desejo
um dia alguém me cantou isto.
e conseguiu o que queria.
agora eu canto pra você.
e espero conseguir...
ah! como eu queria
te dizer alguma coisa
que te afastasse do peito
toda essa angustia, esse medo
te devolvesse a alegria
te resolvesse os delirios
ah! como eu queria
te alucinar por completo
de tanto amor, tanto afeto
te recobrar a esperança
e te levar lá pra casa
pra eu cuidar de você
ah! como eu queria
te despertar já que o dia
nos deu o sol de presente
e a gente pode sonhar
ah! como eu queria
me esparramar no teu colo
te receber como a areia
recebe as ondas do mar
ah! como eu queria!
ah, como eu queria
Fabio Jr.
domingo, 30 de setembro de 2007
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Um dia
Caminhávamos, juntos e separados, entre os desvios bruscos da floresta. (...)
Que casas, que deveres, que amores havíamos largado - nós mesmos o não saberíamos dizer. Não éramos, nesse momento, mais que caminhantes entre o que esquecêramos e o que não sabíamos, cavaleiros a pé do ideal abandonado. Mas nisso, como no som constante das folhas pisadas, e no som sempre brusco do veneno incerto, estava a razão de ser da nossa ida, ou da nossa vinda, pois, não sabendo o caminho ou porque o caminho, não sabíamos se partíamos se chegávamos. E sempre, em torno nosso, sem lugar sabido ou queda vista, o som das folhas que escombravam adormecia de tristeza a floresta.
Nenhum de nós queria saber do outro, porém nenhum de nós sem ele prosseguiria. A companhia que nos fazíamos era uma espécie de sono que cada um de nós tinha. O som dos passos uníssonos ajudava cada um a pensar sem o outro, e os próprios passos solitários tê-lo-iam despertado. A floresta era toda clareiras falsas, como se fosse falsa, ou estivesse acabando, mas nem acabava a falsidade, nem acabava a floresta. Nossos passos uníssonos seguiam constantes, e em torno do que ouvíamos das folhas pisadas ia um som vago de folhas caindo, na floresta tornada tudo, na floresta igual ao universo.
Quem éramos? Seríamos dois ou duas formas de um? Não o sabíamos nem o perguntávamos. Um sol vago devia existir, pois na floresta não era noite. Um fim vago devia existir, pois caminhávamos. Um mundo qualquer devia existir, pois existia uma floresta. Nós, porém, éramos alheios ao que fosse ou pudesse ser, caminheiros uníssonos e intermináveis sobre folhas mortas, ouvidores anônimos e impossíveis de folhas caindo. Nada mais. Um sussuro, ora brusco ora suave, do vento incógnito, um murmúrio, ora alto ora baixo, das folhas presas, um resquício, uma dúvida, um propósito que findara, uma ilusão que nem fora - a floresta, e dois caminheiros, e eu, eu, que não sei qual deles era, ou se era ou dois, ou nenhum, e assisti, sem ver o fim, à tragédia de não haver nunca mais do que o outono e a floresta, e o vento sempre brusco e incerto, e as folhas sempre caídas ou caindo. E sempre, como se por certo houvesse fora um sol e um dia, via-se claramente, para fim nenhum, no silêncio rumoroso da floresta.
do Desassossego, Fernando Pessoa
terça-feira, 11 de setembro de 2007
sábado, 8 de setembro de 2007
Before Sunset
I feel I was never able to forget anyone I've been with.
Because each person have, you know, specific qualities.
You can never replace anyone. What is lost is lost.
Each relationship, when it ends, really damages me. I haven't fully recovered.
(...) I will miss of the person the most mundane things.
Like I'm obsessed with little things. Maybe I'm crazy, but...
When I was a little girl, my mom told me that I was always late to school.
One day she followed me to see why.
I was looking at chestnuts falling from the trees, rolling on the sidewalk...
or ants crossing the road... the way a leaf casts a shadow on a tree trunk...
Little things. I think it's the same with people.
I see in them little details, so specific to each other, that move me,
and that I miss, and... will always miss.
You can never replace anyone, because everyone is made of such beautiful specific details.
Celine, em Antes do Pôr-do-sol
que eu vi hoje depois de Antes do Amanhecer
e antes de Premonições, Como Água Para Chocolate e Indochina
I feel I was never able to forget anyone I've been with.
Because each person have, you know, specific qualities.
You can never replace anyone. What is lost is lost.
Each relationship, when it ends, really damages me. I haven't fully recovered.
(...) I will miss of the person the most mundane things.
Like I'm obsessed with little things. Maybe I'm crazy, but...
When I was a little girl, my mom told me that I was always late to school.
One day she followed me to see why.
I was looking at chestnuts falling from the trees, rolling on the sidewalk...
or ants crossing the road... the way a leaf casts a shadow on a tree trunk...
Little things. I think it's the same with people.
I see in them little details, so specific to each other, that move me,
and that I miss, and... will always miss.
You can never replace anyone, because everyone is made of such beautiful specific details.
Celine, em Antes do Pôr-do-sol
que eu vi hoje depois de Antes do Amanhecer
e antes de Premonições, Como Água Para Chocolate e Indochina
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
o rato
(caio fernando abreu)
Assim: do lado direito, um casal de velhos; do lado esquerdo, uma mulher com duas crianças atrás, dois rapazes de ar indefinido à frente, a toalha vermelha da mesa ampliando-se em perspectiva até a janela aberta para a noite. O ar ressecado estrangula os movimentos, depositado como poeira sobre as faces desfeitas de feições, expressões escorrendo em suor ao calor inesperado sobrevindo depois da chuva. Um rato caminha sobre uma das vigas de sustentação. Ele olha o rato, e o rato não o vê. Olha o rato, mas as outras pessoas não sabem que seu olhar olha o rato. Sozinho naquele bar, naquela rua, em todos os bares em todas as ruas do mundo, no mundo inteiro - sozinho: ele e o rato, natureza cinza equilibrada sobre quatro patas.
-Você prefere lasanha ou ravióli?
-O meu dia só existe porque você existe dentro dele.
-Garçom, por favor .
-Vou-me embora, não suporto mais este bar, este calor, esta mesa. Não suporto mais você.
-Eu quero batatinha frita.
-Hoje existir me dói feito uma bofetada.
-Sem cebola, por favor.
Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu. Não vê, mas pode sentir o toque áspero da pele recoberta de pêlos em suas mãos que seguram o garfo e a faca, e o toque é quase uma carícia - uma nauseante carícia de bicho à procura de qualquer coisa. (...)
-Não posso comer massa, meu bem, engordo horrores.
-Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas.
-Infelizmente o camarão acabou.
-Estou completamente cheio.
-Bem molezinha, com bastante sal.
-Mas este prato está sujo, que absurdo!!!
-Tudo dói, e eu já nem sei mais para onde ir nem o que fazer, se ao menos você me amasse um pouco, não estaria aqui e agora. neste bar. sozinho. longe de você e de mim.
O rato, agora, em passos hesitantes, a cauda enroscando-se em madeiras. Esfarela devagar um pedaço de pão, o miolo escorre por entre os dedos, feito água, feito vento, feito todas as coisas que passam e não marcam em nada, em nenhum recanto do corpo físico além de memória. (...) O sexo: ponto de chama entre as pernas. Estende a mão, mas o rato foge num movimento brusco.
-Prefiro carne, ao menos não engorda tanto.
-E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá mas é como se eu existisse dum jeito mais completo, entende?
-Temos peixe. Filé de peixe, serve?
-De repente parece que todo mundo vai começar a morder a gente.
-Feijão não, eu odeio feijão.
-Uma merda, tudo. Uma grande merda.
Súbito escorrega para uma região desconhecida, onde tudo se dilui em sombra, em silêncio. Na sombra e no silêncio, o rato desliza manso, subindo a parede até alcançar novamente a viga que o sustenta. A mulher o encarou ofendida: se você gosta de homem, o problema é seu, meu filho, não tenho nada com isso. Insistiu. O guarda o soltou e ele saiu caminhando de cabeça baixa, depois de ter jogado o cartaz na sarjeta: "O povo passa fome". Jamais olhava para trás, jamais: o que estava feito, estava feito, estava consumado, estava para sempre imutável, inamoldável, fechado em si mesmo, estanque: o tempo. (...) Eu pago, disse. Mas o rato voltou, sem que ninguém o veja.
-Tudo bem, um bife, mas bem pequenininho, bem passado e sem molho, hein?
-Ninguém toma de ninguém esse tipo de coisa, ninguém.
-Temos sopas, também. Madame é quem sabe.
-Me deixa ir embora. Eu não quero mais te ver. Nunca mais.
-Arroz? Mas eu só queria batatinha.
-E a faca? Será que é preciso comer com as mãos?
-Se ao menos dessa revolta, dessa angústia, saísse alguma coisa que prestasse.
Qualquer coisa: eu teria ao menos algo em que me segurar, qualquer coisa. O extremo da revolta seria a coisa feita, pronta para que segurassem nela. Eram vermelhos? Ou seriam azuis? Nunca vira os olhos de um rato bem de perto. Só a cauda, estendendo-se de elo em elo, até o final pontudo, como uma serpente. Não suportaria encarar um animal, qualquer que fosse. (...) A cama vibrava. A noite vibrava. O mundo vibrava. (...) A mão machucada de sustentar o grito do cartaz, os pés sob a revolta, os ombros doídos embaixo da contestação. Foi de repente que começou a correr para longe daquilo, esmagado pela exigência, pelo espanto de estar pedindo alguma coisa que nem para si era. Pedir exigia uma participação íntima que ele não tinha, e seus gritos ressoariam falsos por todas as esquinas, seus ombros curvariam ao peso acumulado, a cabeça baixa, rabo entre as pernas. O susto do rato com a bolinha de pão jogada sobre a cabeça.
-Imagine, ele falou que tinha achado o chapéu detestável.
-Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir.
-Quem sabe uma feijoada?
-Daqui a pouco vai começar a chover de novo.
-Tá bem, mas só se vier um sorvete depois.
-Quer fazer o favor de me alcançar o copo?
-Mas não sai nada. Nada. Nem uma lágrima.
Aproxima-se. Os olhos agrandaram na procura consumada em encontro, as patas avançaram para o objeto - o cinzento arrastando-se sobre o amarelo dos tapetes.
-Inveja, pura inveja, conheço demais essa gente.
-E no momento em que se confessa a precisão, perde-se tudo, eu sei.
-Não? Quem sabe então um... um... um...
-Não adianta insistir. Agora eu vou.
-De creme, não. Quero de morango.
-E essa coca-cola que não vem?
-Sei lá, vou dormir que é melhor.
Agrandava-se. Senhora dona Cândida, coberta de ouro e prata, descubra o seu rosto, quero ver a sua graça. Descobria-se. Afastava o ouro, a prata, as mãos que escondiam o rosto e dentro, o que havia? Contém-se e começa a contar-se baixinho: Era uma vez: assim: do lado direito, um casal de velhos; do lado esquerdo, uma mulher com duas crianças; atrás, dois rapazes de ar indefinido; à frente, a toalha vermelha da mesa ampliando-se em perspectiva até a janela aberta para a noite". E o rato. Quis gritar, mas era tão tarde, era muito tarde, era sempre tarde. Viu o garçom arrumando os pratos sobre a mesa, a fumaça elevando-se da comida quente. Mas a vidraça ainda não refletia a cor exata dos olhos. Baixou a cabeça para o prato, apoiado nas quatro patas cinzentas, o focinho fino, as pessoas esfarelando pães e jogando-lhe pedaços, espantou-se da delicadeza de suas próprias garras, da leveza de seu próprio corpo, agora apertam sua cauda entre os pés, e ele foge, tenta fugir, mas alguém sopra em seus ouvidos algo parecido com uma canção de ninar. Ou uma canção de guerra, de ódio, de nojo, de sangue, uma cantiga de roda, ou simplesmente um grito estridente, agudo, trêmulo, incompreensível. Um grito humano.
(caio fernando abreu)
Assim: do lado direito, um casal de velhos; do lado esquerdo, uma mulher com duas crianças atrás, dois rapazes de ar indefinido à frente, a toalha vermelha da mesa ampliando-se em perspectiva até a janela aberta para a noite. O ar ressecado estrangula os movimentos, depositado como poeira sobre as faces desfeitas de feições, expressões escorrendo em suor ao calor inesperado sobrevindo depois da chuva. Um rato caminha sobre uma das vigas de sustentação. Ele olha o rato, e o rato não o vê. Olha o rato, mas as outras pessoas não sabem que seu olhar olha o rato. Sozinho naquele bar, naquela rua, em todos os bares em todas as ruas do mundo, no mundo inteiro - sozinho: ele e o rato, natureza cinza equilibrada sobre quatro patas.
-Você prefere lasanha ou ravióli?
-O meu dia só existe porque você existe dentro dele.
-Garçom, por favor .
-Vou-me embora, não suporto mais este bar, este calor, esta mesa. Não suporto mais você.
-Eu quero batatinha frita.
-Hoje existir me dói feito uma bofetada.
-Sem cebola, por favor.
Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu. Não vê, mas pode sentir o toque áspero da pele recoberta de pêlos em suas mãos que seguram o garfo e a faca, e o toque é quase uma carícia - uma nauseante carícia de bicho à procura de qualquer coisa. (...)
-Não posso comer massa, meu bem, engordo horrores.
-Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas.
-Infelizmente o camarão acabou.
-Estou completamente cheio.
-Bem molezinha, com bastante sal.
-Mas este prato está sujo, que absurdo!!!
-Tudo dói, e eu já nem sei mais para onde ir nem o que fazer, se ao menos você me amasse um pouco, não estaria aqui e agora. neste bar. sozinho. longe de você e de mim.
O rato, agora, em passos hesitantes, a cauda enroscando-se em madeiras. Esfarela devagar um pedaço de pão, o miolo escorre por entre os dedos, feito água, feito vento, feito todas as coisas que passam e não marcam em nada, em nenhum recanto do corpo físico além de memória. (...) O sexo: ponto de chama entre as pernas. Estende a mão, mas o rato foge num movimento brusco.
-Prefiro carne, ao menos não engorda tanto.
-E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá mas é como se eu existisse dum jeito mais completo, entende?
-Temos peixe. Filé de peixe, serve?
-De repente parece que todo mundo vai começar a morder a gente.
-Feijão não, eu odeio feijão.
-Uma merda, tudo. Uma grande merda.
Súbito escorrega para uma região desconhecida, onde tudo se dilui em sombra, em silêncio. Na sombra e no silêncio, o rato desliza manso, subindo a parede até alcançar novamente a viga que o sustenta. A mulher o encarou ofendida: se você gosta de homem, o problema é seu, meu filho, não tenho nada com isso. Insistiu. O guarda o soltou e ele saiu caminhando de cabeça baixa, depois de ter jogado o cartaz na sarjeta: "O povo passa fome". Jamais olhava para trás, jamais: o que estava feito, estava feito, estava consumado, estava para sempre imutável, inamoldável, fechado em si mesmo, estanque: o tempo. (...) Eu pago, disse. Mas o rato voltou, sem que ninguém o veja.
-Tudo bem, um bife, mas bem pequenininho, bem passado e sem molho, hein?
-Ninguém toma de ninguém esse tipo de coisa, ninguém.
-Temos sopas, também. Madame é quem sabe.
-Me deixa ir embora. Eu não quero mais te ver. Nunca mais.
-Arroz? Mas eu só queria batatinha.
-E a faca? Será que é preciso comer com as mãos?
-Se ao menos dessa revolta, dessa angústia, saísse alguma coisa que prestasse.
Qualquer coisa: eu teria ao menos algo em que me segurar, qualquer coisa. O extremo da revolta seria a coisa feita, pronta para que segurassem nela. Eram vermelhos? Ou seriam azuis? Nunca vira os olhos de um rato bem de perto. Só a cauda, estendendo-se de elo em elo, até o final pontudo, como uma serpente. Não suportaria encarar um animal, qualquer que fosse. (...) A cama vibrava. A noite vibrava. O mundo vibrava. (...) A mão machucada de sustentar o grito do cartaz, os pés sob a revolta, os ombros doídos embaixo da contestação. Foi de repente que começou a correr para longe daquilo, esmagado pela exigência, pelo espanto de estar pedindo alguma coisa que nem para si era. Pedir exigia uma participação íntima que ele não tinha, e seus gritos ressoariam falsos por todas as esquinas, seus ombros curvariam ao peso acumulado, a cabeça baixa, rabo entre as pernas. O susto do rato com a bolinha de pão jogada sobre a cabeça.
-Imagine, ele falou que tinha achado o chapéu detestável.
-Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir.
-Quem sabe uma feijoada?
-Daqui a pouco vai começar a chover de novo.
-Tá bem, mas só se vier um sorvete depois.
-Quer fazer o favor de me alcançar o copo?
-Mas não sai nada. Nada. Nem uma lágrima.
Aproxima-se. Os olhos agrandaram na procura consumada em encontro, as patas avançaram para o objeto - o cinzento arrastando-se sobre o amarelo dos tapetes.
-Inveja, pura inveja, conheço demais essa gente.
-E no momento em que se confessa a precisão, perde-se tudo, eu sei.
-Não? Quem sabe então um... um... um...
-Não adianta insistir. Agora eu vou.
-De creme, não. Quero de morango.
-E essa coca-cola que não vem?
-Sei lá, vou dormir que é melhor.
Agrandava-se. Senhora dona Cândida, coberta de ouro e prata, descubra o seu rosto, quero ver a sua graça. Descobria-se. Afastava o ouro, a prata, as mãos que escondiam o rosto e dentro, o que havia? Contém-se e começa a contar-se baixinho: Era uma vez: assim: do lado direito, um casal de velhos; do lado esquerdo, uma mulher com duas crianças; atrás, dois rapazes de ar indefinido; à frente, a toalha vermelha da mesa ampliando-se em perspectiva até a janela aberta para a noite". E o rato. Quis gritar, mas era tão tarde, era muito tarde, era sempre tarde. Viu o garçom arrumando os pratos sobre a mesa, a fumaça elevando-se da comida quente. Mas a vidraça ainda não refletia a cor exata dos olhos. Baixou a cabeça para o prato, apoiado nas quatro patas cinzentas, o focinho fino, as pessoas esfarelando pães e jogando-lhe pedaços, espantou-se da delicadeza de suas próprias garras, da leveza de seu próprio corpo, agora apertam sua cauda entre os pés, e ele foge, tenta fugir, mas alguém sopra em seus ouvidos algo parecido com uma canção de ninar. Ou uma canção de guerra, de ódio, de nojo, de sangue, uma cantiga de roda, ou simplesmente um grito estridente, agudo, trêmulo, incompreensível. Um grito humano.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Água Viva
Clarice
Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia.
Sei o que estou fazendo aqui: conto os instantes que pingam e são grossos de sangue.
Equilíbrio perigoso, o meu, perigo de morte de alma.
Nós - diante do escândalo da morte.
Vou parar um pouco porque sei que o Deus é o mundo. É o que existe.
Não gosto é quando pingam limão nas minhas profundezas
Clarice
Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia.
Sei o que estou fazendo aqui: conto os instantes que pingam e são grossos de sangue.
Equilíbrio perigoso, o meu, perigo de morte de alma.
Nós - diante do escândalo da morte.
Vou parar um pouco porque sei que o Deus é o mundo. É o que existe.
Não gosto é quando pingam limão nas minhas profundezas
e fazem com que eu me contorça toda.
Os fatos da vida são o limão na ostra?
Será que a ostra dorme?
O que te escrevo não vem de manso, subindo aos poucos até um auge para depois ir morrendo de manso.
O que te escrevo não vem de manso, subindo aos poucos até um auge para depois ir morrendo de manso.
Não: o que te escrevo é de fogo como olhos em brasa.
Recebi uma carta de S. Paulo de pessoa que não conheço.
Recebi uma carta de S. Paulo de pessoa que não conheço.
Carta derradeira de suicida. Telefonei para São Paulo.
O telefone não respondia, tocava e tocava e soava como num apartamento em silêncio.
Morreu ou não morreu. Hoje de manhã telefonei de novo: continuava a não responder.
Morreu, sim. Nunca esquecerei.
Agora - silêncio e leve espanto.
Agora - silêncio e leve espanto.
de repente não mais
é sempre assim
de repente
ainda que seja
repetido
o de repente
que nem é
de fato
surpresa
nem de novo
o mesmo
de sempre
não se espera
o que não se quer
se desespera
o querer
qualquer
esperado
sempre
porém nunca
desejado
de repente
é
sempre
de repente
finda
o que nem
ainda
havia se tornado
o repetido
esperado
da vida
alegre
de novo
e segue
embora
a gente
negue
a dor
velha
dos mesmos
erros
cachorros
em qualquer
língua
é sempre assim
de repente
ainda que seja
repetido
o de repente
que nem é
de fato
surpresa
nem de novo
o mesmo
de sempre
não se espera
o que não se quer
se desespera
o querer
qualquer
esperado
sempre
porém nunca
desejado
de repente
é
sempre
de repente
finda
o que nem
ainda
havia se tornado
o repetido
esperado
da vida
alegre
de novo
e segue
embora
a gente
negue
a dor
velha
dos mesmos
erros
cachorros
em qualquer
língua
terça-feira, 21 de agosto de 2007
III
Fato: Acordei Do sEu Lado
Finalmente Arriscamos. Desejo, Excesso, Loucura.
Fizemos Amor, Doentes E Lancinantes.
Ficamos, Assim, Divagando Entre Lambidas.
Festejando A Demais Esperada Liberdade.
Farsa? Ah, Deus... Eu Lamento.
Foda? Ah, Deixa Escorrer Logo.
Finda? Ah, Duvido. Embora Longe.
Falece A Dor Enquanto Lançamos
Falas Agudas De Envolvimento Literário.
Falece A Dúvida Enquanto Ligamos
Fendas, Abraços, Dentes E Línguas.
Finalmente Amantes. Devidamente Entrelaçadas. Longes.
Fato: Acordei Do sEu Lado
Finalmente Arriscamos. Desejo, Excesso, Loucura.
Fizemos Amor, Doentes E Lancinantes.
Ficamos, Assim, Divagando Entre Lambidas.
Festejando A Demais Esperada Liberdade.
Farsa? Ah, Deus... Eu Lamento.
Foda? Ah, Deixa Escorrer Logo.
Finda? Ah, Duvido. Embora Longe.
Falece A Dor Enquanto Lançamos
Falas Agudas De Envolvimento Literário.
Falece A Dúvida Enquanto Ligamos
Fendas, Abraços, Dentes E Línguas.
Finalmente Amantes. Devidamente Entrelaçadas. Longes.
domingo, 12 de agosto de 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
Meca Clandestina
(...) E, devagarinho, tomou-lhe a mão.
As duas palmas um pouco úmidas, um pouco trêmulas, uniram-se.
A campainha, fora, tocou. Luísa desprendeu a mão, bruscamente.
- É alguém - disse agitada.
Vozes baixas falavam à cancela.
Basílio teve um movimento de ombros contrariado; foi buscar o chapéu.
- Vais-te? - exclamou ela toda desconsolada.
- Pudera! Não posso estar só contigo um momento!
A cancela fechou-se com ruído. Não é ninguém, foi-se - disse Luísa.
Estavam de pé, no meio da sala.
- Não te vás! Basílio!
Os seus olhos profundos tinham uma suplicação doce.
Basílio pousou o chapéu sobre o piano; mordia o bigode um pouco nervoso.
- E para que queres tu estar só comigo? - disse ela. - Que tem que venha gente?
E arrependeu-se logo daquelas palavras.
Mas Basílio, com um movimento brusco, passou-lhe o braço sobre os ombros,
prendeu-lhe a cabeça, e beijou-a na testa, nos olhos, nos cabelos, vorazmente.
Ela soltou-se a tremer, escarlate.
- Perdoa-me - exclamou ele logo, com um ímpeto apaixonado. - Perdoa-me.
Foi sem pensar. Mas é porque te adoro, Luísa!
Tomou-lhe as mãos com domínio, quase com direito.
- Não. Hás de ouvir. Desde o primeiro dia que te tornei a ver estou doido por ti,
como dantes, a mesma coisa. Nunca deixei de me morrer por ti. (...)
(...) e ele quis-lhe ensinar então a verdadeira maneira de beber champanhe.
Talvez ela não soubesse!
- Como é? - perguntou Luísa erguendo o copo.
- Não é com o copo! Horror! Ninguém que se preza bebe champanhe por um copo.
O copo é bom para o Colares...
Tomou um gole de champanhe e num beijo passou-o para a boca dela.
Luísa riu muito, achou "divino"; quis beber mais assim.
Ia-se fazendo vermelha, o olhar luzia-lhe.
Tinham tirado os pratos da cama; e sentada à beira do leito,
os seus pezinhos calçados numa meia cor-de-rosa pendiam,
agitavam-se, enquanto um pouco dobrada sobre si, os cotovelos sobre o regaço,
a cabecinha de lado, tinha em toda a sua pessoa a graça lânguida de uma pomba fatigada.
Basílio achava-a irresistível; quem diria que uma burguesinha podia ter tanto chique,
tanta queda? Ajoelhou-se, tomou-lhe os pezinhos entre as mãos, beijou-lhos;
depois, dizendo muito mal das ligas "tão feias, com fechos de metal",
beijou-lhe respeitosamente os joelhos; e então fez-lhe baixinho um pedido.
Ela corou, sorriu, dizia: "não! não!"
E quando saiu do seu delírio tapou o rosto com as mãos, toda escarlate;
murmurou repreensivamente:
- Oh, Basílio!
Ele torcia o bigode, muito satisfeito. Ensinara-lhe uma sensação nova; tinha-a na mão!
Só às seis horas se desprendeu dos seus braços.
Luísa fez-lhe jurar que havia de pensar nela toda a noite: - Não queria que ele saísse;
tinha ciúme do Grêmio, do ar, de tudo! E já no patamar voltava, beijava-o, louca, repetia:
- E amanhã mais cedo, sim? Para estarmos todo o dia.
- Não vais ver a D. Felicidade?
- Que me importa a D. Felicidade! Não me importa ninguém! Quero-te a ti! Só a ti!
- Ao meio-dia?
- Ao meio-dia!
Quanto lhe pesou à noite a solidão do seu quarto!
Tinha uma impaciência que a impelia a prolongar a excitação da tarde, agitar-se.
Ainda quis ler, mas bem depressa arremessou o livro;
as duas velas acesas sobre o toucador pareciam-lhe lúgubres;
foi ver a noite; estava tépida e serena.
Chamou Juliana (...)
O Primo Basílio, Eça de Queirós
(...) E, devagarinho, tomou-lhe a mão.
As duas palmas um pouco úmidas, um pouco trêmulas, uniram-se.
A campainha, fora, tocou. Luísa desprendeu a mão, bruscamente.
- É alguém - disse agitada.
Vozes baixas falavam à cancela.
Basílio teve um movimento de ombros contrariado; foi buscar o chapéu.
- Vais-te? - exclamou ela toda desconsolada.
- Pudera! Não posso estar só contigo um momento!
A cancela fechou-se com ruído. Não é ninguém, foi-se - disse Luísa.
Estavam de pé, no meio da sala.
- Não te vás! Basílio!
Os seus olhos profundos tinham uma suplicação doce.
Basílio pousou o chapéu sobre o piano; mordia o bigode um pouco nervoso.
- E para que queres tu estar só comigo? - disse ela. - Que tem que venha gente?
E arrependeu-se logo daquelas palavras.
Mas Basílio, com um movimento brusco, passou-lhe o braço sobre os ombros,
prendeu-lhe a cabeça, e beijou-a na testa, nos olhos, nos cabelos, vorazmente.
Ela soltou-se a tremer, escarlate.
- Perdoa-me - exclamou ele logo, com um ímpeto apaixonado. - Perdoa-me.
Foi sem pensar. Mas é porque te adoro, Luísa!
Tomou-lhe as mãos com domínio, quase com direito.
- Não. Hás de ouvir. Desde o primeiro dia que te tornei a ver estou doido por ti,
como dantes, a mesma coisa. Nunca deixei de me morrer por ti. (...)
(...) e ele quis-lhe ensinar então a verdadeira maneira de beber champanhe.
Talvez ela não soubesse!
- Como é? - perguntou Luísa erguendo o copo.
- Não é com o copo! Horror! Ninguém que se preza bebe champanhe por um copo.
O copo é bom para o Colares...
Tomou um gole de champanhe e num beijo passou-o para a boca dela.
Luísa riu muito, achou "divino"; quis beber mais assim.
Ia-se fazendo vermelha, o olhar luzia-lhe.
Tinham tirado os pratos da cama; e sentada à beira do leito,
os seus pezinhos calçados numa meia cor-de-rosa pendiam,
agitavam-se, enquanto um pouco dobrada sobre si, os cotovelos sobre o regaço,
a cabecinha de lado, tinha em toda a sua pessoa a graça lânguida de uma pomba fatigada.
Basílio achava-a irresistível; quem diria que uma burguesinha podia ter tanto chique,
tanta queda? Ajoelhou-se, tomou-lhe os pezinhos entre as mãos, beijou-lhos;
depois, dizendo muito mal das ligas "tão feias, com fechos de metal",
beijou-lhe respeitosamente os joelhos; e então fez-lhe baixinho um pedido.
Ela corou, sorriu, dizia: "não! não!"
E quando saiu do seu delírio tapou o rosto com as mãos, toda escarlate;
murmurou repreensivamente:
- Oh, Basílio!
Ele torcia o bigode, muito satisfeito. Ensinara-lhe uma sensação nova; tinha-a na mão!
Só às seis horas se desprendeu dos seus braços.
Luísa fez-lhe jurar que havia de pensar nela toda a noite: - Não queria que ele saísse;
tinha ciúme do Grêmio, do ar, de tudo! E já no patamar voltava, beijava-o, louca, repetia:
- E amanhã mais cedo, sim? Para estarmos todo o dia.
- Não vais ver a D. Felicidade?
- Que me importa a D. Felicidade! Não me importa ninguém! Quero-te a ti! Só a ti!
- Ao meio-dia?
- Ao meio-dia!
Quanto lhe pesou à noite a solidão do seu quarto!
Tinha uma impaciência que a impelia a prolongar a excitação da tarde, agitar-se.
Ainda quis ler, mas bem depressa arremessou o livro;
as duas velas acesas sobre o toucador pareciam-lhe lúgubres;
foi ver a noite; estava tépida e serena.
Chamou Juliana (...)
O Primo Basílio, Eça de Queirós
Mentirinha
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
Texto para uma separação, Elisa Lucinda
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
Texto para uma separação, Elisa Lucinda
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
A Arte de Perder
(from my beloved teacher of poetry)
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Elizabeth Bishop, One art
(from my beloved teacher of poetry)
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Elizabeth Bishop, One art
terça-feira, 7 de agosto de 2007
cort-a-zar
o punhal ficara morno junto a seu peito,
e debaixo batia a liberdade escondida.
ela, então, meteu-lhe o punhal no estômago,
aquele mesmo estômago que dóia quando se falavam,
e acabou com a tortura, assim, de uma vez,
com um punhal sangrando a alma e a clandestinidade.
cortou-lhe
da vida.
o punhal ficara morno junto a seu peito,
e debaixo batia a liberdade, escondida.
o punhal ficara morno junto a seu peito,
e debaixo batia a liberdade escondida.
ela, então, meteu-lhe o punhal no estômago,
aquele mesmo estômago que dóia quando se falavam,
e acabou com a tortura, assim, de uma vez,
com um punhal sangrando a alma e a clandestinidade.
cortou-lhe
da vida.
o punhal ficara morno junto a seu peito,
e debaixo batia a liberdade, escondida.
domingo, 5 de agosto de 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Nãos
Faz frio
Faz calor
Chove
Não chove
Não há vento
Nem sol
Nem céu
Nem noite
Nem manhã
Nem dia
Há nãos e determinações
Escolhas opostas e desinteresse
Há escuridão de manhã
Cansaço no fim da claridade
Há saudade de nada e de tudo
Há nãos e decisões contrárias
Vontades arbitrárias e medos
Há escuridão de manhã
Cansaço no fim da tarde
Há saudade de tudo e de nada
Faz tempo
Faz espaço
Sonhe
Não sonhe
Não há alento
Nem ar
Nem chão
Nem hoje
Nem amanhã
Nem havia
Faz frio
Faz calor
Chove
Não chove
Não há vento
Nem sol
Nem céu
Nem noite
Nem manhã
Nem dia
Há nãos e determinações
Escolhas opostas e desinteresse
Há escuridão de manhã
Cansaço no fim da claridade
Há saudade de nada e de tudo
Há nãos e decisões contrárias
Vontades arbitrárias e medos
Há escuridão de manhã
Cansaço no fim da tarde
Há saudade de tudo e de nada
Faz tempo
Faz espaço
Sonhe
Não sonhe
Não há alento
Nem ar
Nem chão
Nem hoje
Nem amanhã
Nem havia
segunda-feira, 30 de julho de 2007
medrosa
eu sou muito medrosa
cínica covarde
sonsa injusta
eu não sei fazer justiça
não sei como faz justiça
eu não tenho coragem de enfrentar nada
tenho que enfrentar a violência e a grosseria
e ir à luta pelo pão de cada dia
sou advogada de defesa e salva-vidas
eu não tenho coragem de enfrentar nada
eu não tenho coragem de enfrentar nada
eu não tenho coragem de enfrentar nada
Entrevista com Stela do Patrocínio
eu sou muito medrosa
cínica covarde
sonsa injusta
eu não sei fazer justiça
não sei como faz justiça
eu não tenho coragem de enfrentar nada
tenho que enfrentar a violência e a grosseria
e ir à luta pelo pão de cada dia
sou advogada de defesa e salva-vidas
eu não tenho coragem de enfrentar nada
eu não tenho coragem de enfrentar nada
eu não tenho coragem de enfrentar nada
Entrevista com Stela do Patrocínio
sábado, 28 de julho de 2007
quarta-feira, 25 de julho de 2007
As Pensadoras
Nenhuma outra paixão poderia excitar-me agora. Outros buscam prazer na avareza, na ambição, nas demandas e disputas. A mim, só o amor me interessaria. Devolver-me-ia o cuidado com minha pessoa, a vigilância, a jovialidade; faria com que os tristes sestros da velhice não me desfigurassem; e sem dúvida me induziria a estudos úteis e louváveis que me tornariam mais querido; libertaria meu espírito do desespero e da falta de confiança em seus meios; afastarme-ia de mil pensamentos aborrecidos, de mil melancólicos desgostos que a ociosidade e a falta de saúde provocam; e, pelo menos em sonho, aqueceria este sangue que a natureza começa a abandonar, sustentaria esta cabeça que se inclina, distenderia estes nervos e outorgaria um pouco de vigor e alegria de viver a este pobre homem que caminha a grandes passos para a ruína. Compreendo porém muito bem que o amor não se recupera; por fraqueza e experiência nosso gosto se faz mais exigente e requintado; e tanto mais queremos selecionar quanto menos possibilidades temos de ser aceitos. Reconhecendo nossos próprios defeitos, tornamo-nos mais desconfiados e tímidos. Nada pode assegurar-nos que sejamos amados (...) Envergonho-me, mesmo, de sua companhia, pois nada tenho a mostrar-lhe senão a minha miséria.
Michel de Montaigne, Ensaios, Livro Terceiro, Capítulo V
terça-feira, 24 de julho de 2007
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Capítulo 7Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.
Rayuela, Julio Cortázar
PS: Cortázar escribió una novela, Rayuela, que se podía leer de dos maneras. Si se colocaban los capítulos en el orden fijado por la numeración tradicional, salía un historia. Y salía otra si se seguía un itinerario alternativo.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
terça-feira, 17 de julho de 2007
amor ela não outra não ela amor
O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
Corridinho, Adélia Prado
domingo, 15 de julho de 2007
Um dia eu te disse como ia ser e foi
Ela vinha pensando
Todos os dias
Em como a vida pode ser
Extraordinária
Não pelos fatos
Mas pelos desejos
Pelas incríveis vontades
Que acontecem
Ela vinha sentindo
Todos os dias
O gosto sensível
De se conseguir o que se quer
Não pelos fatos
Mas pelos desejos
Pelas incríveis vontades
Que enlouquecem
Ela vinha pensando
Todos os dias
Em como a vida pode ser
Extraordinária
Não pelos fatos
Mas pelos desejos
Pelas incríveis vontades
Que acontecem
Ela vinha sentindo
Todos os dias
O gosto sensível
De se conseguir o que se quer
Não pelos fatos
Mas pelos desejos
Pelas incríveis vontades
Que enlouquecem
sexta-feira, 13 de julho de 2007
II
Folclore: A Diva Está Lá
Fazia, Assim, Décadas... Era Lenda.
Ficava Anos Distante... Era Lenda.
Faltava Achar Direção E Lugar.
Fiz A Diabólica Escalada. Ludibriei.
Fui Assassina, Digamos. E Leviana.
Fui Arrogante, Dissimulada E Literal.
Foi Assustador Demais. Extremo. Lacônico.
Foi Ação Divina, Esclareço Logo.
Fiquei Atônita, Desnorteada, Enlouquecida. Levitei.
Fingi. Admito. Desviei Enquanto Levava...
Fingi, Admito. Devo Estar Louca.
Façamos Amor. Definitivamente Estou Louca.
Folclore: A Diva Está Lá
Fazia, Assim, Décadas... Era Lenda.
Ficava Anos Distante... Era Lenda.
Faltava Achar Direção E Lugar.
Fiz A Diabólica Escalada. Ludibriei.
Fui Assassina, Digamos. E Leviana.
Fui Arrogante, Dissimulada E Literal.
Foi Assustador Demais. Extremo. Lacônico.
Foi Ação Divina, Esclareço Logo.
Fiquei Atônita, Desnorteada, Enlouquecida. Levitei.
Fingi. Admito. Desviei Enquanto Levava...
Fingi, Admito. Devo Estar Louca.
Façamos Amor. Definitivamente Estou Louca.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Mágica
um dia mágico.
outro dia mágico.
mágica.
como é que eu te explico?
não explico.
mágica.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
luz.
eu tava tomando
claridade e luz.
quando o sol penetra no dia
dá um dia de sol muito belo.
obrigada.
eu tenho que te agradecer por esses dias.
e por todos os dias antes desses quando eu nem sabia deles.
obrigada pela chegada.
por cada instante.
obrigada por cada detalhe.
por cada pessoa.
obrigada pela família.
obrigada pela luz.
obrigada um dia.
obrigada outro dia.
quando no escuro fizeram poça pra pegar a luz.
pois.
pois.
pois.
pois.
e a claridade.
eu de tantas palavras hoje não tenho.
ontem não tive.
hoje não tenho.
amanhã, depois, nunca terei as palavras.
mas o olhar.
cada olhar.
obrigada por cada olhar.
pelo chão a gente não pode ficar.
claridade e luz.
obrigada por cada acontecimento.
e por cada não-acontecimento.
obrigada porque a gente é luz.
claridade e luz.
o futuro eu queria ser feliz.
entende?
pois.
obrigada pela mágica.
um dia mágico.
outro dia mágico.
como é que a gente dorme depois disso?
me diz.
eu não sei como é que pode formar uma cabeça.
não sei o que é que tem aqui dentro.
mas é mágica.
mágica.
um dia mágico.
outro dia mágico.
mágica.
como é que eu te explico?
não explico.
mágica.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
não sei o que é que tem aqui dentro.
luz.
eu tava tomando
claridade e luz.
quando o sol penetra no dia
dá um dia de sol muito belo.
obrigada.
eu tenho que te agradecer por esses dias.
e por todos os dias antes desses quando eu nem sabia deles.
obrigada pela chegada.
por cada instante.
obrigada por cada detalhe.
por cada pessoa.
obrigada pela família.
obrigada pela luz.
obrigada um dia.
obrigada outro dia.
quando no escuro fizeram poça pra pegar a luz.
pois.
pois.
pois.
pois.
e a claridade.
eu de tantas palavras hoje não tenho.
ontem não tive.
hoje não tenho.
amanhã, depois, nunca terei as palavras.
mas o olhar.
cada olhar.
obrigada por cada olhar.
pelo chão a gente não pode ficar.
claridade e luz.
obrigada por cada acontecimento.
e por cada não-acontecimento.
obrigada porque a gente é luz.
claridade e luz.
o futuro eu queria ser feliz.
entende?
pois.
obrigada pela mágica.
um dia mágico.
outro dia mágico.
como é que a gente dorme depois disso?
me diz.
eu não sei como é que pode formar uma cabeça.
não sei o que é que tem aqui dentro.
mas é mágica.
mágica.
terça-feira, 10 de julho de 2007
A manhã
Amanheci sem dia
Como se amanhecer fosse noite
Amanheço ainda noite
Quase sempre
Amanheci tardia
Como se demorar fosse sorte
Amanheço pouco ainda
Quase nada
Amanhecemos longe
Como se o espaço fosse enorme
Amanheçamos mais
Amanhã cedo
Amanhecer sem medo
Como se a saída fosse essa
Amanhecerá talvez sempre
De amanhã em diante
Amanheci sem dia
Como se amanhecer fosse noite
Amanheço ainda noite
Quase sempre
Amanheci tardia
Como se demorar fosse sorte
Amanheço pouco ainda
Quase nada
Amanhecemos longe
Como se o espaço fosse enorme
Amanheçamos mais
Amanhã cedo
Amanhecer sem medo
Como se a saída fosse essa
Amanhecerá talvez sempre
De amanhã em diante
domingo, 1 de julho de 2007
All
so i think it's all over
i guess i'm perfectly covered
there is al
if it's possible
as soon as possible
when i'm crying at night
here comes al
he will look into my eyes
he will say i'm beautiful
he will say i'm the one
i'm the only one
if it's possible
please as soon as possible
al, estela cassilatti
so i think it's all over
i guess i'm perfectly covered
there is al
if it's possible
as soon as possible
when i'm crying at night
here comes al
he will look into my eyes
he will say i'm beautiful
he will say i'm the one
i'm the only one
if it's possible
please as soon as possible
al, estela cassilatti
Est...
...ela chorava
e eu
não podia fazer nada
...ela chorava
ali na minha frente
e eu...
...ela chorava
e me partia o coração
mas eu não podia fazer nada
...ela chorava
e nem sabia
que eu, ali...
...ela chorava
e me doía profundamente
mas eu não podia... nada
...ela chorava
tanto
e eu...
...ela chorava
e eu morria por dentro
tão impotente diante de tudo
...ela chorava
mas
por quê?
...ela chorava
e eu nem sabia por quê
e eu nem sei
...ela chorava
e é horrível
não ser ninguém nessa hora
...ela chorava
e eu não sou ninguém
e eu nem sei por quê
...ela chorava
e eu permanecia calada
na minha insignificância
...ela chorava
e talvez
eu pudesse ajudar
...ela chorava
mas
eu nem sei onde ela está agora
...ela chorava
e chorava
e chorava
...ela chorava
e me pediu desculpas
desculpa eu, por te amar e não poder fazer nada.
...ela chorava
e eu
não podia fazer nada
...ela chorava
ali na minha frente
e eu...
...ela chorava
e me partia o coração
mas eu não podia fazer nada
...ela chorava
e nem sabia
que eu, ali...
...ela chorava
e me doía profundamente
mas eu não podia... nada
...ela chorava
tanto
e eu...
...ela chorava
e eu morria por dentro
tão impotente diante de tudo
...ela chorava
mas
por quê?
...ela chorava
e eu nem sabia por quê
e eu nem sei
...ela chorava
e é horrível
não ser ninguém nessa hora
...ela chorava
e eu não sou ninguém
e eu nem sei por quê
...ela chorava
e eu permanecia calada
na minha insignificância
...ela chorava
e talvez
eu pudesse ajudar
...ela chorava
mas
eu nem sei onde ela está agora
...ela chorava
e chorava
e chorava
...ela chorava
e me pediu desculpas
desculpa eu, por te amar e não poder fazer nada.
sábado, 30 de junho de 2007
Quer dizer que prostituta merece apanhar?
Eles disseram que bateram na moça porque acharam que ela era prostituta.
Então quer dizer que prostituta merece apanhar?
E tudo bem?
Eu apanho e tudo bem.
Apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Apanho da vida,
do dia,
da noite.
Apanho do sono e tudo bem.
Eu apanho no trabalho,
apanho no ensaio,
apanho no restaurante
e tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Eu apanho em casa,
apanho na rua,
apanho por bilhete
e tudo bem.
Eu apanho quando me levanto,
apanho quando caio,
apanho quando espero...
e tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Eu apanho porque existo.
Apanho porque quero.
Apanho porque não quero.
Eu apanho porque tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo,
por engano.
E tudo bem.
Eles disseram que bateram na moça porque acharam que ela era prostituta.
Então quer dizer que prostituta merece apanhar?
E tudo bem?
Eu apanho e tudo bem.
Apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Apanho da vida,
do dia,
da noite.
Apanho do sono e tudo bem.
Eu apanho no trabalho,
apanho no ensaio,
apanho no restaurante
e tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Eu apanho em casa,
apanho na rua,
apanho por bilhete
e tudo bem.
Eu apanho quando me levanto,
apanho quando caio,
apanho quando espero...
e tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo.
E tudo bem.
Eu apanho porque existo.
Apanho porque quero.
Apanho porque não quero.
Eu apanho porque tudo bem.
Eu apanho das pessoas que amo,
por engano.
E tudo bem.
terça-feira, 26 de junho de 2007
sábado, 23 de junho de 2007
Poema de sexta
(a tati, minha instrutora literária, que mandou, aqui pro meu quarto)
Tu me deixas aqui ou partes comigo?
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
contigo?
A ordem das coisas em que te amo,
onde começa ou acaba?
Agora está o silêncio aposentado
na rosa do ar
e uma árvore perto trina entre os pássaros
para sombrear teu sonho ou é meu sonho?
É esta uma prisão ou acaso o vasto céu
começa aqui onde teus pés
tocam juntos a terra, ou é a lua?
De pronto entro na luz que já habito
e meus olhos se encontram com tua testa.
Busco sair de ti e te levo dentro
de mim, sem encontrar-te.
Sem como, onde ou quando.
Cego na luz com meu olhar aberto
a tanta multidão de ti que ando
extraviado na noite na metade do dia.
Issac Felipe Azofeifa, o maior poeta da Costa Rica
(a tati, minha instrutora literária, que mandou, aqui pro meu quarto)
Tu me deixas aqui ou partes comigo?
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
contigo?
A ordem das coisas em que te amo,
onde começa ou acaba?
Agora está o silêncio aposentado
na rosa do ar
e uma árvore perto trina entre os pássaros
para sombrear teu sonho ou é meu sonho?
É esta uma prisão ou acaso o vasto céu
começa aqui onde teus pés
tocam juntos a terra, ou é a lua?
De pronto entro na luz que já habito
e meus olhos se encontram com tua testa.
Busco sair de ti e te levo dentro
de mim, sem encontrar-te.
Sem como, onde ou quando.
Cego na luz com meu olhar aberto
a tanta multidão de ti que ando
extraviado na noite na metade do dia.
Issac Felipe Azofeifa, o maior poeta da Costa Rica
domingo, 17 de junho de 2007
sábado, 16 de junho de 2007
I
Fantasia: As Duas Escolas Literárias
Foi Assim, Divino, Encantado, Lindo.
Faz Anos Do Encontro, Lembra?
Ficou Ali, Dentro E Longe.
Ficou Aqui, Distante E Leal.
Ficou Aconchegado Direitinho. E Lacrado.
Foi Assim, Dantesco, Ecumênico, Literal.
Filhas, Amigas, Doentes E Loucas.
Faz Amar, De Estranha Longevidade.
(Faz Amor, De Estonteante Luxúria.)
Falamos, Andamos, Dividimos Estórias Livres.
Ficamos Acordadas, Doces, Efêmeras, Leves.
Finalmente A Dor Encontra Lacuna.
Fantasia: As Duas Escolas Literárias
Foi Assim, Divino, Encantado, Lindo.
Faz Anos Do Encontro, Lembra?
Ficou Ali, Dentro E Longe.
Ficou Aqui, Distante E Leal.
Ficou Aconchegado Direitinho. E Lacrado.
Foi Assim, Dantesco, Ecumênico, Literal.
Filhas, Amigas, Doentes E Loucas.
Faz Amar, De Estranha Longevidade.
(Faz Amor, De Estonteante Luxúria.)
Falamos, Andamos, Dividimos Estórias Livres.
Ficamos Acordadas, Doces, Efêmeras, Leves.
Finalmente A Dor Encontra Lacuna.
terça-feira, 12 de junho de 2007
sábado, 9 de junho de 2007
em entrevista a clarice
se me pedissem um quadro da solidão,
eu escolheria a fotografia de um teatro vazio
bibi
Emudecedor
Em visita a Clarice, no Museu da Lígua Portuguesa,
descobri que, de tudo, o que ela mais gostava era de ser a mãe de Paulo e de Pedro.
Em visita a mim mesma, no silêncio do palco - um dos quartos da minha casa -
descobri que o que eu mais gostaria de ser não serei.
Em visita à noite, no frio do espaço entre o nada e o que vem depois,
descobri que tudo pode piorar. Muito.
Portanto, não espere a minha visita.
Entreviste o espelho.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
terça-feira, 5 de junho de 2007
Dos cem-menores-contos do século
Do momento-menor-menina da minha vida
De sentir-me-menos
QUATRO LETRAS
Nada
Raimundo Carrero
Quando acordou,
o dinossauro ainda estava lá.
Augusto Moterroso
Ali, deitada, divagou:
se fosse eu,
teria escolhido lírios.
Adriana Falcão
FIM
Corpos se separam.
Ofegantes ainda.
E distantes para sempre.
Alberto Guzik
PODE
Você pode morrer
a qualquer momento.
André Sant'Anna
- Morreu de quê?
- Gastou-se.
Eugênia Menezes
ÁPICE
Diz que é pueril!
Mas depois tudo foi morrendo.
João Paulo Cuenca
ATRIZ NO DIVÃ
- Doutor, o senhor
já me viu representar?
- Fora daqui?
Livia Garcia-Roza
- Mulher, como estás gorda!
- É... tô comendo o pão
que o Diabo amassou.
Maria Pereira de Albuquerque
LAST BLUES
Não espalho,
mas ando triste pra caralho.
Mário Bortolotto
Quando dei por mim,
já havia esse cárcere.
Ronaldo Cagiano
CONFISSÃO
- Fui me confessar ao mar.
- O que ele disse?
- Nada.
Lygia Fagundes Telles
ADEUS
Então disse:
- Viver era isso?
E fechou lentamente os olhos.
Miguel Sanches Neto
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Uma experiência
Talvez seja uma das experiências humanas e animais mais importantes. A de pedir socorro e, por pura bondade e compreensão do outro, o socorro ser dado. Talvez valha a pena ter nascido para que um dia mudamente se implore e mudamente se receba. Eu já pedi socorro. E não me foi negado.
Senti-me então como se eu fosse um tigre perigoso com uma flecha cravada na carne, e que estivesse rondando devagar as pessoas medrosas para descobrir quem lhe tiraria a dor. E então uma pessoa tivesse sentido que um tigre ferido é apenas tão perigoso como uma criança. E aproximando-se da fera, sem medo de tocá-la, tivesse arrancado com cuidado a flecha fincada.
E o tigre? Não, certas coisas nem pessoas nem animais podem agradecer. Então eu, o tigre, dei umas voltas vagarosas em frente à pessoa, hesitei, lambi uma das patas e depois, como não é a palavra o que tem importância, afastei-me silenciosamente.
Clarice
Talvez seja uma das experiências humanas e animais mais importantes. A de pedir socorro e, por pura bondade e compreensão do outro, o socorro ser dado. Talvez valha a pena ter nascido para que um dia mudamente se implore e mudamente se receba. Eu já pedi socorro. E não me foi negado.
Senti-me então como se eu fosse um tigre perigoso com uma flecha cravada na carne, e que estivesse rondando devagar as pessoas medrosas para descobrir quem lhe tiraria a dor. E então uma pessoa tivesse sentido que um tigre ferido é apenas tão perigoso como uma criança. E aproximando-se da fera, sem medo de tocá-la, tivesse arrancado com cuidado a flecha fincada.
E o tigre? Não, certas coisas nem pessoas nem animais podem agradecer. Então eu, o tigre, dei umas voltas vagarosas em frente à pessoa, hesitei, lambi uma das patas e depois, como não é a palavra o que tem importância, afastei-me silenciosamente.
Clarice
quarta-feira, 23 de maio de 2007
A importância de High School Musical e o começo de algo novo
As crianças gritavam, choravam, esperneavam, abraçavam os pais com uma mistura de desespero e alegria. Qualquer insinuação - mesmo que singela - da presença deles nas redondezas era motivo para histeria generalizada. Coisa que eu, particularmente, não via desde o show do Menudo, nos anos 80, ou desde a adoração setentina por John Travolta e Olivia Newton-John, em Grease. Coisa que se parece com o fascínio histérico nos vídeos antigos de fãs dos Beatles. Fanáticos, apaixonados, loucos, delirantes. Foi lindo. E assim, o show do mais novo fenômeno da Disney me mostrou, na platéia, o começo de algo novo – the start of something new.
“Eles não tinham ídolos da geração deles”, me disse uma mãe que acompanhava a filha de 12 anos ao show. “As crianças adoravam Shakira, Latino, funk carioca. Já estava na hora de ter alguém que dissesse algo de bom para os nossos filhos.”
Nada contra Shakira, Latino ou funk, mas as cinquenta mil pessoas que lotaram o estádio do Morumbi parecem concordar que Troy, Gabriella, Ryan e Sharpay – a mais adorada entre os personagens do musical – têm mais coisas boas a dizer do que os outros. “No High School eles cantam letras sem bobagem, dançam, estudam, fazem esporte, fazem arte, se divertem, namoram, convivem com a família... tudo que a gente quer que nossos filhos façam”, disse outra mãe. Tudo que eu quero que meus sobrinhos sejam.
Ter ídolos é importante em qualquer momento da vida. Mais ainda na infância e na adolescência, quando a gente está criando identidade, descobrindo onde se encaixa. O ídolo é um espelho ou um objetivo. É o caso de amor, o ideal, o sonho que motiva, que inspira, que dá exemplo e, às vezes, que dá razão para a vida em uma fase de tantas dúvidas e questionamentos.
Na platéia de High School Musical ninguém questionava nada. Para quê? Aquele era o único momento da vida inteira. Não estou exagerando. Aquelas crianças fariam qualquer coisa para estar lá. Qualquer coisa. Grandes, pequenas, ricas, pobres, educadas ou não, lindas ou apenas bonitas – porque criança feia não há -, simpáticas e desinibidas ou tímidas e recatadas, todas no auge da paixão: aquelas crianças fariam qualquer coisa para estar lá.
As mães, elegantes ou não, jovens ou nem tanto, satisfeitas ou mal-humoradas com a aglomeração de gente, sabiam que os filhos morreriam se perdessem aquilo. Por isso levaram os pequenos, sem reclamar e também sem fazer perguntas. E pais, e tias, e tios, primas, irmãos, até avôs e avós - todos em um turbilhão coletivo, a magia que se cria quando algo de bom está por vir. É romântico, mas é preciso ser assim. É disso que precisam as crianças, os adolescentes, os adultos. De romance, de mágica, de menos chatice e rigidez, de novidade boa.
Essa é a importância de High School Musical. Trazer algo de novo – ainda que seja velho. Trazer o velho que se perdeu e que, por isso, é novo de novo. Transformar o futuro. Transformar as crianças que se tornam adultos antes do tempo em crianças outra vez. Eles não tinham ídolos deles, agora têm. E a importância desses ídolos, difícil de acreditar para quem é rebelde, é muito maior do que o próprio sucesso. As crianças que amam, gritam e choram, sabem.
As crianças gritavam, choravam, esperneavam, abraçavam os pais com uma mistura de desespero e alegria. Qualquer insinuação - mesmo que singela - da presença deles nas redondezas era motivo para histeria generalizada. Coisa que eu, particularmente, não via desde o show do Menudo, nos anos 80, ou desde a adoração setentina por John Travolta e Olivia Newton-John, em Grease. Coisa que se parece com o fascínio histérico nos vídeos antigos de fãs dos Beatles. Fanáticos, apaixonados, loucos, delirantes. Foi lindo. E assim, o show do mais novo fenômeno da Disney me mostrou, na platéia, o começo de algo novo – the start of something new.
“Eles não tinham ídolos da geração deles”, me disse uma mãe que acompanhava a filha de 12 anos ao show. “As crianças adoravam Shakira, Latino, funk carioca. Já estava na hora de ter alguém que dissesse algo de bom para os nossos filhos.”
Nada contra Shakira, Latino ou funk, mas as cinquenta mil pessoas que lotaram o estádio do Morumbi parecem concordar que Troy, Gabriella, Ryan e Sharpay – a mais adorada entre os personagens do musical – têm mais coisas boas a dizer do que os outros. “No High School eles cantam letras sem bobagem, dançam, estudam, fazem esporte, fazem arte, se divertem, namoram, convivem com a família... tudo que a gente quer que nossos filhos façam”, disse outra mãe. Tudo que eu quero que meus sobrinhos sejam.
Ter ídolos é importante em qualquer momento da vida. Mais ainda na infância e na adolescência, quando a gente está criando identidade, descobrindo onde se encaixa. O ídolo é um espelho ou um objetivo. É o caso de amor, o ideal, o sonho que motiva, que inspira, que dá exemplo e, às vezes, que dá razão para a vida em uma fase de tantas dúvidas e questionamentos.
Na platéia de High School Musical ninguém questionava nada. Para quê? Aquele era o único momento da vida inteira. Não estou exagerando. Aquelas crianças fariam qualquer coisa para estar lá. Qualquer coisa. Grandes, pequenas, ricas, pobres, educadas ou não, lindas ou apenas bonitas – porque criança feia não há -, simpáticas e desinibidas ou tímidas e recatadas, todas no auge da paixão: aquelas crianças fariam qualquer coisa para estar lá.
As mães, elegantes ou não, jovens ou nem tanto, satisfeitas ou mal-humoradas com a aglomeração de gente, sabiam que os filhos morreriam se perdessem aquilo. Por isso levaram os pequenos, sem reclamar e também sem fazer perguntas. E pais, e tias, e tios, primas, irmãos, até avôs e avós - todos em um turbilhão coletivo, a magia que se cria quando algo de bom está por vir. É romântico, mas é preciso ser assim. É disso que precisam as crianças, os adolescentes, os adultos. De romance, de mágica, de menos chatice e rigidez, de novidade boa.
Essa é a importância de High School Musical. Trazer algo de novo – ainda que seja velho. Trazer o velho que se perdeu e que, por isso, é novo de novo. Transformar o futuro. Transformar as crianças que se tornam adultos antes do tempo em crianças outra vez. Eles não tinham ídolos deles, agora têm. E a importância desses ídolos, difícil de acreditar para quem é rebelde, é muito maior do que o próprio sucesso. As crianças que amam, gritam e choram, sabem.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
O verbo perdido no câncer
Existe um câncer dentro de mim.
Dentro do câncer, nada.
Uma camada é de alívio.
A outra é de solidão.
Existe uma emoção
inacabada.
Existe um câncer dentro do nada.
É uma facada, e um carinho.
Um caminho no meio da pedra.
Petra, Joana, Fedra.
Existe um câncer dentro do sonho.
Um cisto medonho, de morte.
Existe um câncer na sorte.
Um jogo vendido.
Existe um soldado rendido.
Uma guerra em que eu não vou entrar.
Depois do câncer,
existe um lugar.
Existe um câncer dentro de mim.
E ainda não sei o que fazer com ele.
Talvez amar.
Existe um câncer dentro de mim.
Dentro do câncer, nada.
Uma camada é de alívio.
A outra é de solidão.
Existe uma emoção
inacabada.
Existe um câncer dentro do nada.
É uma facada, e um carinho.
Um caminho no meio da pedra.
Petra, Joana, Fedra.
Existe um câncer dentro do sonho.
Um cisto medonho, de morte.
Existe um câncer na sorte.
Um jogo vendido.
Existe um soldado rendido.
Uma guerra em que eu não vou entrar.
Depois do câncer,
existe um lugar.
Existe um câncer dentro de mim.
E ainda não sei o que fazer com ele.
Talvez amar.
sábado, 5 de maio de 2007
qual queres
qualquer coisa que eu escreva vai ser a mesma
qualquer sentimento que eu tenha vai ser o mesmo
qualquer escritora que eu ame... não! vai ser a mesma
qualquer mês
qualquer caneta
qualquer repetição
qualquer macaco
qualquer cansaço
qualquer canção
qualquer pessoa que eu ame vai ser a mesma
qualquer destino que eu tenha
qualquer alegria que venha
qualquer solidão
qualquer desejo que falte vai ser o mesmo
qualquer vontade que bate vai ser a mesma
qualquer saudade que mate vai ser a mesma
qualquer cachorro que late
qualquer dia que eu espere
qualquer palavra que fere
qualqueres
qualquer noite que eu esqueça vai ser a mesma
qualquer novidade que eu conheça vai ser a mesma
qualquer segunda que amanheça
qualquer terça
qualquer quarto
qualquer oitava que eu alcance
qualquer melodia que eu dance
qualquer casa que eu avance
vai ser a mesma
a rainha está perdida
qualquer coisa que eu escreva vai ser a mesma
qualquer sentimento que eu tenha vai ser o mesmo
qualquer escritora que eu ame... não! vai ser a mesma
qualquer mês
qualquer caneta
qualquer repetição
qualquer macaco
qualquer cansaço
qualquer canção
qualquer pessoa que eu ame vai ser a mesma
qualquer destino que eu tenha
qualquer alegria que venha
qualquer solidão
qualquer desejo que falte vai ser o mesmo
qualquer vontade que bate vai ser a mesma
qualquer saudade que mate vai ser a mesma
qualquer cachorro que late
qualquer dia que eu espere
qualquer palavra que fere
qualqueres
qualquer noite que eu esqueça vai ser a mesma
qualquer novidade que eu conheça vai ser a mesma
qualquer segunda que amanheça
qualquer terça
qualquer quarto
qualquer oitava que eu alcance
qualquer melodia que eu dance
qualquer casa que eu avance
vai ser a mesma
a rainha está perdida
domingo, 15 de abril de 2007
IT'S OVER
Lay a whisper On my pillow, Leave the winter On the ground.
I wake up lonely, There's air of silence In the bedroom And all around.
Touch me now, I close my eyes And dream away.
It must have been love
But it's over now.
It must have been good
But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
Make-believing We're together, That I'm sheltered By your heart.
But in and outside I've turned to water Like a teardrop In your palm.
And it's a hard Winter's day, I dream away.
It must have been love
But it's over now.
It was all that I wanted
Now I'm living without.
It must have been love But it's over now,
It's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it's over now.
It must have been good But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
It must have been love But it's over now.
It was all that I wanted, Now I'm living without.
It must have been love But it's over now.
I's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it’s over now
It must have bee love But it’s over now.
Roxette, It must have been love
Lay a whisper On my pillow, Leave the winter On the ground.
I wake up lonely, There's air of silence In the bedroom And all around.
Touch me now, I close my eyes And dream away.
It must have been love
But it's over now.
It must have been good
But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
Make-believing We're together, That I'm sheltered By your heart.
But in and outside I've turned to water Like a teardrop In your palm.
And it's a hard Winter's day, I dream away.
It must have been love
But it's over now.
It was all that I wanted
Now I'm living without.
It must have been love But it's over now,
It's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it's over now.
It must have been good But I lost it somehow.
It must have been love But it's over now.
From the moment we touched 'Til the time had run out.
It must have been love But it's over now.
It was all that I wanted, Now I'm living without.
It must have been love But it's over now.
I's where the water flows, It's where the wind blows.
It must have been love But it’s over now
It must have bee love But it’s over now.
Roxette, It must have been love
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Só Pra Contrariar
eu canto
Vai amor e faça tudo o que tiver na cabeça
Eu só te peço, por favor não me esqueça
Quando cansar de tudo pode voltar
Vai amor a vida é dura e você tem o direito
Eu vou ficar sozinho aqui e me ajeito
E quem sou eu, amor, pra te censurar, pode ir
Resolve sonhos do seu coração
Esgote o seu estoque de emoção
E quando acabar essa ilusão
Volta pra mim
Volta meu amor
Volta pra me ver
Volta pra saber como a vida é bonita sem você
Volta só pra ver como eu sou feliz
De repente outro amor
Bem melhor vai querer o que você não quis
tu cantas
To fazendo amor
Com outra pessoa
Mas meu coração
Vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz
A alma perdoa
Tanta solidão
Quase me enlouqueceu
Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto
que eu vivo sozinho e não sei te esquecer
E depois acabou
Ilusão que eu criei
A emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou
Que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora o amor só se mede depois do prazer
Fica dentro do meu peito sempre uma saudade...
Só pensado no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo
nós cantamos
Não larga do meu pé
Me chama de meu rei
Me cobre de amor e paz
Mata meu desejo
A vida é viver,
viver nos teus braços
Foi tudo o que eu mais sonhei
Meu bem, me amarrei
Parece a corda e a caçamba
O Brasil e o samba
Eu e ela
Um amor assim desse jeito
Chega e satisfaz
Enche de prazer
Faz enlouquecer
Hum, hum, é bom demais
a vida é bonita sem voce, depois do prazer, é bom demais - só pra contrariar
eu canto
Vai amor e faça tudo o que tiver na cabeça
Eu só te peço, por favor não me esqueça
Quando cansar de tudo pode voltar
Vai amor a vida é dura e você tem o direito
Eu vou ficar sozinho aqui e me ajeito
E quem sou eu, amor, pra te censurar, pode ir
Resolve sonhos do seu coração
Esgote o seu estoque de emoção
E quando acabar essa ilusão
Volta pra mim
Volta meu amor
Volta pra me ver
Volta pra saber como a vida é bonita sem você
Volta só pra ver como eu sou feliz
De repente outro amor
Bem melhor vai querer o que você não quis
tu cantas
To fazendo amor
Com outra pessoa
Mas meu coração
Vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz
A alma perdoa
Tanta solidão
Quase me enlouqueceu
Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto
que eu vivo sozinho e não sei te esquecer
E depois acabou
Ilusão que eu criei
A emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou
Que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora o amor só se mede depois do prazer
Fica dentro do meu peito sempre uma saudade...
Só pensado no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo
nós cantamos
Não larga do meu pé
Me chama de meu rei
Me cobre de amor e paz
Mata meu desejo
A vida é viver,
viver nos teus braços
Foi tudo o que eu mais sonhei
Meu bem, me amarrei
Parece a corda e a caçamba
O Brasil e o samba
Eu e ela
Um amor assim desse jeito
Chega e satisfaz
Enche de prazer
Faz enlouquecer
Hum, hum, é bom demais
a vida é bonita sem voce, depois do prazer, é bom demais - só pra contrariar
sexta-feira, 6 de abril de 2007
quarta-feira, 28 de março de 2007
vinteesetedotres
odiacertoomeserrado
ahoracertaolugarerrado
oanocertootempoerrado
apessoacertaavidaerrada
apalavracertaoouvinteerrado
acertezacertaaduvidaerrada
afrasecertaoespaçoerrado
aletracertaoacentoerrado
aruacertaacasaerrada
opalcocertoaplateiaerrada
apeçacertaoelencoerrado
otextocertoamarcaerrada
aroupacertaafestaerrada
anoitecertaacamaerrada
oimparcertooparerrado
ocomeçocertoofimerrado
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segunda-feira, 12 de março de 2007
fugas
tenho sangue nas mãos
não sei de quem
pode ser meu
mas não acho o corte
acordei às três da manhã
no chão gelado
no tapete encharcado
do lavabo de casa
por que no lavabo
não sei
talvez eu tenha tentado fugir
pela janela do olho
pelo ralo da fala
pela fresta do tornozelo
é um sangue que parece velho
mas fresco
o corte é interno
o sangue é veneno
talvez eu tenha tentado fugir
pelo vidro da cabeça
...
notas
a menina que roubava livros
era eu
aquela que levava as almas
era eu
a crueldade em pessoa
era eu
o décimo terceiro tiro
era eu
na família certa
no momento estranho
na melhor escola
no palco
na cidade antiga
no momento certo
no ano seguinte
no palco
na escolha intensa
no momento oculto
na alegria farta
era eu
...
tolices
de tão triste
minha agonia
sorri
ri de mim
de tão tola
e tão minha
caminha
no lugar
de tão só
dó
ré
mi
fá
noite.
a melodia amarga do palhaço morto.
...
tenho sangue nas mãos
não sei de quem
pode ser meu
mas não acho o corte
acordei às três da manhã
no chão gelado
no tapete encharcado
do lavabo de casa
por que no lavabo
não sei
talvez eu tenha tentado fugir
pela janela do olho
pelo ralo da fala
pela fresta do tornozelo
é um sangue que parece velho
mas fresco
o corte é interno
o sangue é veneno
talvez eu tenha tentado fugir
pelo vidro da cabeça
...
notas
a menina que roubava livros
era eu
aquela que levava as almas
era eu
a crueldade em pessoa
era eu
o décimo terceiro tiro
era eu
na família certa
no momento estranho
na melhor escola
no palco
na cidade antiga
no momento certo
no ano seguinte
no palco
na escolha intensa
no momento oculto
na alegria farta
era eu
...
tolices
de tão triste
minha agonia
sorri
ri de mim
de tão tola
e tão minha
caminha
no lugar
de tão só
dó
ré
mi
fá
noite.
a melodia amarga do palhaço morto.
...
sábado, 10 de março de 2007
Noites de Cabíria
no começo elas estavam brincando
encontros casuais da pele
mas estavam brincando
ele chegou
tomou uma taça de vinho nas mãos
entrou no jogo
brincavam de verdade
a brincadeira virou sedução
de verdade
elas brincavam
ele falava sério
elas se encolveram no jogo dele
gostaram da idéia
brincaram com a possibilidade
duvidaram da coragem
deixaram o vinho acabar
deixaram acontecer
a inusitada e incerta amizade
o desejo
deixaram acontecer
foi incrível
e eles sabem que será outra vez
de novo
a noite começou o jogo
aquele jogo que você nunca pensou que eu seria capaz de jogar
surpreenda-se
são três
poderiam ser quatro
poderiam pintar e fazer amor
apenas fazem amor
há penas
amor
dorme aí.
no começo elas estavam brincando
encontros casuais da pele
mas estavam brincando
ele chegou
tomou uma taça de vinho nas mãos
entrou no jogo
brincavam de verdade
a brincadeira virou sedução
de verdade
elas brincavam
ele falava sério
elas se encolveram no jogo dele
gostaram da idéia
brincaram com a possibilidade
duvidaram da coragem
deixaram o vinho acabar
deixaram acontecer
a inusitada e incerta amizade
o desejo
deixaram acontecer
foi incrível
e eles sabem que será outra vez
de novo
a noite começou o jogo
aquele jogo que você nunca pensou que eu seria capaz de jogar
surpreenda-se
são três
poderiam ser quatro
poderiam pintar e fazer amor
apenas fazem amor
há penas
amor
dorme aí.
sexta-feira, 9 de março de 2007
vida cíclica - da série "recordar é viver..."
04 de julho de 2002
Hoje, falho de ti, sou dois a sós.
Fernando Pessoa
03 de agosto de 2002
Cotidiano
Não adianta, eu sinto mesmo a sua falta...
03 de dezembro de 2002
Desencanto, Despaixão, Descanção, Desesperança, Desprendimento, Desalento
Se fosse um filme seria tão mais fácil. Mas é teatro...
19 de fevereiro de 2003
Como está o seu coração?
Minha amiga me perguntou...
16 de março de 2003
Há qualquer coisa ausente que me atormenta.
Camile Claudel
20 de abril de 2003
Alguém
Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo...
1 de maio de 2003
Mais um dia
Ainda é assim. Por mais que eu tente não ser...
14 de maio de 2003
14 de maio de 2003
Parece que foi hoje
Nada no mundo é pior do que o fim do amor
Curtas
Não há passarinho, ela disse...
16 de fevereiro de 2006
Aquele dia
Aquele dia, de novo, chega...
quinta-feira, 8 de março de 2007
Para voltar... a escrever
Um dia você me ensinou a tomar chá.
Muito antes eu me apaixonei. Só por isso tomei o chá.
Era uma coisa minha. Só minha. Minha e boa. Minha e única.
Minha e cheia de uma alegria que eu quase esqueci que existia.
Era a razão das minhas vontades. De todas elas.
De ir trabalhar e de não ir. De ir a qualquer lugar. De fazer qualquer coisa.
Tudo diferente do que eu fazia antes. Tudo que eu nem gostava ou queria.
Mesmo que fosse uma fria. Com você, não era. Eu ria.
Sorria com aqueles olhos.
Aqueles olhos que você sabe...
E você foi o sol, num momento em que tudo escurecia.
Você nem sabia. Mas não precisava saber.
Era exatamente essa a magia.
Você me fez ir ao mar. Mesmo que do mar eu nem gostasse tanto.
Por causa do sal.
Mas até o sal, com você, era bom.
Sei lá o que era, te confesso.
Mas eu tremia, como se nevasse.
E mesmo se nevasse... eu nem ia embora.
Eu ia te dar o casaco e rezar pra neve encher tudo e interromper o caminho.
Sem neve.
Sem reza.
Sem certezas.
Até sem caminho...
Não sairemos de nós.
Porque eu continuo tomando chá.
E vinho.
Um dia você me ensinou a tomar chá.
Muito antes eu me apaixonei. Só por isso tomei o chá.
Era uma coisa minha. Só minha. Minha e boa. Minha e única.
Minha e cheia de uma alegria que eu quase esqueci que existia.
Era a razão das minhas vontades. De todas elas.
De ir trabalhar e de não ir. De ir a qualquer lugar. De fazer qualquer coisa.
Tudo diferente do que eu fazia antes. Tudo que eu nem gostava ou queria.
Mesmo que fosse uma fria. Com você, não era. Eu ria.
Sorria com aqueles olhos.
Aqueles olhos que você sabe...
E você foi o sol, num momento em que tudo escurecia.
Você nem sabia. Mas não precisava saber.
Era exatamente essa a magia.
Você me fez ir ao mar. Mesmo que do mar eu nem gostasse tanto.
Por causa do sal.
Mas até o sal, com você, era bom.
Sei lá o que era, te confesso.
Mas eu tremia, como se nevasse.
E mesmo se nevasse... eu nem ia embora.
Eu ia te dar o casaco e rezar pra neve encher tudo e interromper o caminho.
Sem neve.
Sem reza.
Sem certezas.
Até sem caminho...
Não sairemos de nós.
Porque eu continuo tomando chá.
E vinho.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Maiakowski, que morreu em 1930
(...)
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
(...)
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Time Enough For Tears
The Corrs
Let's read the trees and their autumm leaves
As they fall like a dress undone
At the end of summers love will find lovers
who need the shadows of a winter's sun
Don't tell me you're leaving
We can hide in the evening
It's getting darker than it should
If we read the leaves as they blow in the breeze
Would it stop us now my love
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
The moon is milk and the sky where it spilt
It's magic and we all need to believe
We can wake in the dream
it's not as hard as it seems
You know it's harder to leave
Time enough for being braver
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
I heard you say underneath your breath
Some kind of prayer
I heard you say underneath your breath
That you never wanna feel
this way about anybody else
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
Time enough for being braver
Time enough I love this time of year
Time is tough it's running away from us
Time enough for tears
Time enough
(I know, I know)
(It's ok, it's ok)
The Corrs
Let's read the trees and their autumm leaves
As they fall like a dress undone
At the end of summers love will find lovers
who need the shadows of a winter's sun
Don't tell me you're leaving
We can hide in the evening
It's getting darker than it should
If we read the leaves as they blow in the breeze
Would it stop us now my love
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
The moon is milk and the sky where it spilt
It's magic and we all need to believe
We can wake in the dream
it's not as hard as it seems
You know it's harder to leave
Time enough for being braver
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
I heard you say underneath your breath
Some kind of prayer
I heard you say underneath your breath
That you never wanna feel
this way about anybody else
Time enough for hard questions
Time enough for all our fears
Time is tougher than we both know yet
Time enough for tears
Time enough for being braver
Time enough I love this time of year
Time is tough it's running away from us
Time enough for tears
Time enough
(I know, I know)
(It's ok, it's ok)
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