você.

Parece que hoje eu chorei de saudade porque você foi viajar sem mim.

Parece que foi hoje que a gente tentou se separar e não conseguiu.

Parece que hoje a gente comprou as passagens pra Salvador.

E parece que foi hoje que você, por mim, topou ir no Crocodilo todos os anos.

Parece que foi hoje que eu te agradeci mil vezes por você existir.

Parece que hoje eu me senti a pessoa mais amada do mundo.

E tive aquela certeza de querer passar a vida inteira com você.

Hoje parece que você chegou aqui com sanduíche do Mc e acendemos a lareira.

E parece que foi hoje que eu te ensinei a gostar de comida japonesa.

Parece que foi hoje que a gente se fantasiou de catchup e mostarda.

E que andei com você, cheia de orgulho, por aquela festa à fantasia.

E parece que foi hoje o casamento da Pati.

E nós naquela mesa, os casais mais lindos do Leopoldo!

Parece que foi hoje que você me acalmou.

E me fez parar de chorar, e me melhorou.

Parece que hoje você me disse eu te amo com a carinha mais linda do mundo.

Parece que foi hoje que a gente imitou criança.

E que depois do escuro cê tava cá má ropinha.

E parece que hoje cê me falou: fiz arte!

Parece que foi hoje que a gente chegou no Arraial d'Ajuda.

Naquela pousada linda, naquele lugar só nosso.

Parece que hoje eu te olhei e tive medo de te perder um dia.

Parece que hoje eu te olhei e tive medo de te perder pra sempre.

Ai, parece que foi hoje que larguei tudo só pra te ver por um minuto.

E que a gente furou os dois pneus do carro na 9 de julho.

E parece que foi hoje que a sua irmã chegou em casa de surpresa.

E que a gente quase morreu do coração!

Parece que foi hoje que você me fez gostar de praia.

E que eu te convenci a mergulhar só um pouquinho.

Parece que hoje eu acordei com você e passamos o domingo à toa vendo TV.

Parece que foi hoje que pensei que minha vida com você não tinha fim.

Parece que foi hoje que a gente pediu comida no América.

E que depois chegamos tão tarde na festa da ESPM!

Parece que hoje a gente chegou em Valle Nevado e eu pensei que era um sonho.

Parece que foi hoje que você me ensinou a beber vinho tinto.

E que você aguentou meu mau humor e que me fez querer mudar.

Parece que foi hoje que a gente preencheu a ficha pro programa de trainees.

E que você foi me buscar depois da dinâmica e ficou me ouvindo contar.

Parece que foi hoje que passamos a noite em claro terminando o PCM.

Parece tanto que foi hoje que a gente chorou porque não queria ir embora.

Parece que foi hoje que eu quase morri quando decidimos terminar.

E parece que foi hoje que a gente não aguentou e voltou atrás.

Parece que foi hoje que eu me dei conta de que é você que eu amo.

Parece que hoje eu descobri que amar é só a alegria que tenho ao seu lado.

Parece que foi hoje que nos encontramos no aeroporto por 30 segundos.

E parece que foi hoje que deixei bilhete no seu carro e presente na portaria.

Parece que foi hoje que armei pra te mandar a cesta de café-da-manhã.

E que hoje passamos tanto medo de que alguma coisa tivesse acontecido.

Parece que foi hoje que você chorou e me deu todas as cartas pra eu guardar.

Parece que eu dormi com dor no braço só pra não largar sua mão.

E que eu passei frio porque não quis te acordar pra puxar o cobertor.

Mas parece que foi hoje que eu acordei e chorei de emoção só de te ver ali.

Parece que foi hoje que pegamos a estrada e fomos pro haras pela primeira vez!

E que nos prometemos ser fiéis, e que decidimos ser felizes de qualquer jeito.

Parece que foi hoje que conversamos sobre tudo e dividimos segredos.

Que eu escrevi no meu diário que não podia mais viver sem você.

Que eu escrevi no meu diário que nunca tinha sido feliz assim...

Parece que foi hoje que eu te dei uma caixa amarela lotada.

E que você disse que tinha encontrado tudo o que procurava.

E que você escreveu: todo meu prédio já sabe que eu tenho um amor.

Parece que foi hoje que eu te implorei para não ir embora.

Parece que foi hoje que você me deu uma das cartas mais lindas que já li.

Parece que foi hoje que assisti seu jogo e senti o maior orgulho dos seus gols.

E parece que hoje foi o dia em que virei sua fã pra sempre.

Parece que foi hoje que compramos meu bolo de aniversário aí na frente.

Parece que foi hoje que você me ensinou tudo o que eu sei.

Parece que hoje você me ajudou na cena pro meu teste.

E parece que foi hoje que você disse que eu era a sua atriz favorita.

E parece que hoje eu morri de orgulho te assistindo no final da peça.

E morri de rir te vendo cantar Se essa rua fosse minha...

Parece que hoje eu peguei as nossas fotos e fiquei te olhando sem fim!

E hoje eu te liguei de longe e te disse que sem você nada tinha graça.

E parece que foi hoje que te cantei em italiano Senza Te.

E que cantamos tão bem La Solitune e Alma Gêmea no karaokê...

E chorei de saudade e de alegria por ter você ao meu lado.

Parece que foi hoje que olhei pra minha vida e ela me bastava.

Parece que foi hoje que eu fiz planos e quis viver cem anos, com você.

Parece que foi hoje cedo.



Parece que essa dor não vai passar nem se existir outra vida.

domingo, 11 de maio de 2003

Mãe

Já me ensinaram que Dia da Mãe é todo dia.

Mas já que inventaram que é hoje, aproveito pra falar umas linhas da minha.

Eu amo muito a minha mãe. Temos muitas coisas em comum.

Damos MUITA risada às vezes e eu amo quando isso acontece.

Só com ela consigo compartilhar de verdade algumas coisas:

literatura que amamos, minhas filosofias, meus questionamentos sobre tudo...

histórias de família que adoro, as saudades da minha tia Dila...

Mas, temos muitas frustrações uma com a outra.

Algumas faladas, outras sentidas, outras ainda escondidas.

No fundo a gente sempre sabe. Mas pra quê se agredir, não é?

E como não dá pra trocar de mãe, nem de filha, nos amamos quando dá.

E eu continuo tentando fazer com que a gente tenha mais momentos bons.

Porque os nossos momentos bons são muito bons.

E quando a gente se ama é TÃO legal...

Sinto que com o tempo nada mais pode piorar.

Portanto, dias melhores virão.

E hoje foi bom. Rimos bastante.

Sabe, ela é bem engraçada de vez em quando...



Eu adoro a minha família, apesar de toooodos os pesares.

E estou MORRENDO de saudade da minha irmã querida, que teve hoje o primeiro dia das mães com a Sofia-mais-linda-desse-mundo-que-eu-amo-muito-e-não-vejo-a-hora-de-abraçar-e-esmagar... MEU AMOR!!!!!

quinta-feira, 8 de maio de 2003

Mulheres Apaixonadas

Não consigo acompanhar uma novela inteira há anos.

Mas sempre passo pela sala e sempre sei o que se passa.

Muito raramente alguma coisa me comove.

Mas hoje, eu confesso, estou chorando um choro fundo...

Por causa de uma cena de novela.

Porque eu vivi aquilo. E sei exatamente que dor é.

Porque eu queria tanto que tivesse sido diferente.

Porque eu não me conformo.

Ai, se dependesse só de mim...



Porque eu tenho tanta, mas tanta saudade...



E o mais incrível é que essa música já me dói há muito tempo.

Entre tantas músicas, esta. Que eu canto tanto desde então.

Às vezes parece que é de propósito.

Mas com que propósito, meu Deus?



Me encantaria te amar menos.

Mas como é que faz?



segunda-feira, 5 de maio de 2003

O QUE É ANGÚSTIA

Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra de que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria - o que também é uma forma de angústia.



Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. ou não se confessar nem a si próprio, ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai.



Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo?

Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda.



Clarice Lispector, em A Descoberta do Mundo




sexta-feira, 2 de maio de 2003

Lego com defeito

Há coisas que simplesmente não se encaixam.

A gente realmente não se encaixa em algumas situações.

Eu, definitivamente, não me encaixo em alguns ambientes.

Claro que a pessoa tenta, vai, olha, pensa, repensa, se questiona, se esforça... Mas não rola. N-ã-o-r-o-l-a!!

E então é hora de entender e aceitar que não encaixa e pronto.

Não adianta ficar nessa de forçar a peça redonda no buraco quadrado. Não vai...

Nem o formato da peça, nem o do buraco, vão mudar de uma hora pra outra.

E se, de tanto forçar, a peça se entortar e entrar, bela droga, você terá para sempre uma peça estragada.

A coisa é esta e está bem claro: Não me encaixo.

E quer saber, acho bom não me encaixar porque nada daquilo me agrada muito.



Agora eu só quero ter alguém comigo.

Penso no resto depois... Ou nem penso.

quinta-feira, 1 de maio de 2003

Mais um dia

Ainda é assim. Por mais que eu tente não ser.

Hoje quando comecei a despertar, com os barulhos do dia misturados no sonho, pensei em você.

Você me vem à cabeça sem eu te dar licença, sem eu te chamar, sem eu querer. Você vem.

Ainda nem abri os olhos, não virei o corpo na cama, e você já está aqui, essa sensação de não ter.

A primeira vontade é aquela vontade terrível de não acordar. Mas passei dessa fase faz tempo.

A segunda vontade é a vontade improvável de fazer alguma coisa e te achar, e você aparecer.

A terceira vontade é a impossível de o telefone tocar, de você voltar atrás, de nós, de novo.

Mas aí eu levanto, e pronto. É só mais um dia nessa vida...

terça-feira, 29 de abril de 2003

Improviso

Uma idéia. Um olhar. Uma sugestão. E pronto. Alguém se apaixonou.

Um minuto depois, um dia, um olhar mais profundo e acaba.

Mas aquele instante da sensação boa de apaixonar-se é introcável. Ainda que passe em seguida. Em mim é um momento em que todas as engrenagens começam a funcionar juntas e em velocidade. Mil palavras surgem pra dizer e ao mesmo tempo nenhuma é boa o suficiente. Então eu sempre digo qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Um comentário bobo que, se bem aproveitado, pode dar início a uma longa conversa. Mas naquele segundo da descoberta da paixão eu nem sei se o que a gente escuta é exatamente o que está lá sendo dito. Eu, no fundo, não escuto quase nada. E nem me lembro muito depois. Eu guardo, sim, a sensação. Aquela euforia, aquele descontrole histérico. Nem sei se é saudável. Pode ser ao mesmo tempo o momento em que se estraga qualquer possibilidade de ir adiante. Ah, mas é um mar. É aquela vista do mar no entardecer. Que você tenta enxergar o fim e não tem... Então começa a filosofar sobre a vida, o mundo, o amor.



Eu acho que o Amor de Improviso é mesmo assim, curto, rápido, estranhamente mágico e bom. E acabou. Até acontecer a próxima idéia, o próximo olhar, a próxima sugestão...

O próximo toque, talvez.



Você tá olhando pra mim?



Sobre o Amor:

Como uma coisa tão assustadora pode ser ao mesmo tempo tão boa?

Oscar Wilde



O amor é um conflito entre reflexos e reflexões.

Magnus Hirschfeld